Traga a memória o que lhe dá esperança

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por Luana Moura
(Graduada do Centro de Treinamento Bíblico Rhema)

“Lembra-te da minha aflição e do meu pranto, do absinto e do veneno. Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim”. (Lamentações 3.19-20)

O livro de lamentações foi escrito em um período em que Jerusalém tinha sido assolada, destruída pelo rei Nabucodonosor em 586 a.C., quando lemos o capítulo 3 (os versículos 1 ao 20), podemos observar que o autor narra as suas tristezas, a realidade cruel e o desespero que ele e aquele povo estavam vivenciando. Vale lembrar que eles estavam em uma aliança diferente da que hoje estamos inseridos.

A antiga aliança era uma “sombra” da nova. O caráter de Deus ainda não tinha sido revelado através da pessoa de Jesus, por isso, em várias passagens da Bíblia no Antigo Testamento, vemos Deus ser “culpado” por acontecimentos que na verdade são consequências da desobediência de um determinado povo ou da atitude errada de alguma pessoa em particular. No caso de Jerusalém, o Senhor já havia alertado aquele povo sobre os seus pecados, mas o povo não se arrependeu ao longo do tempo, sofrendo assim as consequências de sua desobediência.

“Minha alma, continuamente, os recorda e se abate dentro de mim”. (Lamentações 3.20)

Ao lermos esse versículo percebemos claramente que o autor, ao se recordar de tudo que estava sofrendo, fazia com que sua alma ficasse cada vez mais entristecida.
O homem é um ser de natureza tríplice. Somos um espírito, que habita em um corpo e possui uma alma. O espírito é o nosso homem interior, quando aceitamos a Jesus ele foi transformado. O corpo é a casa que habitamos. E a alma é o intelecto do homem, é onde estão os sentimentos e pensamentos humanos.

É de interesse de satanás tentar controlar o que se passa em nossas mentes. Os nossos pensamentos são alimentados pelo que vemos, ouvimos ou sentimos. O objetivo do inimigo é tentar nos desmotivar para assim, paralisar as nossas ações ou nos motivar ao erro.

Em Romanos 8.14, Paulo afirma: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”.

Nós que somos filhos de Deus temos que ser guiados pelo Espírito e não por nossa alma, sentimentos ou circunstâncias que estamos vivendo. Ao lembrarmo-nos de coisas erradas, ou que nos fazem mal, estamos dando combustível a alma para que ela possa nos dominar.

No nosso dia-a-dia nos esquecemos de coisas simples, como por exemplo, onde colocamos uma chave, ou um pertence qualquer, ou até mesmo nos esquecemos de coisas importantes, como um exame médico, uma consulta com o dentista, o aniversário de alguém que é muito importante para nós. Porém, temos tendência a lembrar o mal que sofremos há dias ou até mesmo anos atrás ou, de algo que desejamos, mas que ainda não se materializou. Lembramo-nos da ingratidão de alguém, da desonra que sofremos, por exemplo, quando na verdade são essas coisas que nós deveríamos esquecer.

A realidade é que nos lembramos do que deveríamos esquecer e, nos esquecemos daquilo que deveríamos lembrar.

“Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento”. (Filipenses 4.8)

Paulo nos instrui acerca de que tipo de coisas devem ocupar os nossos pensamentos, esse versículo nos ensina a pensar no que há de melhor,pois, assim estaremos alimentando de forma positiva a nossa alma.

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a Sua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele. Bom é o SENHOR para os que esperam por ele, para a alma que o busca. Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio”. (Lamentações 3.21-26)

No versículo 21, o autor expressa um desejo: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”. Após declarar querer pensar naquilo que o edificaria e traria para si esperança, ele começa a ter um vislumbre do verdadeiro caráter de Deus. Perceba que ao decidir se lembrar de coisas boas, o escritor do livro de Lamentações muda nos versículos seguintes totalmente a percepção das coisas à sua volta e, começa a se lembrar das misericórdias e da bondade do Senhor.

Assim somos nós, quando mudamos a nossa maneira de pensar começamos a ter uma nova ótica das coisas e passamos a perceber quem Deus é (Ele é bom) e quem somos Nele (somos filhos).

Se unirmos a declaração do autor de Lamentações (Lm 3.21), com a instrução de Paulo (Fp 4.8), podemos concluir que devemos ocupar os nossos pensamentos com coisas que edificam e trazem louvor a Deus, trazendo a memória apenas as boas lembranças, somente elas. Somado a isso devemos alimentar a nossa mente com a Palavra de Deus, para que no momento da dificuldade a Palavra esteja arraigada em nós ao ponto de expulsar qualquer tentativa do diabo em contaminar os nossos pensamentos.

Não devemos nos lamentar pelo nosso passado, ou nos angustiar com o futuro, devemos nos manter confiantes que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. (Rm 8.28). Ao olharmos apenas para o problema, passamos a não enxergar toda beleza à nossa volta. Quando focamos o nosso olhar no que há de ruim nas circunstâncias, é inevitável a nossa alma não se abater, mas quando olhamos para o autor e consumador da nossa fé (Jesus), a nossa alma se enche de esperança e fé, nos motivando a prosseguir até que a circunstancia mude, pois só a fé pode mudá-la.

Devemos colocar os nossos olhos em Deus!

3 COMENTÁRIOS

  1. Jesus é lindo!
    Temos acesso a uma enorme variedades de bíblias… ministrações… enfim temos a Palavra em nós também, embora existem momentos que nos esquecemos de certas verdades biblicas devido a nossa atenção está no problema. Mas aí vem essa mulher de Deus e nos faz lembrar quem verdadeiramente somos e isso é simplesmente maravilhoso! Obrigada Lú

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