Somos agentes de saúde na Terra

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Por Lenise Freitas
(Líder do Ministério Graça e Verdade e membro da Igreja Verbo da Vida em Pedra de Guaratiba-RJ)

Dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate a AIDS. A data foi estabelecida pela OMS com objetivo de alertar a sociedade sobre essa a doença.

A Igreja de Cristo é chamada para ser um agente de saúde na Terra. Cremos em cura e saúde divina. Cremos em princípios espirituais e em princípios naturais também. “O natural e o sobrenatural juntos, geram uma força explosiva para Deus (Kenneth E. Hagin)”. Cremos na prevenção. Cremos em médicos sendo inspirados e usados por Deus. Cremos no poder da fé que opera pelo amor. Cremos no amor, na compaixão. Cremos em um amor que não julga e que abraça a todos. Precisamos andar neste amor!

Quero compartilhar hoje, para nossa reflexão, o depoimento de um amigo muito querido. Ele prefere não se identificar nesse momento. Então vou chama-lo de “X”. Sabemos que Deus não coloca doenças em ninguém. Mas, quando permitimos, Ele faz com que todas as coisas cooperem para o nosso bem. Tenho aprendido tanto com X! Conhecê-lo tem me tornado um ser humano melhor, uma cristã melhor.

“Tenho 32 anos. Sou cristão, membro ativo de uma igreja no Nordeste do Brasil. Estou solteiro, estudo e  trabalho.  Há 10 anos fui diagnosticado com HIV. Minha história após a descoberta, como inúmeros casos não foi nada fácil. Mas, compartilhá-la aqui é uma tentativa de romper com o ciclo de ignorância e preconceito em torno da questão, principalmente no meio cristão  

O número de pessoas que vivem com HIV/AIDS, e outro tanto que convivem, não é um número que  possa ser ignorado pela igreja. Talvez, você tenha pouca ou nenhuma familiaridade com o tema. Não se preocupe, na maioria das vezes é assim. Mas,  não precisa continuar sendo…

Minha história é cheia de detalhes, vou resumi-la para vocês. Sou de uma família de líderes cristãos. O caçula de três filhos homens. Passamos  por um período bem complicado quando meu irmão mais velho ficou gravemente doente. Não sabíamos o que ele tinha na época, ele morava em outra cidade e minha mãe foi visitá-lo. Não demorou muito ele precisou ser internado com suspeita de um câncer que é frequente em pessoas com infecções autoimunes.

Foi nesse período que uma série de acontecimentos como ondas me atingiram. O médico aconselhou que todos da minha casa fizessem o teste de HIV/AIDS. Ao fazê-lo, descobri minha sorologia.

 Sai do posto onde fiz o teste com a sensação de ter um tsunami dentro de mim, nenhum chão sobre meus pés. Fiquei desnorteado andando pelas ruas, e decidi represar tudo que estava me acontecendo. Sou muito próximo a minha mãe, e por isso mesmo decidi não participar nada a ninguém. Afinal, minha família já estava sofrendo muito com a condição do meu irmão, que em poucos dias veio a falecer.

A dor da perda foi grande. Foi quando a represa de sentimentos rompeu. Eu que já vivia conflitos na minha sexualidade, e na tentativa de lidar com tudo adotei a identidade gay como bote salva-vidas.  Para me tirar daquela dor e sofrimento, vivi um bom tempo no estado de negação, buscando no sexo e prazeres o analgésico para o que eu estava vivendo. Às vezes no meio gay, as pessoas aceitam com mais empatia um infectado com HIV. Mas a conta  por eu ter fugido de Deus chegou, e após o término de relacionamento comecei a entrar num quadro depressivo.

Foi em meio a essa crise toda que fiz uma oração a Deus mais ou menos assim: – Tentei ser cristão lidando com meus conflitos e não consegui, tentei viver a vida gay e também não consegui. Não sei o que tens para mim. Mas eu tentarei pela última vez. Estás me ouvindo?  Se não podes fazer nada por mim,  eu não sei pra onde vou, eu sumo. Podes me ouvir?

Isso foi no dia primeiro de 2014. De lá pra cá, decidi enfrentar todos meus temores e tenho sido restaurado em minha identidade como filho de Deus. Assumi o tratamento. E  há algum tempo, estou com a carga viral indetectável. Mesmo assim, encontro preconceito e despreparo na igreja. No lugar onde eu deveria me sentir  mais seguro, ainda prefiro muitas vezes me retrair e esconder a minha história.

Hoje, me debruçando sobre as questões da sexualidade tenho visto o quão omissa e negligente a igreja pode ser  em acolher, tratar e investir em pessoas que são Cristãos + (soropositivos). Como poderíamos  trazer mais esperança através das boas novas do evangelho! Como poderíamos lidar de forma diferente com um  cristão + dentro de nossas igrejas. Será que conhecer cristãos +, ouvir suas histórias não abençoaria a igreja? O quanto temos deixado de aprender, de crescer? O quanto temos deixado de ensinar, de abençoar? Quantos de nós, conhecemos cristãos + ordenados no  ministério? Será que Deus não tem chamado cristão +  para pastores? Missionário, evangelistas, mestres?

É preciso romper com todas as barreiras e reivindicar as vidas que tem sido entregues a tantos movimentos mundanos, que parecem estar mais dispostos que a igreja, para lutar por elas.  Às vezes vivemos como se o sacrifício de Cristo não fosse para todos. Como se em nossas igrejas não houvesse lugar para elas.

Jesus convidou os improváveis para o banquete, investiu na vida deles. (Mt:22:1-14). Comecemos hoje, eu e você, a convidar  e investir naqueles  que Jesus deseja que tenham  lugar a mesa. Sejam os que vivem bem,  ou os que convivem com os sintomas HIV/AIDS. E não somente esses mais tantos outros que precisam da Graça de um Deus de amor.”

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