O casal Jusciê e Joanice Arcanjo completou 10 anos de obra missionária no Japão. Ao lado dos filhos Josué e Calebe, de 18 e 12 anos, eles residem em Okazaki, no Aichi e têm experimentado o poder da Palavra da Fé, como instrumento fundamental para superar os desafios culturais e sociais, aos quais estão expostos na Terra do Sol Nascente.

Logo, com a proximidade do Dia Verbo da Vida de Missões, nada mais justo do que celebrar esta data histórica conhecendo um pouco mais sobre a obra estabelecida pela Família Arcanjo naquela nação. Através da seguinte entrevista, concedida ao Portal Verbo da Vida, você vai saber recortes dessa trajetória construída sobre uma base de obediência, amor e dedicação às vidas dos nossos irmãos asiáticos.

Portal – Como o senhor e Joanice perceberam o chamado para o Japão, e como foi o processo de se desligar de tudo, aqui, para entrar em uma nação totalmente desconhecida?

Jusciê: Logo após o retorno da primeira missão do Ministério Verbo da Vida à Bolívia, em 2000, o Senhor falou comigo, em janeiro de 2001, com uma voz imperativa, Ele disse: “Vá ao Japão!”. A prática da Palavra é o exercício da fé, após experimentarmos do que falamos e agirmos sobre cada direção do Senhor. Nos submetemos ao pastoreio local do pastor João Roberto e Moacir Amarante, servi, por 8 anos, na sede do Ministério ao lado de Bud e Jan Wrigth, Guto e Suellen e do mestre Canrobert Guimarães, fomos inspirados por eles.

Assim, avançamos em obediência e conseguimos deixar a Universidade Federal  de Campina Grande, onde Joanice trabalhava efetiva e eu ensinava por contrato, além da Facisa e da tesouraria do ministério para sermos enviados por tempo integral ao Japão. Pela fé, nós fomos!

Portal – Quais os primeiros desafios encarados na chegada?

Jusciê: Ao chegarmos, não sabíamos onde dormiríamos a primeira noite. Portas se abriram para nos receber até conseguirmos alugar nosso próprio apartamento. Logo em seguida, outro foi o de matricular o Josué e começar a vivenciar a cultura e enfrentar os seus inevitáveis choques. Tudo! Simplesmente tudo é outro mundo, esse desafio cultural enfrentamos até hoje.

Portal – Quanto à vida profissional, vocês conseguiram o emprego que almejavam ou a oportunidade que surgiu?

Jusciê: O visto de Missionário, disponível na Lei japonesa, limita em muito nossa atuação profissional; mesmo com graduação em Administração de Empresas na Universidade Estadual da Paraíba (UFPB) e Mestrado na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), não podia atuar na área e a validação do diploma é muito complexa, praticamente teria que fazer tudo novamente aqui. 

Era permitido atuar com a voz em escolas estrangeiras por apenas 5 horas por dia, mas as escolas não aceitaram, pois queriam por tempo integral. Ainda consegui trabalhar por 4 meses. Somente 9 anos depois, Joanice conseguiu trabalhar em uma fábrica, apenas 5 horas por dia. Porém, ela saiu agora devido ao alto desgaste físico e emocional atuando na linha de produção. Cremos que surgirá outra oportunidade melhor.

Portal – Como começou a primeira igreja e de que forma os japoneses os a receberam? 

Jusciê: A primeira igreja começou em Okazaki, cidade que descobri, em Yamanashi, após uma visão que tive de um pássaro dentro deu uma gaiola com as portas abertas. Com isso veio a percepção no espírito que eu era este pássaro e que precisava expandir a obra, o que comecei, logo em seguida, depois da graduação da primeira turma do Rhema.

Então, nós atuamos entre os filhos e netos de japoneses de língua portuguesa e hispânica e, também, através de alguns que são fluentes no idioma, nós alcançamos japoneses, porém é bem lento devido aos choques culturais.

Portal – Sobre os filhos, quais os maiores desafios enfrentados por eles? 

Jusciê: A rejeição. Eles foram rejeitados por serem simplesmente diferentes, assim nos deparamos com um grande choque cultural: “a cultura da vergonha”, que significa que tudo o que é diferente deles, e de seus modos, é vergonhoso e, portanto rejeitado e desprezado.

Portal – Pensaram em desistir e voltar em algum momento?

Jusciê: No dicionário da fé, ensinado por Jesus e bem repassado pra nós, pelos irmãos Kenneth E . Hagin e Apóstolo Bud, não existe a palavra “desistir”, quando estamos movidos por uma palavra de Deus. Vim com essa palavra de Deus e só irei para outro lugar com uma palavra d’Ele também. Nós sofremos rejeições e muitos choques culturais desgastantes, mas em amor vencemos os confrontos de oposição do diabo; permanecemos firmes resistindo e ele não teve opção a não ser fugir de nós. Sejam pressões financeiras ou setas malignas de enfermidades pela fé, em alegria, nós temos vencido no nome de Jesus.

No vídeo abaixo, você confere um momento “família” em celebração dos 18 anos de Josué Arcanjo, ocorrido em julho deste ano:


Portal – Joanice, na qualidade de mulher, mãe, esposa e ajudadora do marido, quais os maiores desafios enfrentados no Japão, no que dizem respeito à condição de mulher e seu lugar na sociedade?

Joanice: O maior desafio que encontramos, nesse país, como mulher é bem cultural. Aqui a mulher não tem muita voz, a participação dela é bem doméstica, cuidar, zelar e administrar a casa. O seu salário também é menor que o salário do homem, ainda que desempenhem o mesmo papel. Na igreja tradicional japonesa, não é diferente. Tem muitas igrejas em que as mulheres não têm sequer o direito de subir e pregar ou dar uma saudação no púlpito principal, também não sentam com seus maridos na bancadas superiores do púlpito.

Durante o dia, você pode encontrar várias mães nas lojas com seus bebezinhos, dificilmente você encontrará um pai, eles estão nas fábricas trabalhando para sustentar a família. O papel da mulher japonesa, dos tempos modernos, sofreu uma evolução, embora ainda sejam nítidos os vestígios deixados pelas influências do Confucionismo, Budismo e Feudalismo.

Nesse sentido, seguindo sua herança confucionista, a sociedade japonesa tende a valorizar o grupo, ao invés do indivíduo. A família, nesse caso, seria um grupo e a mulher foi designada para ser a líder do seio familiar, cuidando do bem-estar do marido e dos filhos. Já no budismo, existe uma crença de que a mulher deve ser subserviente ao marido. E como herança dos tempos feudais notamos que, quando as mulheres se casam, elas abdicam de sua vida profissional para viverem em função do marido, dos filhos e das tarefas domésticas, cuidando inclusive das finanças da família e sendo também responsáveis pelo “Okozukai”(subsídio ao marido, uma espécie de mesada para gastos pessoais). Já o marido, é responsável em trabalhar fora e arcar com os gastos que uma família demanda.

Vivendo em meio a tudo isso, exerci fé, paciência e amor para enfrentar essa cultura tão diferente da nossa, embora nosso país, o Brasil, seja um tanto machista. Saber me posicionar nesse meio foi e é fundamental para uma vida em paz, harmoniosa e tranquila. Aqui em casa, os papéis são bem definidos, sempre trabalhamos em equipe e cada um desempenha sua função. Sou mãe, cuido dos meninos e procuro facilitar a vida deles em tudo, como esposa procuro ajudar Jusciê. Este ano, mesmo, fui trabalhar, pois como somente eu possuo permissão do governo para atuar em fábricas por 5 horas ao dia, foi uma experiência única, o trabalho é repetitivo em linha de produção. Ajudo também na igreja dando aulinhas para crianças e também ministro, colaboro na Escola Bíblica onde sou a vice-diretora, e procuro manter a casa organizada. Uma vez por semana, estudo japonês com uma nacional e ela me ensina aspectos da cultura também.

Portal – Durante esses anos, quais as lições aprendidas com as adversidades?

Joanice: Nesses 10 anos, a maior lição que, como mulher, posso tirar para mim e para outras mulheres  é que sempre vale a pena servir ao Senhor e ver vidas transformadas pela Palavra da Fé. Opero, além de mestre, no ofício de profeta, o que acredito ter cooperado com Deus para fundarmos duas escolas, a primeira igreja e depois outras duas que já nasceram.

Portal – Olhando para esses 10 anos, como quem olha para uma fotografia, se você tivesse que resumir tudo que viveram em uma frase, o que vocês escreveriam?

Jusciê e Joanice: A frase seria: “As pessoas são mais importantes do que o que fazemos”. Como é maravilhoso participarmos da glória de Cristo, deixando a graça de Deus trabalhar em nós, salvando a nós mesmos e aqueles que nos ouvem; vidas transformadas e edificadas, começando por minha casa e depois pelas cinco obras estabelecidas: as três igrejas e duas Escolas, além das seis turmas formadas. Destacando que, nesta última, tivemos o nosso filho Josué Arcanjo se graduando, foi emocionante.

Abaixo você confere um trecho da formatura do Rhema 2020.


A seguir, confira abaixo, a dica preciosa oferecida pelo Pr. Jusciê Arcanjo para aqueles que têm o chamado para missões.

2 COMENTÁRIOS

  1. Admiro a força e persistência desse casal em cumprir o chamado que Deus os confiou. Não é fácil, não dá pra resumir 10 anos em um texto mas os frutos estão ai. Parabéns!

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