Vamos lançar as redes!

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por Godofredo Couto (Campina Grande-PB)
*Graduado na Escola de Ministros Rhema

Enquanto atravessava algumas quadras rumo ao trabalho, quase todos os dias, eu via aquele homem carregando uma caixa, quase de seu tamanho, ladeira acima. Claro que fiquei curioso quanto ao conteúdo daquela caixa. Parecia algo muito pesado, pois ele fazia muito esforço, às vezes, estava sem camisa e ficava muito suado. Mas eu não tinha coragem de pará-lo só para matar minha curiosidade. E, assim, os dias foram passando.

Certa vez, enquanto eu descia a ladeira, eu vi que aquele moço parou próximo de uma pedra para descansar. Aquela caixa enorme estava sobre a pedra e ele tentava apertar as cordas que a amarravam. Esse seria o momento ideal para abordá-lo e, enfim, descobrir o que tinha lá dentro. Com a maior cara de simpatia, me aproximei e fui direto ao assunto. Disse ao moço que o tinha visto, por vários dias, subindo a rua com aquele peso todo e que isso despertou minha curiosidade para saber o que ele tanto carregava, diariamente, no mesmo horário. 

Ele sorriu, como que satisfeito por lhe dar atenção, e contou toda a história. Para sustentar a família, todos os dias ele vai de madrugada ao lago para pescar. Ele consegue de 40 a 50 quilos de peixes a cada pescaria. Como não tem nenhum veículo para carregar, resta-lhe subir do lago à avenida em que passam os ônibus para a periferia, onde vende a carga. Às vezes, segundo ele, faz duas viagens dessas por dia. Admirado, eu o parabenizei e prossegui minha caminhada rumo ao trabalho. Dei graças a Deus por não precisar fazer todo esse esforço físico para receber um pagamento.

Como eu procuro ver tudo pelo lado positivo, imaginei qual lição poderia tirar dessa história. Se fizermos uma comparação da labuta do pescador com o Reino de Deus, veremos que a dinâmica é semelhante.

Quando Jesus chamou os irmãos Pedro e André para segui-lo, a única coisa que falou foi: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19). Então, eles deixaram tudo sem questionar o convite. Eles, que trabalhavam com a pesca de peixes, sabiam bem do trabalho que era realizar esse ofício. 

Tempos atrás, ganhei uma viagem para o Pantanal, para participar de uma pescaria semiprofissional. Tinha que acordar ainda de madrugada para pegar a canoa, com o pescador, que nos orientava. Era um silêncio “ensurdecedor”. Passamos um tempão naquele lugar, sem conversa e sem som. Como o rio tava muito bom pra peixe, até consegui realizar uma boa pescaria. Imagine o trabalho que dá pescar no mar!

Mas, como pescar homens? Para quê? Que esforço isso necessitaria? A primeira frase de Jesus aos seus novos discípulos já revelava a missão que eles teriam que realizar em suas vidas, ou seja, o mesmo propósito que o mestre tinha em sua passagem pelo mundo.

Em outra ocasião, Jesus comparou o reino dos céus a uma rede lançada ao mar e que apanhou toda espécie de peixes (Mt 13.47-48). Mais uma vez, Ele comparou a pesca com a missão daqueles que fazem parte do Reino de Deus. A rede é a Palavra de Deus a ser anunciada e os peixes são os homens a serem abordados. Em Seu pequeno ministério de três anos, Jesus, ao entrar em contato com os discípulos pela primeira e pela última vez, focou na missão que eles teriam que cumprir, que era de pescar os homens no mar do mundo, ou seja, buscar e salvar o que se havia perdido. Nesses dois grandes momentos, Jesus fez com que os discípulos realizassem pescas milagrosas (Lucas 5 e João 21), em que os discípulos pescaram peixes em abundância. Ele mostrou, na prática, a possibilidade, em Deus, do milagre da multiplicação.

Tem uma frase conhecida que é muito correta em seu enunciado: “Não devemos dar somente o peixe a quem precisa, mas também ensiná-lo a pescar”.

O moço do início de nosso texto sabe bem dar valor ao sustento de sua família. Para isso, não mede esforços para ganhar aquele dinheirinho suado, literalmente, com honestidade e disciplina. Ele é responsável por vidas que necessitam daquela provisão para sobreviver. Deus nos deu também a capacidade de pescar homens. Fomos libertos e hoje temos a revelação de nossa missão espiritual. A nossa pesca consiste em ir e compartilhar com as pessoas deste mundo a nossa experiência com Jesus, explicar o plano da salvação e convidá-la a se entregar a Jesus.

Em Provérbios 6.6, a Bíblia diz: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos, e sê sábio”. Um simples pescador pode nos transmitir grandes ensinamentos. Olhemos para o seu esforço em acordar na madrugada, em ter a paciência de pescar vários peixes diariamente, carregá-los nas costas e, assim, ganhar o sustento para a sua família.

Jesus quer agir sobrenaturalmente para que realizemos pescas milagrosas. Mas Ele só fará a parte dele, depois que fizermos a nossa. 

Vamos lançar as redes?

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