Bullying na igreja?

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por Cíntia Angra (Vitória – ES)
*Graduada no Centro de Treinamento Bíblico Rhema

Você já sofreu pressões, rejeições, acusações ou perseguições por algo que faz parte de quem você é? Talvez, tenha ouvido piadas sobre seu peso, personalidade, espinhas, cor da pele, risada diferente, intelectualidade, altura ou cabelo fora do “padrão”… coisas simples que fazem ou fizeram parte da sua vida, mesmo que você não tenha escolhido ter essas características. Se passou por isso, saiba que você foi uma entre milhões de pessoas vítimas de bullying. Só quem já passou por isso sabe a dor que sentiu, contudo precisamos falar da melhor arma de defesa para este tipo de confronto.

Perto de completar um mês, o massacre de Suzano (SP) – no qual, dez pessoas morreram, incluindo os assassinos – teve como uma das explicações o bullying sofrido pelo adolescente/atirador, sendo este o motivo que o levou a sair da escola. Não espere que vá defender a atitude/reação dele. Não! Matar nunca será a resposta ou solução para nada. Mas, isto me levou a uma pergunta: “Alguém o defendeu enquanto sofria ataques emocionais?” Talvez sim, talvez não. Mas, certamente a principal arma desse adolescente estava em seu coração. Estou falando de uma bomba de dor que explodiria a qualquer momento e… explodiu, chocando nossa nação.

Deixa eu afirmar uma coisa com a força de quem já passou por isso: O BULLYING DÓI. Além disso, temos que levar em consideração que, em pelo menos 90% dos casos, as pessoas que ouvem as piadas ou são perseguidas não fizeram nada para serem baixas, magras, ter a cor da pele que têm ou nunca pediram para ter espinhas… Essas são características que fazem parte de suas vida. O que pode ser feito então? A solução é armá-las de uma outra maneira.

Você sabia que nem todas as armas são para ataque? Algumas são de defesa e são muito eficazes. O escudo é uma delas. Em um confronto, enquanto um inimigo está atacando, uma pessoa não será ferida se seu escudo for bom. É exatamente disso que precisamos lembrar quando o assunto envolver emoções.

Meu filho tem três anos e certa vez me irritou. Como não xingo, na hora de falar duro com ele eu acabei falando: “Não faça isso seu feio”. Então, ele olhou firme para mim, cruzou os braços e respondeu: “Eu não sou feio. Eu sou lindo!”. O que quero demonstrar com isso: ele não recebeu a ofensa, ele se defendeu com o escudo do amor que recebeu tantas vezes. Meu filho estava fortalecido por dentro e isso o protegeu da ofensa.

O exemplo é simples, mas serve como princípio para estabelecermos ou lembrarmos de algo poderoso: precisamos blindar as pessoas por dentro! Cientes de quem são, de sua importância na sociedade, na família e para Deus, elas sempre terão um escudo contra qualquer ofensa que venha do mundo ou do inferno.

Quando ministro a Palavra ou dou cursos para professores, sempre ensino sobre a importância de falarmos que Deus não errou, que Ele disse que estávamos na categoria do “Muito Bom”, quando nos fez. Digo sempre que sim, somos diferentes, mas nossas diferenças existem para completarmos uns aos outros e não para nos separar.

Uma pessoa que sempre ouve e sabe o quanto é amada, importante, cheia de qualidades, possibilidades e talentos, ainda que sofra ataques externos, sempre terá algo, uma voz, um gesto mais forte dentro de seu coração que servirá como escudo para rejeitar o que é ruim. E assim estará pronta para enfrentar a vida, superar e derrotar seus gigantes.

Imagine se Davi tivesse dado ouvidos a Golias quando o gigante o comparou a um cachorro… Imagine se ele ficasse focado em soldados (aliados e amigos) dizendo que ele era muito jovem, muito pequeno, despreparado, desarmado, franzino e que só tinha beleza… Não! Davi só se importou com o que ele tinha por dentro: a certeza de que sua força vinha de Deus, independente do que os outros pensavam ou diziam.

Se você é pai, mãe, professor, líder, pastor… nunca perca a oportunidade de fortalecer alguém por dentro, lembrando e frisando quem somos em Cristo, como somos diante do olhar de Deus e não apenas dos homens. Nunca deixe de falar e demonstrar o quando as pessoas ao seu redor são amadas e importantes, ainda que sejam tão diferentes das outras. Falamos e demonstramos nos dias bons para que, quando chegar o dia mal, elas estejam fortes e prontas para usar esse escudo de amor e apagar as armas inflamadas que vieram em forma de palavras, diretamente do inferno.

Munidos com amor, o resultado nunca será a morte, mas sim vida plena!

“E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31)

Se você é a vítima do bullying, deixa eu lhe falar uma coisa: você é uma obra linda de Deus. Ele lhe criou de propósito e com um propósito. Pegue um espelho e se veja não com a visão de outras pessoas, mas com os olhos de Deus e você verá o quanto é perfeito e importante. Descubra que aquilo que você tem por dentro é muito mais verdadeiro e importante do que aquilo que falam ou pensam sobre você.

1 COMENTÁRIO

  1. Munidos com amor…, essa frase exprime Jesus. Fiquei impressionada com a sensibilidade contida na mensagem. Observo pessoas fazendo humor com as deficiências de seus irmãos, rindo e depois argumentando que é apenas brincadeira. O bullying é uma afronta contra o filho de Deus, mas mascarado em forma de humor causa enjoo. Deixo aqui meus aplausos , este texto revela o quanto somos preciosos e amados.

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