Medindo a sua santidade

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paulopimentaPaulo Pimenta

Professor do Rhema

Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus“.  (Mateus 5:20)

Há um tempo venho refletindo sobre santidade. Já escrevi um texto tangenciando esse mesmo assunto (A Síndrome do Exterior do Corpo), mas hoje quero me aprofundar ainda mais nesse tema.

No versículo acima, Jesus faz uma comparação sobre a justiça que devemos exercer e a justiça dos fariseus e dos mestres da lei. É bom ressaltar que a palavra “justiça” nesse texto tem um sentido de “retidão” – ou seja – de cumprimento dos ensinamentos divinos. No famoso “Sermão do Monte”, descrito nos capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus, Jesus ensina a verdadeira santidade e retidão diante do Senhor.

E o que ele combate, além de ensinamentos antigos imperfeitos, é a hipocrisia. Como vemos:

Não julguem, para que vocês não sejam julgados.Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.” – Mateus 7:1-5

Posteriormente, Jesus repreende por várias vezes a conduta dos fariseus. Essa conduta pode ser simplificada pelo seguinte:

Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés.Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los. – Mateus 23:2-4

Percebam que uma característica do “falso santo” é dizer o que é certo – e o que dizem é mesmo certo – porém não praticam o que ensinam. E o resultado automático disso é a postura de juízes que os fariseus mantinham. Atam fardos pesados aos ombros dos homens, apontam pecados, mostram os erros dos outros… Mas por dentro estão imundos!

Jesus, o nosso exemplo, alvo e caminho, mostrou-nos o que é ser santo e reto de verdade, tanto por seus ensinamentos quanto pelo seu procedimento. Em João 8 vemos uma turba desses fariseus condenando (como estava na Lei!) uma mulher flagrada em adultério. Queriam mata-la por apedrejamento.

Julgavam seu comportamento por imundo, nojento e contra as Leis Divinas. Mas Jesus, o próprio Deus, usou de misericórdia e proferiu as palavras “eu também não a condeno”. Sabem, isso também me diz algo sobre santidade: a verdadeira retidão não é expressa pelo seu conhecimento das Leis Divinas, e sim pela sua capacidade de exercer Sua misericórdia!

Aquele que tem uma viga em seu olho não é capaz de tirar o cisco do olho do irmão. Jesus só podia inspirar o próximo a andar em santidade por Ele mesmo conseguir praticá-la. E o reflexo de sua santidade era justamente a prática da misericórdia!

Hoje percebo que isso é, na verdade, um padrão. Quanto mais alguém é misericordioso, mais em retidão e santidade ele tem andado. Aquele que superou e foi perdoado em seus pecados SABE a dificuldade de superá-los, e de mortificar a carne diariamente.

Ao vermos um irmão em dificuldade com suas concupiscências, compadecemo-nos ao invés de julgarmos. O Amor de Deus e Sua compaixão pelo homem são derramados em nosso espírito, e quanto mais cheios e conectados ao Senhor, mais nos compadecemos daqueles que ainda não conseguiram se livrar das cobiças que rondam suas vidas.

Jesus morreu por nós por reconhecer que essa seria a única chance de nos livrar da condenação e nos ajudar na luta contra o pecado. Ele, perfeito e santo, teve compaixão e não nos condenou, jamais. Antes, condenou a hipocrisia daqueles que conheciam, mas não praticavam. Quanto mais conhecemos e não praticamos, mais julgadores e rigorosos nos tornamos.

Isso me dá uma boa luz sobre como medimos nosso nível de santidade: quanto mais nos iramos e condenamos o pecado de alguém, sem nos dispormos a ajudar, mais “sujos por dentro” estamos. Assim, necessitamos crescer em graça e no amor do Senhor. Somente aquele que recebeu o perdão e o amor de Deus pode ser um despenseiro desses mesmos atributos.

Misericórdia e santidade andarão sempre juntas. Onde houver uma, a outra deve estar. Se faltar uma, certamente a outra também faltará.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.” – Mateus 5:7

 

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