O fundo do poço e a festa da volta

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por Godofredo Couto (Campina Grande-PB)
*Graduado na Escola de Ministros Rhema

Uma das mais lindas histórias que Jesus contou é a conhecida como “O filho pródigo”. Segundo o dicionário, a palavra “pródigo” significa aquele que dissipa seus bens, esbanjador. 

Na história contada por Jesus, um jovem pediu ao seu pai a parte de sua herança, ainda em vida. O pai, então, repartiu suas posses e deu ao filho o que lhe cabia. Logo em seguida, o jovem decidiu ir embora de casa para uma terra bem distante, onde gastou tudo o que possuía. Nada sobrou. 

Para complicar a sua vida, uma grande fome veio sobre aquele lugar. Ele ainda conseguiu trabalhar apascentando porcos, mas não podia comer nem as “bolotas” que eles comiam. O jovem chegou, literalmente, ao lugar conhecido por muita gente, pelos mais diversos motivos: o fundo do poço. 

Geralmente, o fundo do poço é também o lugar onde grande parte das pessoas caem em si, reconhecem a situação em que se encontram e lembram que ainda existe a opção, até então desprezada, de recorrer a Deus, o Pai. Assim aconteceu com aquele jovem, que se lembrou da comida servida em sua casa, que os servos de seu pai também comiam com abundância. 

Agora, ele estava ali, em uma vida miserável, morrendo de fome e cheio de desespero. Naquele momento, ele reconheceu todo o peso de sua atitude em ter abandonado o seu lar e de viver sem regras, sem limites, sem moral. Além de reconhecer o seu pecado, ele resolveu tomar uma atitude: voltar para a sua casa e pedir perdão por tudo o que fez, para que, pelo menos, se tornasse um dos servos de seu pai. 

Um dia, eu me encontrei como esse jovem. Vivi longe de Deus, o verdadeiro e perfeito Pai. Longe d’Ele, vivi em pecado, seguindo as regras do mundo. Apesar de não passar necessidades físicas e não ser uma pessoa desregrada, estava no fundo do poço, sem alegria e sem sentido na vida. Mesmo parecendo uma pessoa calma, serena e tranquila, eu tinha um vazio muito grande em minha alma. 

Lembro de ir, durante os intervalos do colégio, a uma igreja próxima, que ficava sempre aberta. Era um lugar muito amplo e, normalmente, tinha pouquíssimas pessoas ali. E lá eu questionava a Deus sobre quem eu era, o que estava fazendo neste mundo e para onde iria após a morte. Essas questões, a cada dia, se avolumavam em minha mente.

Eu resolvi, então, procurar o caminho da casa desse Pai. E Ele providenciou a oportunidade. Um amigo convidou-me para um culto. Ali, as grandes perguntas da minha alma foram respondidas. Naquele momento, reconheci a minha situação de perdido, arrependi-me, me entreguei a Ele. No pacote do novo nascimento, eu recebi a salvação, a paz, a verdadeira alegria e experimentei o grande amor de Deus. 

O mais interessante é que o amor de um pai verdadeiro é incondicional. Por mais que o filho tenha pecado, esse pai não o rejeita. Jesus contou que o pai do filho pródigo o avistou de longe, provavelmente, porque sempre aguardava a sua volta. Com emoção, imagino que o seu coração palpitou ao ver o filho retornar, pois Jesus disse que ele ficou cheio de íntima compaixão. O pai correu ao encontro do jovem, o abraçou e o beijou. 

Imagine o mau cheiro da sujeira em que o seu filho se encontrava! Mas, para aquele pai, nada disso importava. Ele, logo, chamou seus servos para que providenciassem a melhor roupa, sandálias e um anel. Além disso, mandou matar um bezerro e fazer uma grande festa. Mas e tudo o que o filho fez de errado? Foi para o mar do esquecimento. Segundo o próprio pai, o que importava era que aquele filho estava perdido e foi achado, estava morto e reviveu.

Acredito que Deus me recebeu com o mesmo tipo de festa. Ele me deu novas roupas, vestes de alegria, um anel de autoridade em Jesus e calçou os meus pés com o Evangelho da Paz. No capítulo 15 de Lucas, que também apresenta a história contada por Jesus, tem um versículo que fala sobre essa festa de alegria que acontece no céu. Veja:

“Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 5.17).

Com certeza, o Pai e os anjos celebram a chegada daqueles que estavam sujos e foram lavados pelo sangue do Cordeiro, daqueles que estavam mortos e reviveram. Aleluia!

Como o nosso Deus é amoroso! Na verdade, Ele é o próprio amor. Acredito que, assim como o pai dessa história, Ele também fica esperando, de braços abertos, com excelente expectativa, todos aqueles que estão longe, para que voltem à casa do Pai algum dia. E, quando isso acontecer, Ele mesmo se encarrega de preparar uma excelente recepção de amor.

É esse nível de amor que devemos ter para com os perdidos. Independentemente, de sua condição de sujeira, de caráter, de distanciamento de Deus, devemos amá-los, incondicionalmente, com íntima compaixão. Ao voltarem para casa, devemos recebê-los com uma grande festa, pois, acima de tudo, sabemos bem o custo, o preço pago por aqueles que passaram da morte para a vida. 

 

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