Nossa vontade: a grande inimiga

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por Paulo Pimenta

Pastor da Igreja em Montes Claros-MG

Tenho ministrado e meditado bastante sobre esse assunto. O mundo atual nos orienta a seguirmos nossos desejos, nossa vontade. Nos dias de hoje, “liberdade” tem tido o significado de “faze o que tu queres”. É pregado por todo o mundo que ser livre (e dar liberdade) é fazer o que tiver vontade de fazer. É o sonho hedonista, egoísta e antropocêntrico da geração atual.

Em relação a esses tempos modernos, o apóstolo Paulo anteviu:

“Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.” (II Timóteo 3:1-5)

Ou seja, parece legal essa ideia de construção moral e social (aparência de piedade) egoísta. Esses são os tempos que estamos vivendo. Existe uma ordem mística no mundo denominada Thelema (do grego koine: vontade). Essa ordem foi desenvolvida pelo britânico Ailester Crowley (1875-1947), e tinha o lema “faze o que tu queres”, citado também pelo músico brasileiro Raul Seixas (o mesmo diz, em uma de suas músicas, “Ailester Crowley é 666!”). Crowley acreditava ser o profeta de uma Nova Ordem, que influenciaria uma nova geração. De fato, Crowley influenciou muita gente na arte e na música, e foi considerado em 2001, em uma enquete da BBC, como o septuagésimo terceiro maior britânico de todos os tempos.

Os Thelemitas acreditam que devemos buscar e seguir nossos próprios caminhos de vida, segundo nossa própria vontade.

Interessante ver o quanto isso influenciou e influencia nossa sociedade moderna! Como nós somos incentivados a buscar nossos próprios caminhos e vontades. Como se a felicidade e a realização estivessem ligados à realização dessas vontades! Infelizmente, essa filosofia entrou na sociedade através da música, artes e literatura. Hoje, mesmo na Igreja, somos tendenciosos a ser orgulhosos e buscar nossas próprias vontades.

Paulo nos adverte, em Romanos 12, a não nos amoldarmos ao padrão desse mundo. Em outra passagem, o mesmo apóstolo nos explica que a amizade com o mundo é inimizade com Deus, e em ainda outra, nos exorta a mortificarmos nosso corpo – e nossas vontades – para conseguirmos alcançar a vontade de Deus.

Temos que seguir nosso exemplo, Jesus, e nos esforçar a fazer a vontade do Pai, e não a nossa. O pecado original nada mais foi do que uma cessão às vontades humanas (concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e soberba da vida). O mundo atual tenta nos convencer que “merecemos”, e que devemos fazer a nossa vontade. Porém, Deus nos ama e sabe mais que a gente o que vai ser melhor para a nossa vida.

“Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua”.(Lucas 22.42)

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