Por que devemos dar o dízimo?

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por Gabriell Stevenson
(Graduado pela Escola de Ministros Rhema)

“Dízimo não é coisa da Lei? Ainda devemos dar os dízimos?” Esse é o questionamento mais comum do que muitos imaginam. Muitos cristãos possuem uma dúvida sincera quanto a isso.

E o fato de alguns desses não terem suas dúvidas sanadas, os leva a desequilíbrios doutrinários: enquanto uns apoiam-se na Lei Mosaica, outros se tornam assíduos críticos da prática de dar os dízimos.

Mas, o único modo de estabelecermos a verdade bíblica quanto aos dízimos na Nova Aliança é através de uma investigação sincera e sem malabarismos daquilo que as Escrituras nos revelam.

Em primeiro lugar, sabemos que na época dos patriarcas, antes de Moisés, a entrega dos dízimos não era uma obrigação, mas um ato totalmente voluntário. Abrão entregou o dízimo a Deus de forma livre e por escolha própria (Gênesis 14.14-20). Jacó fez o mesmo (Gênesis 28.22).

Apenas quando Deus entregou a Lei a Moisés, é que ele instituiu os dízimos em Israel como um mandamento (Levíticos 27.30,34) a fim de serem usados de formas específicas:

1 – Mantimento dos levitas (Números 18.21,24; 2 Crônicas 31.4-6; Neemias 10.37-39)
2 – Para ajudar os necessitados (Deuteronômio 14.28,29; 26.12,13)
3 – Para que houvesse mantimento no templo (Malaquias 3.10)
4 – Ser usado para festividades (Deuteronômio 12.5-7,17,18; 14.22-26)

Na Nova Aliança, porém, não estamos mais debaixo da Lei Mosaica (Gálatas 3.24-26; 4.1-6; Hebreus 7.18que pedia/cobrava do povo de Israel os dízimos para a tribo de Levi (Levíticos 27.30,34; Malaquias 3.8,9).

Por outro lado, sabemos que tudo que há no Antigo Testamento – incluindo os mandamentos sobre os dízimos – foi escrito para o nosso aprendizado (Romanos 15.4). Por isso, ao longo da história cristã, os dízimos continuaram a ser recolhidos. E ainda hoje essa prática continua como uma forma de honrarmos e agradecermos a Deus por tudo que Ele nos tem feito – assim como Abrão e Jacó fizeram (Gênesis 14.14-20; 28.22).

Mas, como dito no início, precisamos ser sinceros e totalmente transparentes a respeito do fato de que nem no livro de Atos, nem nas epístolas vemos uma clara ordenança por meio de algum mandamento de que os dízimos devem ser cobrados à Igreja assim como era feito na Lei Mosaica.

Quanto aos Evangelhos, encontramos apenas duas passagens: (Mateus 23.23 e Lucas 11.42. Ambas, porém, estão incluídas em contextos de grande exortação ao povo de Israel (Mateus 23.1-39; Lucas 11.29-52).

É claro que essas passagens nos servem de aprendizado; e não apenas elas, mas todo o contexto na qual estão inseridas. Contudo, repito: Nessas passagens, Jesus não ensinou claramente que os cristãos deveriam, por meio de algum mandamento, dar o dízimo.

O objetivo de Cristo foi revelar a falta de caráter existente entre os Mestres da Lei e os escribas, assim como trazer à tona a desobediência dos mesmos a muitas coisas que a Lei dizia.

Então, por qual motivo se dá o dízimo ainda hoje? Essa é a grande questão. E aqui vão os motivos bíblicos para a continuidade da prática dos dízimos nas igrejas:

1 – Reconhecemos que o que foi registrado nas Escrituras deve servir para nós como aprendizado (Romanos 15.4); como já foi dito.

2 – Reconhecemos que dizimar, mesmo sem a Lei Mosaica, se constitui um princípio de sabedoria e uma forma de honrarmos e agradecermos ao Senhor por tudo que Ele nos tem feito (Gênesis 14.14-20; 28.22; Provérbios 3.9).

3 – Reconhecemos que Hebreus 7 indica claramente que, mesmo não sendo da tribo de Levi, Melquisedeque, que representava o Filho de Deus (Hebreus 7.3), recebeu o dízimo voluntário de Abrão (Hebreus 7.4). Assim, por meio de Abrão, a própria tribo de Levi, de onde Deus ordenou os sacerdotes de Israel, entregou o dízimo a outro sacerdócio (Hebreus 7.9-10) que é superior ao levítico (Hebreus 7.7,11) e do qual Cristo é participante eternamente (Hebreus 7.3,8-10, 17, 24). Portanto, o próprio Cristo recebeu os dízimos de Abrão e de Levi através do sacerdócio real de Melquisedeque (Hebreus 7.8-10).

4 – Reconhecemos que, se o sacerdócio real de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque é eterno, então Cristo ainda recebe os dízimos, assim como recebeu os de Abrão e Levi (Hebreus 7.8-10).

5 – Reconhecemos que a Igreja é o Corpo de Cristo (1 Coríntios 12.27) e Templo de Deus ( 2 Coríntios 6.16; 2.22), participantes do sacerdócio real e eterno de Cristo (I Pedro 2.5,9; Apocalipse 5.10), nosso sumo sacerdote (Hebreus 8.1,2). Por isso, a Igreja recebe os dízimos daqueles que, assim como Abrão, desejam voluntariamente honrar e demonstrar sua gratidão ao Senhor. E, assim como os dízimos eram usados para mantimento no Templo de Israel (Malaquias 3.10), também devem ser usado com o mesmo propósito na Igreja.

6 – Reconhecemos que o mantimento nas igrejas locais através dos dízimos, assim como foi na Velha Aliança (Deuteronômio 14.28,29; 26.12,13), deve servir para ajudar os necessitados (2 Coríntios 9.9; Tiago 1.27; 2.15,16).

7 – Reconhecemos que o mesmo mantimento deve ser usado para manter e recompensar homens e mulheres de Deus, que assim como os levitas (2 Crônicas 31.4-6), têm se dedicado ao Senhor (1 Coríntios 9.6-14; 2 Coríntios 11.8,9; Gálatas 6.6; 1 Timóteo 5.17,18) – sendo que até eles devem ser incentivados a entregarem os seus dízimos com um coração voluntário, generoso e alegre.

8 – Reconhecemos que as ofertas são usadas em conjunto com os dízimos para que haja mantimento nas igrejas (2 Coríntios 9.6,7 e 12) e para que aqueles que se dedicam ao Senhor sejam mantidos (Filipenses 4.15-19), além de poderem livremente ser usados para outros propósitos no Reino de Deus.

9 – Reconhecemos que os dízimos da Nova Aliança não devem ser cobrados como ocorria durante o sacerdócio levítico (Levítico 27.30,34; Malaquias 3.8,9) – pois estamos em outro sacerdócio – mas deve ser estimulado a ser entregue voluntariamente, como expressão de honra e gratidão, como Abrão fez (Gênesis 14.14-20).

10 – Reconhecemos que assim como o sacerdócio levítico separava uma oferta alçada ao Senhor dentre os dízimos, chamada de dízimo dos dízimos (Números 18.26), é lícito que separemos o dízimo dos dízimos e os enviemos à sede nacional ou mundial do Ministério. Lá, geralmente se concentram questões administrativas que dizem respeito a todas as igrejas locais. Também é onde se discute o futuro da denominação. E é de onde partem direções específicas para todo o ministério. 

11 – Reconhecemos, por fim, que cada denominação eclesiástica possui o seu modo de administrar os dízimos de forma inspirada pelos textos bíblicos.

 

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