O dízimo: lei ou graça?

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por Amarildo Costa (Iporá-GO)
*Pastor da Igreja Verbo da Vida 

Quero desenvolver um artigo simples, tomando como base alguns registros e apresentando conclusões que podem ser julgadas!

A prática do dízimo se tornou bíblica, mas ela transcende aos costumes cristãos! Na verdade, é anterior à Bíblia!

Se pesquisarmos, veremos que os povos pagãos praticavam suas oferendas aos seus deuses, que eram trazidas em forma de animais e cereais! Isso transcende ao uso da moeda, na verdade, coisas eram usadas como moedas de troca, em muitos lugares e em períodos remotos!

Biblicamente, Abraão foi o primeiro homem a fazer uso dessa prática!

Eu não sei por que ele teve essa ideia, mas eu julgo que tenha sido porque, por ser de descendência pagã, e ele mesmo haver sido um pagão, sendo conhecedor dessa prática, agora, conhecendo o Deus verdadeiro, entregou os seus dízimos a Deus, pelas mãos de Melquisedeque!

Podemos ver que o dízimo se antecipa à Lei e à Bíblia, mesmo praticado por Abraão!

Eu compreendo que o fato de Abraão haver dado o dízimo a Deus, num período anterior à Lei e, mesmo anterior à Bíblia, isso porque não havia Bíblia nos tempos dele, já que a Lei foi escrita por Moisés, 400 anos depois, então podemos concluir que o dízimo, por meio de Abraão, num período conhecido como ‘Promessa’, só pode ter sido dado como gratidão e em graça, já que ninguém o mandou fazer!

Seu neto, Jacó, foi a segunda pessoa que vemos entregando os dízimos a Deus! É provável que ele tenha visto seu pai dando continuidade a essa obra de seu avô! Quero que peguemos esse assunto do dízimo narrado pelo autor da carta de Hebreus! A primeira vez está no capitulo 7.5!

O autor diz que os sacerdotes tinham ordem de receber dízimo de seus irmãos, ainda que todos fossem descendentes de Abraão! No versículo 6, o autor vai falar que aquele que nem tem genealogia, (Melquisedeque), recebe o dízimo daquele (Abraão) que tinha as promessas e o abençoou! No versículo 8, o autor fala que “aqui recebem os dízimos, homens que morrem, ou seja, os sacerdotes levitas, ali, porém, aquele de quem se testifica que vive!”. Quero chamar sua atenção para algo maravilhosos que Hebreus nos ensina! Nós sabemos que a tribo de Levi tinha ordem de receber os dízimos, conforme a lei.

O dízimo, inicialmente, era uma prática conhecida no meio pagão, foi tomado como um princípio de tributos pelos reis da terra. Abraão fez uso dessa prática a quem de verdade era digno: o seu Deus!

Obviamente que esse princípio havia sido arrastado para esse meio pagão, como imitação dos princípios de ofertas ao Senhor, praticados desde o Éden, da mesma forma que acontecera com os pactos de sangue. Mais tarde, Deus incorpora o dízimo à Lei, para sustento dos sacerdotes, conforme podemos ver em várias passagens do Antigo Testamento, tendo o seu ponto mais conhecido em Malaquias 3.10.

No capítulo 5 de Hebreus, Jesus começa a ser apresentado mais contundentemente como nosso Sumo Sacerdote. Ele é um sacerdote diferente, pois não veio dos lombos de Levi, portanto, não poderia ser da mesma ordem! Nascido da Tribo de Judá, Ele se torna um Sacerdote Eterno, em uma nova ordem, a de Melquisedeque! Essa ordem não tem início e nem fim de dias!

Não se sabe quem foi Melquisedeque, exceto que era rei de Salém, conhecido como rei de justiça e paz! Acredita-se que ele era o filho mais novo de Noé: Sem! Mas isso não pode ser comprovado pela Bíblia!

Veja bem, ainda que não se saiba muito sobre essa personagem, o autor de Hebreus o confirma como autêntico rei de justiça e paz! É dessa ordem que Jesus se torna Sacerdote! Um sacerdote sem início ou fim de dias! Melquisedeque era apenas a figura daquele que viria para estabelecer essa ordem!

O versículo 6 faz reportagem ao livro de Salmos que fala profeticamente daquele que viria como sacerdote, segundo essa referida ordem! O versículo 10 diz que Deus chama Jesus de sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, e o versículo 20 do capítulo 6, nos diz que Ele se tornou nosso precursor, segundo essa mesma ordem!

Infelizmente, muitos que são contrários à prática do dízimo, sempre se apegam aos seguintes argumentos:

1. Era da Lei;
2. Abraão pagou por nós;
3. Era prática pagã;
4. Era dado em cereais e animais e não dinheiro… (nem vale à pena discutir isso aqui, pois é um teste à inteligência e paciência).
5. Não temos mais sacerdotes;
6. E, por aí, vai…

São muitos os argumentos que levantam para fechar tanto o próprio coração, quanto o dos outros, para com uma causa tão significativa! É claro que eu considero o dízimo uma prática muito medíocre, para quem acha que cumpriu o dever ao entregá-lo! Creio que devemos ser generosos bem mais que, simplesmente, com dízimos!

Mas, em se tratando dessa prática, que não veio da Lei, embora reconhecida e ordenada por ela… Faço uma chamada a que se considere:

Que Melquisedeque, sombra daquele que é o verdadeiro “De quem se testifica que vive…

Que era dado dízimos aos que morriam. Isso fala dos sacerdotes levíticos, mas… O texto continua, ao dizer: “Aqui se dá dízimos a quem se testificava que vive! Essa analogia com relação a Melquisedeque se devia ao fato de que não se sabia sua genealogia, seu nascimento ou sua morte, figura perfeita de um sacerdócio eterno!

Agora, vejamos, se Jesus é dessa ordem, a quem o grande patriarca deu dízimo, e essa ordem permanece para sempre, havemos de concluir que o dízimo permanece, segundo essa ordem!

Em Hebreus 7.12 diz que, mudando o sacerdócio, muda-se também a Lei! Nosso sacerdócio não vem da ordem de Levi, com isso não praticamos a Lei daquele sacerdócio, nem praticamos o dízimo conforme aquela ordem, mas isso não diz que abolimos a prática do dízimo! Na verdade, nunca pertencemos a nada que dizia respeito ao sacerdócio levítico! É verdade! Não temos sacerdotes segundo aquela ordem, mas temos um sacerdócio universal de todos os crentes e temos um Sumo Sacerdote, segundo essa nova ordem: Ele é Aquele de QUEM se testifica que vive.

A Lei mudava com a mudança de sacerdócio, mas nossa ordem não mudou, porque o nosso Sacerdote não mudou! Havia um testemunho sobre Melquisedeque, mas, na verdade, era o sacerdócio dele que era eterno, porque falava daquele que, verdadeiramente, poderia se dizer que vive. Há mudança na Lei, quando se muda o sacerdócio, mas a nossa ordem é eterna e, nessa ordem, o próprio possuidor das promessas deu o dízimo!

Se nossa ordem não mudou, pelo contrário, foi estabelecida, então, no mínimo, temos alegria em dizimar para a causa de nosso Pai! Não o fazemos como os levitas exigiam! Não o fazemos como quem dar por medo ou pensando que se torna ladrão em não dar! Não o damos pensando que estamos dando a homens e cremos que se eles errarem na administração, problema deles!

Se não confio na liderança, tenho muitas igrejas para visitar até escolher uma pra me fixar nela e servir em comunhão! Ninguém tem desculpa de não congregar porque alguém insatisfeito com o que chamam de estrutura, sistema ou instituição saiu e prega contra o ato de congregar! Eles estão fazendo comércio dos incautos, ou seja, falando contra os dízimos, mas tirando dinheiro com outros nomes! Não estou dizendo que os que recolhem o dízimo praticam uma forma de tirar dinheiro do povo, ainda que muitos deixem isso transparecer, estou dizendo que esses que conseguem fazer com que os irmãos abandonem suas congregações, estão fazendo bom proveito da avareza, sob o pretexto de estarem libertando pessoas simples da ‘meretriz’, como eles dizem sobre a Igreja! O pior é que muitos avarentos tiveram uma base para andar em sua ‘murrinhagem’, alimentando esses que fazem comércio deles com outros temas!

Que Deus nos livre dessa miséria e dessa heresia maldita que está ganhando campo no meio do povo de Deus! Se líderes estão errando, problema deles! Nem todos estão se aproveitando do povo ou pensando somente no dinheiro das pessoas. Incentivamos a serem generosos uns com os outros! Incentivamos a ofertarem conforme o que podem!

Teve uma pessoa que (nada inteligente) mandou-me ir contar o Real, porque não concordo com a avareza dele! Quem dera eu tivesse muito Real pra contar… (risos).

Não dependemos dos dízimos e nem controlamos quem dar ou quem não dar, na verdade nem sabemos quem o faz, pois isso é uma questão pessoal de generosidade de cada um, no seu particular com Deus! Enfatizo: uma pessoa não é maldita por não entregar o dízimo, pois já fomos abençoados e, outra coisa: não é o Senhor quem repreende o devorador! O devorador é um ou mais espíritos malignos. Jesus disse que nós expulsaríamos os demônios – qualquer um deles! Pelo texto bíblico, entende-se que há uma autoridade contra o devorador, na prática da generosidade. Entregar o dízimo é um reconhecimento do senhorio de Jesus e demonstração de dependência d’Ele. A Palavra diz: “Honra o Senhor com as primícias de toda a tua renda!”(Provérbios  3.9).

Quando somos generosos, mostramos confiança no Senhor e O honramos com nossas primícias! Primícias é a primeira parte que separamos de tudo quanto recebemos ou ganhamos. Quando eu ainda era um jovem, aprendi a separar o dízimo, logo que eu recebia qualquer valor e tirava as notas mais novas para o Senhor. Eu não pagava nada e nem a ninguém, antes de tirar o dízimo. Alguém pode dizer: isso não é legalismo e religiosidade? Bem, para mim não! Para mim é honrar ao Senhor, com as primícias e com o melhor. Que Deus conceda luz no entendimento de cada um, sobre essas verdades!

Que haja obediência e generosidade para com a obra d’Ele! Que Seus filhos usem de benevolência uns para com os outros, ofertando uns aos outros em amor!

2 COMENTÁRIOS

  1. Quero lhe parabenizar,pela preocupação de apresentar um trabalho voltando a esse assunto,com uma base sólida na palavra de Deus.
    Parabéns mestre.

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