Não somos bons

Postado em
0
464

por Paulo Pimenta

(Pastor da Igreja Verbo da Vida de Montes Claros-MG)

“Certo homem importante lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”

Por que você me chama bom?”, respondeu Jesus. “Não há ninguém que seja bom, a não ser somente Deus””.  (Lucas 18.18-19)

De vez em quando, eu sou questionado por algum amigo incrédulo sobre a condenação que está no caminho de quem não crê. “Sua Bíblia me diz que eu vou para o inferno!” – bradam, como se fosse uma injustiça alguém como ele/ela, uma pessoa boa, caminhar rumo ao abismo.

Temos dois problemas aqui:

1- A compreensão errada de que é da vontade de Deus que o povo vá para o inferno

A vontade de Deus é que todos sejam salvos. Por incrível que pareça, ir para o inferno é uma decisão do povo, e não de Deus. É o povo que está indo. Deus é aquele que salva do inferno um povo que, pelas suas obras, já estava destinado para lá.

2- A compreensão errada de que nós somos pessoas boas

Não gente, nós não somos pessoas boas. Mesmo você que acha que é, não é. O problema é que nosso ponto de comparação são outras pessoas que não são boas, assim como a gente não é. É só porque o povo em geral é tão ruim, que pessoas que não cometem crimes, ou não fazem algo direto contra alguém, parecem ser boas. Então o sujo fica parecendo limpo!

É difícil apontar, em outra pessoa, os “pontos podres” dela. Mas eu tenho certeza que você, que está lendo esse texto, consegue achar os pontos podres em você mesmo. Claro que, quando você medita sobre sua podridão, seu cérebro automaticamente vem com a defesa “ah mas todo mundo é assim”, “é impossível ser diferente” ou “todo mundo tem defeito”.

A questão é que são justamente nossos defeitos que fazem o mundo imperfeito. Cada defeitinho de cada um de nós, quando em contato com o outro, não se soma, e sim se multiplica. Duas pessoas levemente agressivas juntas fazem uma briga; múltiplos agressivos fazem uma guerra. Dois avarentos juntos enriquecem, mas muitos avarentos geram fome, desigualdade social, guerras e criminalidade.

O que nós cristãos cremos é que precisamos de redenção e estamos nessa caminhada, nesse processo. Apesar de sermos justificados por Cristo e não mais sermos pecadores, nossas práticas não são suficientes para dizermos que somos bons. O que nos faz diferentes de quem não crê não é nosso caráter (como alguns julgam ser nossa bandeira), mas sim nosso reconhecimento de que não somos bons. Nosso arrependimento. Nossa necessidade de redenção.

Entenda: aquele que acha que o caráter dele é bom do jeito que está hoje (cristão ou não, mas isso é assunto para outro texto…) e não se arrepende da vida que leva precisa ser excluído desse mundo, para que ele seja realmente um lugar bom. Pode parecer cruel, mas a mim parece justo. Uma coisa é você ter dificuldade de ser uma pessoa melhor (como todo mundo tem), outra é você deliberadamente QUERER permanecer como está, e achar injusto que você não possa ser salvo desse jeito mesmo.

Estamos todos sujos, todos no mesmo mar de lama. De Beiramar a Madre Teresa. A diferença do que se arrepende é que ele segurou na corda para ser salvo, e está tentando subir por ela. Um dia essa corda – que está disponível para todo mundo – vai ser puxada. E quem ficou afundado não vai poder reclamar.

Não sabemos de fato como é ou o que é o inferno. Mas talvez inferno seja uma vida eterna vazia das melhores virtudes e bênçãos divinas, e cheia de um povo arrogante que acha que suas virtudes são suficientes para viver.

Aos que se arrependeram e encontraram a salvação, acharam a corda, existe uma advertência: não comece a achar que você é melhor do que ninguém. O fato de você ser justificado é pela graça, pela obra de Cristo, e não pelos seus méritos. Cuidado para não estufar o peito, enchendo-se de você mesmo e esvaziando-se de Cristo. Cuidado para não soltar a corda.

“Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (I Coríntios 10.12)

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA