por Anna Paula Yorio
*Secretária da Coordenação Doutrinária no Rio de Janeiro
Em primeiro lugar, é importante compreendermos o que são os transtornos. De uma maneira geral, os transtornos como autismo e TDAH são alterações físicas e funcionais do cérebro, gerando deficiência nas conexões das células nervosas. Essas alterações levam a manifestações dos sintomas que são conhecidos e caracterizam os transtornos.
Quando Deus criou a humanidade, a partir de Adão e Eva, Ele criou esse homem perfeito, sem nenhuma doença, alteração ou disfuncionalidade em seu corpo ou alma.
Sabemos que quando o homem desobedeceu a Deus e pecou, deu legalidade para que a consequência do pecado se instalasse no corpo, alma e espírito da humanidade (Romanos 5.12 e 6.23). Todo desajuste, transtorno, disfuncionalidade e alteração vêm da consequência do pecado, assim como a morte física, espiritual e eterna.
Resgatados da maldição da Lei
Quando digo consequência do pecado, não estou afirmando que isso seja, necessariamente, uma consequência direta sobre o pecado de uma pessoa, mas é consequência da entrada do pecado no mundo, na forma como tudo é regido após o pecado ter entrado na humanidade. Vemos essa consequência manifesta até mesmo na natureza (Romanos 8.22).
Dessa forma, quando Jesus veio para restaurar a condição do homem caído a uma condição de filho, de amigo de Deus, Ele aniquilou o pecado e a sua consequência sobre a vida daqueles que creem e o recebem como Senhor. Ou seja, nenhuma enfermidade tem mais domínio sobre a vida daquele que crê em Cristo. E quando compreendemos que os transtornos são alterações no funcionamento cerebral perfeito que Deus criou, podemos exercer nossa fé para que esse funcionamento retorne à sua normalidade, assim como fazemos com todas as enfermidades.
Em Deuteronômio 28, vemos descritas as maldições da Lei. O versículo 28 fala sobre a loucura como sendo uma dessas maldições. Não estou querendo comparar os transtornos à loucura, mas se olharmos para a base fisiológica da loucura, vamos compreender que também se trata de uma alteração no funcionamento cerebral e que disfunção cerebral é considerada uma maldição da Lei. Sabemos que Cristo nos resgatou dessa maldição, fazendo-se maldito no nosso lugar. Se Ele nos livrou de uma disfunção cerebral, por que não nos livraria de todas elas?
A vontade de Deus é curar
Em Marcos 5.1-5, Jesus está diante de um homem que tinha uma das mãos ressequida, ou seja, seca, sem fluidos, sem movimento. Havia uma disfuncionalidade física na mão dele, aquela mão não estava operando como havia sido criada para operar. Jesus restaura a mão do homem e ela volta a ter a sua função normal.
Se é vontade de Deus que os nossos membros desempenhem suas funções plenas, certamente é vontade de Deus que o nosso cérebro desempenhe suas funções de acordo com a forma como Deus o criou.
Em Mateus 17.14-18, vemos um pai pedindo a Jesus que cure o seu filho lunático. Lunático tem o mesmo significado que louco. Então, Jesus cura o rapaz. Sabemos que, especificamente nesse caso, havia a operação de demônios envolvida, o que não significa que todo caso de disfuncionalidade cerebral haverá demônios envolvidos, mas o importante desse fato é que Jesus curou o rapaz que tinha uma alteração no funcionamento do seu cérebro.
Jesus é a manifestação da vontade de Deus. Se é vontade de Deus curar um lunático, é vontade de Deus curar toda e qualquer alteração na função cerebral.
Saúde divina completa
Uma vez tendo respaldo da Palavra de Deus, podemos, sim, exercer nossa fé e orar por pessoas que possuem transtornos como autismo e TDAH. No entanto, não podemos esquecer que no caso da oração da fé é importante que a pessoa que estará recebendo a oração ou seu representante (pais, responsáveis) também esteja crendo que é a vontade de Deus trazer a restauração das funções cerebrais.
É importante destacar também que os tratamentos e intervenções médicas e psicológicas estão disponíveis como ferramentas para o auxílio do desenvolvimento de pessoas que possuem os sintomas associados a esses transtornos. E a utilização desses tratamentos, assim como de todos os tratamentos médicos, não deve ser interpretada como falta de fé.
Sabemos que a medicina não está contra nós e, muitas vezes, ela coopera para a promoção da saúde até que nossa fé seja fortalecida o suficiente para que possamos receber aquilo que já nos foi garantido em Cristo Jesus: saúde divina completa, seja em um membro do nosso corpo físico, seja nas funções e conexões cerebrais.
Deus fez o nosso corpo para funcionar plenamente e perfeitamente, e essa é a vontade d’Ele em Cristo Jesus.