Por que você está fazendo o que você está fazendo para Deus?

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por Diego Eloi
(Professor do Centro de Treinamento Bílico Rhema)

Algo que tem se tornado bem comum nas igrejas é a religiosidade. Religiosidade essa que outrora fora muito criticada em um passado recente. Na nossa realidade, muitas pessoas têm vindo às igreja evangélicas apenas para assistir aos cultos. Já sabemos, de um exemplo famoso dos livros do irmão Hagin, que, assim como morarmos em uma garagem não faz de nós um carro, o fato de simplesmente irmos à igreja não faz de nós cristãos sinceros!

A Bíblia nos fala de maneira direta a sermos praticantes da Palavra e não somente ouvintes:

“Sede praticantes da Palavra e não simplesmente ouvintes, iludindo a vós mesmos.  Porquanto, se alguém é ouvinte da Palavra e não praticante, é semelhante a um homem que contempla o próprio rosto no espelho;  e, depois de admirar a si mesmo, sai e logo se esquece da sua aparência.  Porém, a pessoa que observa atentamente a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas praticante zeloso, será muito feliz em tudo o que empreender” (Tiago 1.22-25 – (KJA))

Muitas pessoas, vão à igreja no domingo simplesmente para ficar com a consciência “menos pesada”, já que não se lembraram tanto de Deus durante a semana e, então, vão dedicar duas horas das suas preciosas vidas para estar com o Senhor. Às vezes, temos o pensamento errado de que, apenas porque estamos adorando ao Senhor de forma livre, podemos fazê-lo de qualquer jeito. Para nossa surpresa ou não, não é assim que Deus pensa! Gostaria aqui de manter um equilíbrio e dizer que não estou afirmando que devemos “morar dentro da igreja” por assim dizer, a nossa frequência é importante, assim como o congregar é vital para nós cristãos, mas nosso relacionamento com Ele é mais importante que nossa frequência, ou seja, mesmo em dias nos quais não há cultos em nossa igreja local, podemos buscá-Lo e adorá-Lo do mesmo jeito, pois a essência do Cristianismo é ter um relacionamento sincero com Ele.

Pergunto, então, por que estamos fazendo o que estamos fazendo? Para servi-Lo ou para ser visto? Quando pensamos em agir corretamente será que estamos realmente nos importando com o que Deus pensa ou apenas com o que os outros vão pensar? De fato, existem atitudes que podem soar como boas se olharmos de maneira natural, mas como será que o nosso Senhor recebe isso? Vejamos aqui um exemplo:

“Então José, um levita natural de Chipre, a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé, que significa “filho da consolação”,  sendo proprietário de um campo, vendendo-o, trouxe o dinheiro da venda e o colocou junto aos pés dos apóstolos” (Atos 4.36-37 – (KJA))

“Entrementes, um certo homem chamado Ananias, com sua esposa Safira, também vendeu uma propriedade.  Mas ele reteve parte do dinheiro da venda para si, tendo conhecimento disso também sua esposa. Ele levou a parte restante e a depositou aos pés dos apóstolos.  Então, indagou-lhe Pedro: “Ananias, por que permitistes que Satanás encheste o teu coração, induzindo-te a mentir ao Espírito Santo para que ficasses com parte do valor do terreno?  Mantendo-o contigo, porventura não continuaria teu? E vendido, não estaria todo o dinheiro em teu poder? Como pudestes permitir que tais ideias dominassem tua vontade? . Ao ouvir esta admoestação, Ananias caiu morto. Então, grande temor tomou conta de todos os que souberam do que havia acontecido” (Atos 5.1 -5 – (KJA))

Temos aqui duas situações que, aos olhos das pessoas, poderiam parecer equivalentes, mas não aos olhos de Deus! José vendeu um campo e depositou o dinheiro do campo aos pés dos apóstolos, ele o deu de todo o seu coração. Semelhantemente, Ananias e Safira venderam um campo e puseram o dinheiro da venda do campo aos pés dos apóstolos, porém, eles retiveram parte do valor do terreno para eles.

Perceba que Deus sempre soube que eles retiveram um valor, mas os homens não tinham como saber a princípio dessa informação! Não estou aqui dizendo que o erro do casal foi não ter dado tudo o que tinham, pois Pedro foi claro ao dizer: “Mantendo-o contigo, porventura não continuaria teu? E vendido, não estaria todo o dinheiro em teu poder?”, ou seja, o problema de Deus não era a quantidade de dinheiro, mas o MODO como foi feito.

José entregou de livre e espontânea vontade, com liberalidade, mas não podemos dizer o mesmo de Ananias e Safira. Pergunto: o dinheiro, para a igreja, serviria sendo dado de coração ou não? Sim! Mas, não serviria para os que estavam na posição de dá-lo! Do mesmo modo hoje funciona conosco com relação aos nossos dízimos e ofertas, assim como a viúva pobre, a qual deu em menor quantidade, mas de coração, e, para Deus, soou como que “deu mais”. Isso porque como entregamos as ofertas para Deus é importante.

Do mesmo modo, precisamos prestar atenção se não estamos apenas indo à igreja por ir, porque é um costume ou uma maneira de barganhar coisas com Deus. Ele conhece todas as coisas e sonda os nossos corações! O MODO como fazemos algo para Deus faz diferença! Deus não faz acepção de pessoas, mas põe atenção nas nossas atitudes, em COMO fazemos o que estamos fazendo. Jesus falou algo sobre isso:

“Guardai-vos de fazer a vossa caridade e obras de justiça diante dos homens, com o fim de serem vistos por eles; caso contrário, não tereis qualquer recompensa do vosso Pai que está nos céus.  Por essa razão, quando deres um donativo, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão.  Tu, porém, quando deres uma esmola ou ajuda, não deixes tua mão esquerda saber o que faz a direita. Para que a tua obra de caridade fique em secreto: e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6.1-4 – (KJA) )

O capítulo 6 do Evangelho de Mateus possui alguns exemplos semelhantes ao descrito acima. Todos eles baseiam-se no mesmo sentido: não fazer algo para Deus com a necessidade de sermos vistos pelos homens e ainda: quem faz estas coisas já recebeu o seu galardão o qual é a atenção dos homens, assim como seus aplausos. O desejo de Deus é que O busquemos de maneira sincera, com a motivação correta, independente de como os homens nos vejam. Algumas atitudes nossas, naturalmente falando, podem parecer loucas, mas podem também agradar ao Senhor e a nós nos importa agradar a Deus e não aos homens!

Muitos cristãos têm deixado de congregar ou estar na igreja por não ver a Palavra de Deus se cumprindo na sua vida. Há algum problema com a Palavra? Evidentemente não! Se há algum problema, não é com a Palavra de Deus! Quase que certamente você conhece alguém ou ouviu falar de alguém que está decepcionado com a Bíblia por ver apenas o cumprimento das promessas em um determinado grupo de pessoas. Queria te dizer que Deus quer se mostrar real para você e se manifestar a você, independente de você estar no púlpito, Deus quer te alcançar!

Porém, Deus não trabalha de “qualquer jeito” e, talvez não estamos conseguindo algo de Deus porque estamos fazendo tudo de qualquer jeito. Lembro sempre do que Deus disse a Caim depois de não ter recebido bem nem a ele nem a sua oferta: “se procederes bem, não é certo que serás aceito?”. É certo que, se agirmos corretamente, receberemos o que a Bíblia diz que receberemos!

Acredito ser importante refletirmos sobre como e porquê estamos fazendo o que estamos fazendo para Deus. O modo e a intenção do nosso coração importam para Ele, e se agirmos corretamente, receberemos Dele. Creio que o próprio Deus tem nos levado a refletir sobre isso para melhorarmos nosso relacionamento com Ele e Ele possa nos fazer prosperar em todas as áreas.

Será que não estamos no culto apenas de corpo presente, mas nossa cabeça está decidindo para onde e com quem sairemos ao final? Ou mesmo orando em nosso quarto e listando em nossa cabeça as contas que precisamos agendar ou pagar e como faremos? E quanto ao ler, estamos lendo a Bíblia como um texto secular, ou buscando compreender a Palavra, falando com o Espírito para nos revelar o que está escrito? Deus não deseja ser procurado apenas quando precisamos de algo.

O que você pensaria de alguém que só procura você porque quando precisa de algo, mas não se importa realmente com você? Se nós conseguimos perceber estas coisas, imagine o Senhor que sonda os nossos corações.

Não digo isto sendo perfeito, totalmente maduro nestas coisas. Os erros citados no início deste parágrafo como perguntas são alguns dos que já cometi e posso vir a cometer, mas sei que Deus tem sido paciente conosco e deseja nos ver crescendo nessa área, por isso me inspirou a escrever sobre isso. Que possamos ir aos cultos porque desejamos estar e aprender mais com Ele, e não para cumprir qualquer tipo de escala. Que estejamos em nossas igrejas totalmente entregues ao Seu Espírito não apenas para receber, mas dispostos a fazer o que Ele quer que façamos.

Quando isso ocorrer e fizermos as coisas para Ele de maneira correta, vamos começar a ver grandes coisas acontecendo em nossas vidas!

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