“Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hebreus 12.15 – RA).
“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hebreus 12.15 – AA).
“Tomem cuidado para que ninguém abandone a graça de Deus. Cuidado, para que ninguém se torne como uma planta amarga que cresce e prejudica muita gente com o seu veneno” (Hebreus 12.15 – NTLH).
“As germinações das sementes acontecem quando ela encontra um ambiente adequado para o seu desenvolvimento. Geralmente elas absorvem água e aumentam seu volume, o que causa o rompimento do envoltório. A partir desse momento, o embrião passa a crescer. Normalmente a primeira estrutura a se formar é a raiz, seguida do caule e folhas” (SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Semente”; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/biologia/semente.htm).
Se a semente plantada não for nutrida e logo arrancada do jardim do coração, não haverá espaço para que o segundo estágio aconteça. Segundo a Pequena Enciclopédia Bíblica de O. S. Boyer, a palavra “GERMINAR” significa “começar a desenvolver-se” (BOYER, 1993, p.263). A germinação é influenciada pelo meio. Caso a planta encontre um ambiente adverso, dificilmente a germinação ocorrerá.
O interessante a observar é que, na germinação, a primeira parte a aparecer é a “RADÍCULA”. É a parte do embrião da semente que irá se formar em raiz primária. Essa não tem profundidade; é bem frágil. A função primária do sistema radicular é absorver a água e os macros e micronutrientes, promovendo a ancoragem da planta no solo. Portanto, o crescimento e a produtividade da planta estão diretamente relacionados à atividade do sistema radicular. Na sequência, se dará origem ao processo de formação do caule e das folhas.
Fazendo um paralelo desse conceito natural e trazendo para o objeto de nosso estudo, precisamos estar atentos porque é justamente nessa fase inicial que os detalhes, as pequenas coisas vão, ainda que sem muita força, iniciando um processo de acúmulos de sentimentos e a absorção de situações e latência das palavras, que feriram na mente ao ponto de incomodar, como bem diz o texto de Hebreus 12.15 – RA “raiz de amargura que, brotando, vos perturbe”.
No brotar da semente, a raiz primária, acompanhada do processo inicial de formação do caule e das folhas, vai aparecendo “bem discreta” e nessa fase já é algo que traz perturbação para o próprio individuo. É aquele grito silencioso por dentro, aquela solitária agonia vivida, remoendo os pensamentos, mesmo que ainda esteja pequeno. Aí você disfarça e diz: “É besteira, isso passa!” Mas, se não trata ela vai descendo, se aprofundando mais a cada dia e criando força.
Uma pessoa que está desgostosa com algo ou alguém, fica na condição emocional de perturbação, pois não consegue se aquietar, normalmente pensando naquela situação o tempo inteiro. Em alguns casos, a pessoa começa a se sentir perseguida, não consegue ser mais a mesma pessoa, não se sente mais à vontade com a presença do outro, chegando até a nem mais conseguir olhar nos olhos de quem a ofendeu. Essa fase vem acompanhada, também, de inquietação e de uma trava interna.
Tende a achar que qualquer coisa que aconteça seja feita de propósito para aumentar ainda mais aquela ferida. Vive um conflito interior constante e que vai crescendo a cada dia. Esse é o segundo estágio da amargura: o broto.
Nesse estágio, nada que aquele cônjuge fizer será valorizado, nada que aquele líder fizer será bem recebido ou que aquele amigo fizer será visto com bons olhos. O amargurado não está satisfeito com nada, não tem mais alegria naquilo que outrora era grande motivo de satisfação. Vai aos lugares sem ânimo, e estar naquela casa, igreja ou empresa passa a ser um grande martírio.
“O começo de uma briga é como a primeira rachadura numa represa: é bom parar antes que a coisa piore” (Provérbios 17.14 NTLH).
Me converti ao evangelho no ano de 1994 e fui estabelecido ao pastoreio em 2003. Em todos esses anos, tenho visto muitas pessoas casadas que, devido ao coração decepcionado com o seu cônjuge, têm vindo ao “meu” gabinete pastoral dizendo que não conseguem mais enxergar qualidades no outro.
É nesse estágio onde o brotar de uma série de enganos acontece. O coração amargurado pode se enveredar por uma tristeza profunda, acompanhada de uma raiva latente, pela não reciprocidade do outro, levando, muitas vezes, a estágios depressivos iniciais, tendenciosos ao isolamento, aliados ao sentimento de não realização. Certa vez ouvi de um grande amigo, pastor Janduí de Araújo, a seguinte frase: “Depressão é excesso de passado, já a ansiedade é excesso de futuro”. Isso é uma grande verdade!
A mágoa pode passar a produzir, em outros casos, uma busca frenética pelos defeitos do outro, com o propósito de desconstruir sua imagem, afetando de algum modo a vida do “ofensor” e, inconscientemente, preparando para uma terceira etapa, tão danosa quanto a segunda.
O destaque dos defeitos do outro torna-se uma das bandeiras principais na mente do amargurado, passando a acontecer do que chamo de uma “amnésia do lado bom”, onde o outro perde a importância e o amargurado esquece-se dos bons momentos que viveram, as ajudas nas horas mais difíceis, as virtudes que outrora eram tão admiradas. Naquele coração, a mágoa começa a crescer ainda mais, construindo agora uma “falsa verdade” sobre aquela pessoa, generalizando ou sobressaindo os defeitos em detrimento das qualidades.
Por isso que uma das grandes dificuldades para quem está nessa condição é desenvolver gratidão. Ele pensa: “Como ser grato por alguém que no final de tudo me feriu, me machucou? ” E é exatamente aí que está um dos pontos cruciais para a cura ou para a extensão da raiz de amargura. Se você continuar focado nos defeitos, estará alimentando essa raiz e ela crescerá dentro de você, porque a falta de afeição te levará a sempre pensar naquela situação, produzindo mais dores.
Mas se você focar na gratidão, pelas coisas boas que viveram, destacando em sua mente o melhor daquela pessoa, isso comecará a produzir dentro de você o antídoto contra o veneno da amargura. Coloque isto em seu coração: a gratidão é um poderoso antídoto contra o veneno da amargura.
“A gratidão, celebra o presente, cura o passado e abre as portas para o seu futuro” (Pr Edilson de Lira – Culto de Celebração pelo aniversário da Igreja Verbo da Vida de Petrolina, 2017).
4 Comentários
Palavra poderosa!
Que tema extraordinário, de uma magnitude ímpar para as nossas vidas como Cristãos! Precisamos meditar sempre nestas verdades, porque grandes são as decepções da vida, mas em todas seremos levantados e erguidos a olhar firmemente para Cristo e saber que as pessoas são falhas! E nós também somos! Cortar está raíz é o início de novas oportunidades de crescimento para nós mesmos! Não fiquemos presos a passados e ofensas! O Senhor, nosso Justo Juiz, fará florescer em nós uma grande árvore de paz e alegrias Nele!

Palavras palavras pode, palavras poderosa que salva vidas , que me tira a cada dia de um passado e me leva a viver o presente com a alegria de um futuro glorioso. Ainda que pensamento venham , pra querer me prender em um passado eu me olho no espelho e me deparo com a frase que Deus um dia me deu pra quer tenta viver o passado se ele já foi banido na cruz por Cristo , viva a cada dia esse o amanhã só a Deus pertence e tenho certeza que e glorioso . Jeremias 29,11.
Que palavra! Amém