ENTREVISTA: Elis Amâncio fala sobre Redes Sociais e Comunicação no Reino

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Elisa Amâncio tem 42 anos. É formada em Jornalismo, especializada em Mídias Sociais e Marketing Digital, no momento, também é aluna especial de mestrado em Estudos de Linguagens. Ela se converteu há dezoito anos na Igreja Batista da Lagoinha em Belo Horizonte (MG). É casada com Renato e mãe de Sara, 19 anos. Abaixo, acompanhe a entrevista concedida ao Portal, durante sua recente vinda a Campina Grande (PB), para a I Conferência de Música e Mídia.

PORTAL: Você atua em várias esferas da Comunicação Cristã de grandes ministérios, como se preparou para isso?

ELIS: Acredito que Deus me preparou, porque eu comecei enxergando uma necessidade da minha igreja local, eu procurei meu pastor, mostrei para ele o Orkut e comecei atuando nessa rede social.

Nessa época, eu atuava na redação da Rádio CBN, fazendo apuração, produção de notas. A minha igreja já transmitia culto ao vivo, mas tinha aquela dificuldade do alcance por dificuldade de acesso à internet, de ter computador. Também não tinha smartphone como temos hoje em dia. Sugeri para ele fazer um blog e ali eu poderia  fazer o resumo das pregações. Como todo bom líder, o pastor Márcio Valadão falou: ‘Ah filha, que bom! Então, você faz né?’. Ele me colocou em contato com os meus pastores dos jovens na época que era o Felipe e a Mariana Valadão e eles me impulsionaram. Eu não tinha ideia do que ia acontecer dali para frente, mas acredito que Deus foi me dando ousadia para usar a minha formação acadêmica, colocando em prática no melhor lugar: a igreja local.

Então, fui adaptando técnicas, linguagem, entendendo que eu precisava aprimorar a comunicação cristã com menos ‘evangeliquês’ e sendo mais ‘informatismo’. Essa construção começou a chamar atenção de algumas pessoas, alguns pastores começaram a me chamar pra trabalhar com eles. O primeiro foi o pastor André Valadão. Trabalho na Lagoinha há 14 anos. Fui assessora de André Valadão e ele também me impulsionou, porque ele começou a falar do meu trabalho para outras pessoas. Logo o Thales Roberto estava começando a ser lançado no meio gospel e eu fiz uma matéria grande com o Tales na época, que repercutiu muito, sobre a conversão dele. E me tornei responsável pelo site da igreja, o Lagoinha.com e comecei a entender muito mais do universo digital.

Eu tive um testemunho que eu vivenciei de uma pessoa que aceitou Jesus por uma transmissão no Twitter, aquilo me tocou profundamente, sabe? Foi uma experiência inesquecível. Hoje, me perguntaram assim: ‘Elis, como foi essa sacada de trabalhar com com mídias sociais na igreja?’, e eu falo que não foi uma sacada. Na verdade, Deus foi me direcionando aos poucos se ele revelasse tudo talvez eu teria muito medo.

PORTAL: Você considera que foi um trabalho desbravador?

ELIS: Desde o começo, eu acho que foi meio desbravador. Eu acompanho um pouquinho desse alavancar da Lagoinha. O site não era muito conhecido. A Lagoinha já tinha comunicação, tinha jornalista, mas naquele momento a igreja estava focada no  boletim que era o nosso jornal tradicional, mas era um canal para o membro. Sim. Assumir o site foi uma baita responsabilidade. Foi desafiador, mas Deus me fez crescer nessa área. Eu amo tecnologia.

Desde a época da máquina de escrever, eu vi essa evolução tecnológica, a facilidade de nos comunicar e isso faz meus olhos brilharem, e quando a gente conhece Jesus é diferente e a vontade que a gente tem é de levar essa mensagem que carregamos para longe, para mais pessoas. Eu lembro de escrever matérias, mas eu falava nessas matérias, olha, é impossível de descrever em palavras o que nós sentimos aqui dentro do culto. Hoje boa parte das iniciativas das igrejas em geral são feitas nas redes sociais, graças a Deus.

PORTAL: Como você mesma frisou, boa parte das iniciativas das igrejas são feitas nas redes sociais. Fale sobre o seu início dos trabalhos da Comunicação na sua igreja: 

ELIS: Eu acompanhei um pouquinho desse alavancar da comunicação na Lagoinha. A  Lagoinha já tinha jornalista chefe. Mas eles estavam naquela dúvida, a igreja estava focada no quê? No início, tínhamos o boletim que era o nosso jornal tradicional da igreja e no Lagoinha.com, mas esse último sempre foi muito um canal para o membro, para ele fazer um devocional on-line, disponibilizar alguma mensagem de uma maneira mais fácil.

Eu cheguei lá fazendo estágio e ‘de cara’ já assumindo o site. Foi uma baita responsabilidade. Quando eu cheguei eu era mais nova e foi muito bom, mas desafiador e foi o que me fez crescer nessa área sabe? Levar essa mensagem que a gente carrega para longe, daquilo que a gente vive aqui dentro da igreja, levar pra mais pessoas.

PORTAL: O que aprendeu nesses anos de experiência servindo ao reino?

ELIS: Aprendi muitas coisas. Posso citar ‘O poder do voluntariado’. O poder de você estar envolvida dentro de um ambiente que lhe proporciona crescimento e o voluntariado  é isso. Estamos ali para entregar algo para o outro, mas na verdade estamos recebendo muito.  Eu cresci muito no trabalho voluntário. Eu não tinha consciência que eu poderia, por exemplo, trabalhar na igreja. Na minha cabeça, naquele momento, trabalhar na igreja integralmente seria o quê? Um pastor, um ministro de louvor, talvez, mas eu nunca me imaginei integralmente trabalhando para o reino.

Eu lembro que um dia estava conversando com outros amigos lá da minha igreja e falaram: ‘O nosso pagamento vai cair?’, aquelas conversas de colegas de trabalho. E aí, um deles falou: ‘Elis você já parou para pensar que nosso salário é abençoado duplamente?’. Na minha inocência não entendi? Eles respondeu: ‘Porque o nosso salário vem do altar’. Que honra! Eu trabalho hoje integralmente na obra, eu recebo um salário por mês e esse salário vem do altar, são pessoas que estão amando o Senhor, isso me tocou muito forte. Deus é meu Pai e ele tem cuidado de mim. Enquanto estou aqui em Campina Grande, Deus está lá em Minas cuidando da minha família, da minha casa. Ao longo desses 14 anos, pude entender que independente da nossa área de atuação, nós também somos ministros do evangelho. Seja no jornalismo, seja limpando banheiros, ajudando na recepção da igreja, seja como secretária, seja como enfermeira, seja um médico, independente da nossa área e da nossa profissão, nós servimos ao Rei.

Nós somos embaixadores de Cristo na terra e eu acredito que como mãe, filha,  esposa, jornalista, autora, palestrante, como a Elis filha do meu pai e da minha mãe, eu sou embaixadora de Cristo na terra. Eu tenho que honrar o nome do Senhor onde eu estiver e na posição que tiver. Eu já passei diversas situações assim das mais tensas em ambiente de bastidores, de ir para um cantinho chorar ali com o Senhor, sabe? Mas decidi obedecer e sei que essa é a chave para continuarmos bem.

PORTAL: Você é escritora, comunicadora, consultora e palestrante. Como concilia tudo isso para dá atenção a família?

ELIS: Eu não teria como fazer nada disso sem o apoio do meu esposo e da minha filha. Costumo falar que  tenho uma filha maravilhosa, porque eu tive Sara muito nova, antes de me converter, e acredito que foi o ponto onde Deus começou a minha trajetória, porque eu era estéril e Deus me deu a Sara e quando soube que estava grávida dela a única história que eu lembrava da Bíblia era a história de Sara e Abraão. Por isso, ela se chama Sara, ela foi uma grande mudança e me trouxe uma força que era o próprio Deus me resgatando ali de uma escuridão que vivia.

Sou grata aos meus pais que foram as pessoas sempre presentes e me ajudaram  cuidando da Sara enquanto eu estudava, me especializava, me aprimorava na igreja de segunda a segunda, viajando com banda, com ministério, eu fiquei anos viajando com os ministérios e o apoio deles foi essencial. O Renato me ajuda muito. Eu falo que eu sou muito privilegiada pelo marido que eu tenho, pela filha que eu tenho, pelo apoio que eles me dão. Quando eu lancei o meu primeiro livro, ‘Mídias Sociais na Igreja’ a primeira pessoa a ler foi minha filha, a segunda foi o Renato. Não adianta a gente ganhar o mundo inteiro e perder a nossa família. 

PORTAL: Quais os projetos ou planos para 2022?

ELIS: Primeiro é a oração pelo fim da pandemia. Eu tenho orado muito sobre essa questão, porque tem sido um tempo difícil para muitas pessoas, na questão de saúde mental, inclusive, converso com muita gente que está sofrendo, penso nos missionários, porque não estão tendo muito recurso no campo. Quero servir mais ao Senhor, porque parece que o que fazemos é pouco. Eu trabalho hoje numa startup cristã lá em BH que é a  responsável pela área de marketing da Hitbe.

Hoje atendemos igrejas e ministérios fazendo gestão de direitos autorais no YouTube, distribuição de música, podcast e estou à frente da parte estratégica do marketing tanto institucional quanto da que atende esses ministérios.  Existe um projeto nascendo lá dentro que eu estou responsável por ele, deve nascer em 2022. Então, sobre esse, realmente não posso dar spoiler ainda, mas vai ser um projeto que eu eu tenho muita fé nele, algo que eu sonho há muitos anos e estão me dando carta branca para seguir em frente. Outro projeto são os três livros que eram para ter nascido neste ano, mas, como o Senhor sabe o tempo certo, eles devem sair no próximo ano, já estão prontos, mas devem ser publicados em sequência ao longo de 2022. Devemos fazer impresso pela pela editora 100% cristão.

Cada um tem uma característica, vou falar um pouco sobre o papel do cristão individualmente, na internet, como se fosse um manual de comunicação para igrejas mesmo. E tem um outro livro mais técnico que é falando de ferramentas, aplicativos, um pouco mais da usabilidade. Estamos na dispensação da graça do Senhor. Estou sempre com o coração disponível para seguir o que o Senhor me direcionar. 

 

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