Vida de oração e leitura da Palavra

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por Gabriel  Silveira de Moraes
(Graduado do Centro de Treinamento Bíblico Rhema no Rio de Janeiro-RJ)
 

Você tem tido problemas para ter constância na sua leitura da Palavra e, em ter seus momentos de oração? Esse texto foi escrito pensando em você!

Existe um fator inegociável para uma boa vida aqui na Terra e, esse fator é a comunhão com Deus. Há dois problemas que poderia falar aqui: tratar “aperitivos” ou “temperos” como “refeições” e “não ter tempo” (por favor, não estou desconsiderando a sua rotina que pode ser pesada, mas quero lhe mostrar que dá para arrumar tempo).

O primeiro problema, é algo muito comum. O que quero dizer com esse tratamento de “aperitivos”/”temperos” como “refeições”? A Palavra nos é apresentada como alimento, como fonte de vigor e energia para a nossa vida. Em Mateus 4.4, vemos Jesus repreendendo Satanás através das Escrituras relacionando pão e a Palavra que procede da boca de Deus (A Bíblia como bem sabemos e chamamos é a Palavra de Deus, é Deus falando).

Jesus, que é a Palavra(ou o Verbo) que se fez carne (João 1), se apresenta como pão da vida em João 6.35, como Aquele que quem se achega tem a fome suprida, a sede suprida. Porque SÓ Ele tem a capacidade de gerar satisfação. Mas, quero atentar a algo: de que se trata DELE! Não é dom, unção, experiência, propósito, chamado, nada disso, é Ele, Ele é quem importa, não o que pode fazer. 

Quando vamos a um culto, uma conferência, um evento na igreja somos ministrados pela Palavra, tocados pela unção coletiva, mas esses momentos servem como potencializadores, como multiplicadores daquilo que é produzido no secreto. Ali você tem um “aperitivo” de algo para ser desfrutado ao longo da semana. Ali nós obtemos “temperos” para incrementar as refeições no secreto.

O monte Sinai fez parte da Antiga Aliança, no Velho Testamento, hoje, o véu foi rasgado (Marcos 15.38). No Monte Sinai o povo foi convidado por Deus, através de Moisés, a terem comunhão com Ele, mas o medo os fizeram enviar Moisés como representante. O curioso é que o objetivo da libertação do povo sempre foi a comunhão, Canaã era uma consequência.

Se lermos a história da libertação do povo de Israel em Êxodo, vemos que em todas as vezes que Moisés, juntamente com Arão, se achegavam a Faraó pedindo a libertação do povo dizendo o que Deus mandava eles dizerem, eles não mencionavam Canaã. Todas as vezes, a mensagem que Deus mandava eles darem era do povo “servir a Deus no deserto”, algumas versões da Bíblia colocam “adorar a Deus”, outras “prestar culto” (você pode olhar isso em: Êxodo 7.16/8.1/8.20/9.1/9.13/10.3).

O que eu quero dizer com isso tudo? Cristo lá na Cruz nos reconciliou com Deus, a salvação veio como consequência disso (Romanos 5.6-11). Um alto preço foi pago, pois existia algo de alto valor a ser reconquistado! Você, eu e o nosso contato com Deus. Não é justo passarmos a ser habitação Dele (em nosso coração) e não termos contato com Ele. Não é justo o tanto que Jesus suportou para nos elevar a uma Aliança Superior, a uma vida regida pela Graça e vivermos um comunhão como se estivéssemos na Velha Aliança, subjulgados pela Lei.

A segunda problemática sobre o tempo, eu poderia escrever sobre planejamento, disciplina, organização, mas não irei focar nisso. Apesar de saber e reconhecer a importância dessas coisas, acredito que a principal ferramenta aqui é a motivação. No início desse texto em um dado momento eu destaquei que devemos buscar Ele por quem Ele é e não pelo o que Ele tem a oferecer. Eu quero desenvolver mais sobre isso, sei que o texto está longo, mas vamos chegar em um bom lugar.

O que lhe motiva todos os dias? O que lhe faz trabalhar, estudar? Normalmente, é o futuro, aquilo que cada um sonha e deseja viver. Contudo, pressões chegam, aflições ocorrem, podendo tirar os seus olhos desse objetivo futuro, de exercer uma função, de alcançar algo, de viver algo, te desmotivando de continuar. Perceba, quando seus olhos são tirados do futuro por questões presentes, sua motivação é reduzida e, provavelmente, seu aproveitamento no seus estudos e trabalho diminuem, tudo isso porque o que você vê, toca, sente, ouve, agora tem atraído mais o seu foco do que o objetivo futuro.

Esse raciocínio simples, de algo comum a todos tem muita relação com a nossa comunhão com Deus. O começo da vida com Deus, naturalmente, por sermos novos na fé (pessoas que acabaram de nascer de novo), é movido muito pelo o que recebemos de Deus, seja sobre a saúde, finanças, família, emocional, relacionamentos. Esse pensamento no princípio não é problemático, ele é comum nesse início. Mas, ele não tem a capacidade de sustentar a motivação de ninguém. Nisso duas condutas se apresentam:

• Deus faz

A Palavra fala que no mundo teríamos aflições, logo, se meu sustento está no que Ele faz, aparentemente, em meio as aflições “Ele não está fazendo”, assim eu me frustro, desanimo, pois minha esperança está em tudo que Ele faz e o pensamento comum é: “Ele vai intervir!”, “Algo sobrenatural vai acontecer”. E, enquanto não acontece eu aguento não estar vivendo, usufruindo, tendo aquilo que desejo.

• Deus é

Agora, se minha sustentabilidade está em quem Ele é, as aflições não tem poder de me abalar, pois minha expectativa não está no que eu posso receber dEle, mas minhas expectativas repousam em quem Ele é, não naquilo que pode ser feito, mas naquilo que já foi feito lá na Cruz. Você não busca a cura, você busca o Deus que é a cura e, por isso, é sarado. Você não busca a paz, você busca Aquele que é a paz e, por isso, fica em paz. Kathryn Kulhman dizia que milagre é o resultado de uma busca por Deus tão intensa, que as necessidades são esquecidas.

Como eu consigo me identificar em que ponto estou? É bem simples o raciocínio: Se Deus não pudesse lhe dar o que dá, você ainda leria a Palavra, oraria, frequentaria a Igreja? Não falo só de coisas materiais. Falo de unção, dons, experiências sobrenaturais. Pense. Se sua resposta foi sim de imediato, você está em um bom lugar, agora, se você disse não ou até mesmo titubeou, quero lhe aconselhar algo. Reconheça isso diante dEle, diga e se exponha a ser tratado pela Palavra e pelo Espírito. O problema não é estar errado, é permanecer errado. Não existe razões de atuar, de maquiar algo diante dEle, Ele conhece nossos corações. É entre Ele e você. Falo por mim mesmo, tudo ficou mais leve quando tudo se tornou somente a respeito dEle e não sobre o que Ele faz. Fomos chamados para conhecer a Ele, não só sobre Ele.

Me permita finalizar com alguns conselhos práticos:

• Separe um tempo. Se você não tem horários fixos ao longo dos seus dias, procure no dia arquitetar um momento, não importa a quantidade de tempo, para orar e ler a Palavra.

• Não existe problema estar vivendo uma das coisas acima, assuma diante Dele e permita ser tratado através do Espírito que habita em você.

• Honre a fome. Eventualmente, desejos para ler a Palavra, para orar, para adorar brotarão e na medida do possível responda a essa fome rapidamente. Não pense que depois você pode fazer ou que mais tarde você faz. Responda a essa inclinação!

• Tenha momentos de silêncio. Muitos oram afoitos em busca de respostas, em busca de uma luz, uma direção e as vezes a única coisa necessária é o silêncio. Seguir aquilo que Cristo falou, entrar no quarto, fechar a porta. Aprenda a estar com Ele e ouvir. Mas, do que saber pelo o que orou depois de um momento de oração, saia e lembre o que Ele disse. Contudo, para isso você precisa aprender a ficar quieto, sem pedir nada, sem falar nada. Posso até destacar uma experiência pessoal onde pedindo clareza em Deus em oração, Ele completou a frase de minha oração me dando um ensinamento logo em seguida. Eu estava dizendo: “Pai me dê mais clareza…” e Ele logo completou: “… para não viver pela fé?”. Logo fui ministrado em procurar discernir o que é desejo de clareza ou uma mera curiosidade infantil da minha parte, não há problema em Deus nos dar clareza (Ele faz isso), mas não podemos esquecer que vivemos pela fé!

• Dias ruins, cansativos, acontecem com todo mundo. Nesses dias duas coisas devem te mover: gratidão e responsabilidade. Porque eu sou extremamente grato pelo o que Ele fez na Cruz, eu não posso deixar de demonstrar essa gratidão minimamente com meu tempo, minha atenção a Ele. Porque sei que preciso dessa Palavra para viver bem, ter uma boa conduta, eu assumo e cumpro para com a minha responsabilidade de ter comunhão diariamente. Não me alimentar espiritualmente todos os dias é tão irresponsável ou pior que não se alimentar naturalmente todos os dias. Logo, assim como eu como todos dias naturalmente, eu devo alimentar o meu espírito todos os dias.

Naturalmente, temos objetivos futuros para nos motivar, conquistas, metas a serem alcançadas. Sobrenaturalmente, Ele é o Alfa e o Ômega, Ele me dá esperança olhando para o passado, pela obra na Cruz, pro futuro, porque iremos viver eternamente juntos, e no presente, pois Aquele que começou a boa obra (Alfa) e fiel para cumprir (Ômega).

Que Ele é, um Deus imutável, sem sombra de mudança ou variação (Tiago 1.17). O mundo pode ter aflições, as condições externas mudam, mas existe algo interno que é imutável, que desconhece aflição e manifesta fruto da sua natureza (fruto do espírito -> alegria, paz…), não das circunstâncias.

Viva por Ele, por quem Ele é, pois essa é a melhor vida que há! A sustentada pela gravidade dAquele que é imutável, por Aquele que é o Autor da Vida!

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