O Vício da Justificativa

2
1549

paulopimenta-280x420Paulo Pimenta

Pastor da Igreja Verbo da Vida em Montes Claros-MG

“E Deus perguntou: “Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu do fruto da árvore da qual lhe proibi comer? Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi” (Gênesis 3.11-12)

A justificativa é um vício tão recorrente e nocivo quanto o vício de sempre atribuir culpa de tudo a alguém. Como já escrevi em outro texto (O Vício de Culpar Alguém), falo hoje sobre o seu contraponto: o vício da justificativa.

A sociedade moderna está cada vez mais egoísta, hedonista e antropocêntrica. Portanto, estamos cada vez mais estimulados a soltar a nossa voz e justificar nossas atitudes. O pensamento da psicologia moderna joga a culpa de quase tudo na criação pelos nossos pais, escola, amigos, ciclo social, dinheiro. Tudo isso nos influencia a viver dando desculpas sobre tudo.

Existe um tipo de pessoa que nunca erra, já perceberam? E, caso cometa algum erro, sempre vai ter uma justificativa – boa ou ruim – prontinha, para uma eventual correção ou confronto. O caso de Adão (e Eva, que se justifica por ter sido enganada pela serpente) infelizmente não é nada raro. Na Bíblia e em nossa vida cotidiana vemos esse tipo de pessoa constantemente. Mas qual a origem do vício em se desculpar? Qual a motivação, e quais os males para a sociedade e, principalmente, para a própria pessoa viciada?

Primeiramente, essa “justificativa” não justifica ninguém! O que existe é uma falsa sensação de justiça, de “eu não errei”. Veja que, apesar da resposta de Adão, ele não conseguiu se safar impune ao episódio da desobediência. É simplesmente uma desculpa, porém ela vem carregada, subliminarmente, de um pecado terrível: a soberba.

A Bíblia nos ensina em 1 João 2:16 que a soberba da vida não provém do Pai, e sim do mundo. Essa soberba estava presente no casal de Gênesis, pois comeram do fruto com a pretensão de obter entendimento e ser igual a Deus. Sendo assim, ainda motivados com essa soberba, deram as respostas evasivas (e tolas) para o onisciente Deus.

E por que digo que é a soberba? Digo porque o soberbo – a quem o Senhor resiste – é incapaz de admitir um erro. É incapaz de dizer que falhou, ou que pecou, ou que podia fazer melhor. O soberbo é incapaz de se derramar e, de coração puro, simplesmente pedir perdão pelo erro. Ele pode até admitir que errou, principalmente quando o erro é óbvio e descoberto aos olhos de todos, mas ele jamais vai se sentir culpado pelo erro ou atitude. Sua desculpa é carregada com certa dose de “qualquer um no meu lugar faria a mesma coisa”, e até um “eu faria de novo”. Na verdade, na maioria dos casos, o soberbo não consegue sequer enxergar que errou.

Esse tipo de comportamento se torna ainda mais nocivo dentro da igreja. Quem sempre tem uma justificativa tem muita dificuldade de ser pastoreado. Como poderá o pastor corrigir uma ovelha que nunca acha que erra? E como essa ovelha poderá desenvolver qualquer função dentro do corpo? Quem não erra não admite ser corrigido, portanto permanece carnal e criança na fé, cometendo sempre os mesmos erros.

Existem, claro, os casos mais leves, de pessoas que se desculpam rapidamente quando confrontadas, mas acabam posteriormente aceitando a correção (embora nunca falem) e melhorando. Menos mal, mas ainda assim complicado. Se você tem mania de se desculpar e sempre revida com uma justificativa a quem lhe confronta, você acabará desencorajando seu líder ou pastor a lhe corrigir. E não há crescimento sem confronto e correção!

O Senhor nos perdoou de todas as nossas faltas, sim, mas precisamos nos arrepender! Não existe arrependimento quando existe justificativa! Na minha opinião, o pecado de Davi foi muito maior que o de Saul, pois Davi usou a posição dada por Deus para enviar um homem à morte e ficar com sua mulher, enquanto Saul apenas não quis desperdiçar espólios de guerra. A diferença é que Davi se rendeu e se humilhou diante da correção trazida pelo profeta, enquanto Saul, cheio de soberba, não se arrependeu.

Ainda que sejamos talvez um produto do meio em que nascemos e nos criamos, podemos mudar isso com a nova vida em Cristo! Afinal, o que significa ser uma Nova Criação? O que significa “as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo?” Significa que, não importa por que você seja assim ou assado, importa que, em Cristo, você tem uma nova chance! Afaste-se desse vício de achar uma desculpa para tudo, e aceite toda correção que vier da parte do Senhor para seu crescimento!

2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente reflexão! Essa geração é incrédula e perversa, segundo descreve o Senhor Jesus. Podemos realmente acrescentar hedonista, triunfalista e exclusivista.
    E nossa salvação sempre será submissão a Deus e à sua Palavra. A sinceridade sempre irá funcionar!
    Marcia Silva – Brasília DF.

DEIXE UMA RESPOSTA