
E se ele dissesse não, não adiantaria tentarem lançar mão dele, pois eles não o conseguiriam. Nem mesmo ao sinal de um beijo traidor. Ninguém conseguiria detê-lo, jamais poderiam torturá-lo e muito menos crucificá-lo. Nenhum dos homens, nenhum dos mortais poderia encostar as mãos nele, ninguém o alcançaria – a menos que ele dissesse “sim”.
Dizer sim para morte era o mesmo que assumir uma dívida que não era sua. Entregar-se à morte era o mesmo que se lançar num abismo de separação de Deus.
Ele disse sim! Foi assim que ele agiu e foi por esta razão que ele se levantou ousadamente, mesmo em um momento de tanto medo, dizendo: “Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores” (Mateus 26.45 – NVI).
Essa era a maneira que Deus tinha para vencer o diabo no território do mal e resgatar a humanidade encarcerada no cativeiro da morte.
Jesus não tinha pecado para morrer como um pecador, ele se tornaria pecado com o nosso pecado e morreria a nossa morte. E o sim de Jesus foi o portal que ele adentrou, saindo do Reino da Luz em direção ao Império das trevas. Neste momento, não como o poderoso guerreiro de Deus, mas como mais um na grande multidão dos condenados.
O que o diabo não contava era que, um pouco mais a frente, teria de enfrentar aquele que gloriosamente ressurgiria como o poderoso guerreiro de Deus.
No jardim da entrega, Jesus penetrou a escuridão da morte. A luz que veio brilhar para o mundo estava se entregando como oferta pelo pecado do próprio mundo. E somente a partir do momento em que se tornou pecado, Jesus virou presa fácil para todos aqueles que, inspirados por Satanás, puseram as mãos sobre ele para exterminá-lo da terra dos viventes.
Parecia mais uma jornada sem volta. Apesar disso, ele decidiu fazê-la confiando que seu Pai lhe daria a vida de volta. E voltar à vida aqui significava um tipo de ressurreição que ninguém ainda havia experimentado: a ressurreição dos mortos espirituais – “Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia” (Colossenses 1.18).
Jesus se despediu da comunhão com Deus para nos levar de volta aos seus braços. Abriu mão dos seus direitos de Filho para devolver a nós todos os privilégios de pertencer à família de Deus. Tornou-se insignificante, sem nome, filiação e descendência para ressuscitar como o primeiro de uma nova raça de filhos de Deus.
Jesus escolheu, a partir daquele momento, ser como todos os outros para que todos os outros se tornassem como ele. E assim, ele se tornaria o primeiro de uma classe diferente de seres humanos.
“Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Pois ele foi eliminado da terra dos viventes, por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado… Ele verá a sua prole e prolongará os seus dias” (Isaías 53.8,10 – NVI).
“E, sendo o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, proclamaria luz para o seu próprio povo e para os gentios” (Atos 26.23 NVI).
Extraído do livro “A FESTA DA REDENÇÃO” – Manassés Guerra














