Entrevista: Jovem missionária conta como foi a viagem ao Congo

Postado em
1

A jovem Samara Ribeiro esteve por 3 meses no Congo auxiliando o Pr. Joseph e Rita Maluta no início da obra missionária e nos concedeu uma entrevista contando como foi este período nesta nação. Confira a entrevista abaixo:

Como foi o período de treinamento com o Pr. Maluta e Rita aqui no Brasil?

Eu já conhecia Rita antes dela ir para a Angola, mas o Pr. Maluta eu só conheci em janeiro de 2011. Foi quando Rita me convidou para ajudá-la na Escola de Ministros Rhema no período da tarde. Assim, começou o treinamento, ele foi bem pesado, mas valeu a pena. Com o Pr. Maluta o treinamento era mais na parte de oração, com horários, jejum, e isso mudou a minha vida de oração e consagração. Foi basicamente 1 ano e 3 meses de treinamento.

Depois, o ano letivo da escola terminou, mas continuamos próximos, justamente por causa da oração. Inclusive na organização do show do Thalles, o Pr. Maluta intensificou os encontros de oração. E assim, nasceu o desejo no meu coração de auxiliá-los no início da obra no Congo.

Quando vocês viajaram? E inicialmente, como foi o contato com a nova nação?

Nós viajamos no final de agosto de 2012, e antes de irmos ao Congo, nós passamos um período na África do Sul. Esse período para mim foi bem importante. Porque uma coisa é interessante: você está aqui no seu contexto, com tudo o que você conhece, de repente, depois de algumas horas de voo, sua realidade muda completamente. Não tem mais ligações no celular, nem mensagens, não dá para se sentir sozinha e ligar para uma amiga para conversar, coisas simples do dia a dia, ali é só você e Deus. E se você não tiver uma vida com Deus, intimidade com Ele, você não vai aguentar. A empolgação passa, e eu vejo que as pessoas têm romantizado demais a missão, muitas vezes, mas se não tiver vida com Deus tudo não vai passar de uma viagem. Quando na verdade esse não é o propósito da missão. O propósito da missão é para você ir e abrir mão de tudo, até de você mesmo.

Nós ficamos na África do Sul aproximadamente 18 dias. Neste tempo auxiliamos um pastor amigo do Pr. Maluta. Todo africano tem a motivação para orar muito intensa. Então, nós passamos um período de jejum e oração em prol da igreja local, o ajudamos no que foi possível, me lembro que passamos muito frio lá também.

De lá fomos para o Congo. Um país que tem muitas dificuldades, mas é um país muito rico, no entanto, a maioria vive em extrema pobreza. Tem a segunda maior floresta tropical do mundo. É uma nação com muitos cristãos, mas a maioria tradicionais.

E lá era começar a obra do zero. Foi muito trabalho! Procuramos casa, fizemos a mudança, muito trabalho mesmo! E ainda tínhamos que nos adaptar ao clima, ao fuso horário, a língua, uma língua totalmente nova, e eles ainda falam francês, Lingala e mais de trezentos dialetos.

Um irmão do Pr. Maluta, professor da universidade federal lá, nos dava aulas de francês três vezes por semana. Foram sobrenatural essas aulas, o que eu não aprendi em um curso aqui no Brasil, eu aprendi em 3 meses.

Quais as atividades você desenvolveu no Congo?

Nós começamos a divulgação do Rhema Congo, inclusive alguns concluintes do Rhema Angola estiveram nos auxiliando. Iniciamos também o evangelismo com crianças. A casa que estávamos morando, era próxima a uma praça em que moram muitas crianças de rua, crianças pobres, e essas crianças ficam lá brincando durante todo o dia. E começamos a fazer um projeto para desenvolver estratégias de como pregar o Evangelho para elas. A primeira proposta que o Pr. Maluta me fez quando ele me conheceu, foi para fazer o projeto arquitetônico para um centro esportivo para crianças carentes, um trabalho social que ele deseja realizar no Congo. Neste centro terá salas para cursos profissionalizantes, campo de futebol, piscina, academia, refeitório. E este projeto já está passando pelos tramites necessários para ser aprovado.

Nós também estávamos com uma reunião semanal em casa. E nessa reunião começou vindo uma criança, na outra semana já vieram mais cinco, depois um grupo de 20. Nós compramos algumas bolas e demos para eles, foi a maior festa!

Em determinada ocasião, eu também falei um pouco sobre o TPM – Tempo Para Meninas para que eles conhecessem o projeto e até mesmo dessem continuidade lá. Até deixei camisas com eles.

Quais as suas expectativas para o avanço da obra missionária no Congo?

Eu estou com muita expectativa para a obra missionária no Congo. Eu sei que vai dar certo! Realmente é outra cultura, totalmente diferente de tudo o que conhecemos aqui no Brasil, mas eles são totalmente abertos para a Palavra, a maioria do país é cristão, é evangélico.

Eu vejo muita necessidade e eu sei que a missão não é formada só porque quem vai, é porque quem fica, por quem investe, por quem ora. E eu vejo necessidades lá em todas as áreas, para que pessoas se levantem com o coração genuíno, pessoas que não querem só o status de missionário, pessoas que amam a Deus de verdade e que estão com a atitude certa para investir, para orar, para ir. Isso é uma coisa bem importante.

 Como é a receptividade dos congoleses com os brasileiros?

Ah, se você diz que veio do Brasil eles gostam muito! Se aproximam, conversam, perguntam do futebol. E não só isso, graças a Deus eu consegui fazer amigos no tempo que estive lá e seu tiver alcançado pelo menos uma dessas pessoas que estavam próximas de mim, já valeu a pena. Eu mantenho contato com eles, dentro do possível, procuro saber como eles estão, quero investir na vida deles e eu estou crendo para o avanço da igreja lá como um todo, e na união da igreja no continente africano.

Conte-nos uma situação marcante que vivenciou no período que esteve lá?

Algo que me constrangia muito era o coração das pessoas para dar. Ás vezes, não tinham nada, ia descalço para a igreja, mas depositavam a sua oferta, o seu dízimo. Isso me constrangeu muito.

Outra coisa que me chamou atenção no povo africano é que eles são muito alegres. Eles não se importam com o calor, com a falta, eles estão sempre dançando, pulando, se alegrando. E os cultos normalmente duram horas, cerca de 4 a 5 horas.

Certa vez, eu vi uma menina de mais ou menos 5 anos de idade que dançou o culto todo. E no final eu perguntei a ela, arranhando no meu francês, se ela estava feliz, e ela me respondeu que não estava. Então, eu disse que ela não parecia estar triste, e mais uma vez ela me respondeu dizendo que não adiantava nada ela ficar triste porque o Deus dela pode todas as coisas. Depois eu soube que havia uma semana que a mãe dela tinha falecido. Quando eu soube disso, eu chorei muito com vergonha de mim. Às vezes, nós temos muito mais que isso e não levantamos nem as mãos para adorar ao Senhor na igreja.

Quais conselhos você daria aos jovens que desejam iniciar a sua carreira missionária?

O primeiro conselho que eu dou a eles é seguindo o que eu vi Suellen Emery dizer uma vez, que o jovem tem muita facilidade para ir ao campo missionário, porque o jovem não tem tantas coisas que prendam ele, ele não tem família, pois pode não ser casado, ele é livre. Se ele tem uma direção do Senhor e tem vontade de ir, ele é mais livre do que uma pessoa casada que constituiu família. Eu concordo com isso, tanto que hoje um dos maiores eventos da Igreja Verbo da Vida é o “Jovens Para as Nações”. E eu me orgulho de ser jovem e ter ido, de poder ter participado do início da obra. Mas, mesmo sendo jovem precisa manter a motivação certa, com o coração acertado.

Podemos ir para outro lado do mundo, abrir mão de coisas, obedecer ao Senhor, mas com a atitude do coração errada. Nós estamos certos nos propósitos, mas errados nos princípios. E isso não vai adiantar de nada para Deus, e para nós também não, por mais que tenhamos o status por fora, será peso, será um incômodo e para Deus não irá subir como um aroma suave. Para ir a qualquer lugar devemos ter a motivação certa, não só para aparecer. Porque para aparecer já tem muita gente, existem muitos só querendo ser visto.

Fazendo com a motivação certa, você pode estar em um lugar que não tenha nada, mas você estará completo, estará realizado.

Outro conselho que eu dou é sobre você ter um bom relacionamento com a sua família. Sair com a benção dos seus pais, com a autorização deles, porque nossos pais são autoridades constituídas por Deus sobre a nossa vida. Se eu tivesse ido sem a autorização da minha mãe eu não teria conseguido. E uma coisa que aprendemos muito a dar valor quando nós saímos é a nossa família. Os amigos são presentes de Deus, mas eles não são para sempre, mas a família estará sempre. Independente de seus pais serem crentes ou não, que você saia dando bom testemunho.

Um outro conselho é que precisamos manter o controle emocional. Se as emoções não estiverem controladas pode estragar tudo. Você vai conviver com pessoas que não conhece, que tem a cultura, costumes diferentes e precisa estar equilibrado. Saber se sentir sozinho e buscar em Deus o refrigério. Foi algo que Deus me ensinou muito lá, a estar com as emoções equilibradas, trouxe mais firmeza para mim. Tudo o que eu aprendi no Congo eu acredito que se aplica em qualquer etapa da vida. É claro que na missão tudo é mais intenso. E um deslize seu pode fechar a porta para você e para outros que poderão vir depois de você.

Para encerrar, um último conselho que eu dou, que é bem importante, é que o jovem crente às vezes esquece dos estudos, se dedica tanto a igreja, ao chamado e se esquece de estudar. Mas, o que abriu a porta para mim foi eu estar terminando o meu curso de Arquitetura. Um curso técnico, uma graduação, pode abrir portas que você nem imagina. Você não pode ir para um extremo e esquecer o outro lado, mas o que Deus quer é um equilíbrio.

Eu creio que está chegando um tempo que Deus não está querendo só desempenho, só a capacitação natural, mas primordialmente corações acertados. O coração é o lugar que só Deus pode ver. Mantenha o seu coração alinhado, que uma hora todos irão ver o que Deus fará na sua vida.

Quais os seus planos para 2013?

Por enquanto, não tenho planos de voltar. Eu fui mesmo para ajudar no início. Vou me especializar na minha área, vou fazer pós-graduação, tenho vontade de fazer mestrado. Quero continuar atuando no departamento de jovens, servindo na igreja local, auxiliando no que for possível.

 

 Veja algumas fotos:

 

 

 

 

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA