Thiago Freitas falou sobre ministério e liderança em entrevista para o Portal

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Ele é de Contagem, (MG), mas cresceu em Belo Horizonte, na capital mineira, onde é membro da Igreja Verbo da Vida Carlos Prates. Thiago Freitas é casado há quase 6 anos com Willa Freitas e, juntos, atuam no Departamento de Coordenação e Formação Ministerial na igreja local. Em entrevista ao Portal, ele falou sobre o chamado ministerial, liderança, literatura cristã, treinamento de equipes, entre outros assuntos que você confere a seguir:

PORTAL: Quais as suas atividades no Ministério hoje?

THIAGO FREITAS: Nosso trabalho na igreja local é no Departamento de Coordenação e Formação Ministerial onde trabalhamos com novos ministros, novos professores, novos pastores que, futuramente, serão licenciados e ordenados. Nosso departamento cuida especificamente dessa área. Também auxilio na Coordenação Doutrinária do Ministério Verbo da Vida, desde o início de 2014, quando Marcos Honório Jr. assumiu a coordenação e me fizeram o convite, pois a ideia dele era contar com colaboradores em várias regiões do país, ajudando-o em produção de material, correção de questionários entre outras coisas. Agora, Fernando Leal assumiu a coordenação, recentemente, e tem dado continuidade a esse trabalho. Ou seja, contando com esses secretários que atuam e trabalham em diversas regiões do país, trazendo suas boas ideias.

PORTAL: Você veio a Campina Grande (PB) e ministrou na Conferência de Ministros Nordeste. Fale-nos um pouco sobre essa experiência: 

THIAGO FREITAS: Esta é a primeira vez que venho a uma Conferência de Ministros no Nordeste e que honra ter vindo e ser convidado para ministrar também. Já desejava vir há um bom tempo, mas como nós temos a Conferência na nossa região Sudeste, anualmente, sempre vou para ela. Mas sempre tive o desejo de vir a uma Conferência em Campina Grande. Em 2019, fui à Conferência em Brasília (DF) e achei um privilégio estar perto da liderança. Nesse evento em Brasília estávamos conversando eu, o Renato e o Thiago e falei que nunca tinha vindo a uma edição no Nordeste. Eles, então, me convidaram para vir e a princípio era para participar e receber de Deus. E, duas semanas atrás, recebi uma mensagem de Guto Emery me convidando para ministrar, ele me perguntou se eu aceitava o desafio. Com muita alegria e muita honra eu aceitei essa oportunidade incrível. Nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria algo assim, foi um presente de Deus não só por ministrar em uma Conferência, mas por ser fora da minha região, tudo isso se torna ainda mais especial. 

PORTAL: Na sua mensagem durante a Conferência, você falou que “O ministro chamado que tem o dom da Palavra, conhecimento e eloquência no falar, precisa lembrar que é exemplo e referencial para as pessoas e, caso ele caia no pecado, não perderá o dom e nem a habilidade, mas perde a autoridade”. Fale-nos um pouco sobre isso: THIAGO FREITAS: Você olha para o que Paulo nos falou em II Coríntios 3.6: “Não dando nós nenhum motivo de escândalo para que o ministério não seja censurado”. Outra versão diz: “Para que o ministério não caia em descrédito”. Ministério é baseado em exemplos. Toda a Bíblia mostra isso, e em todo homem que vai ser levantado no ministério procuramos as qualificações. Aqueles que estavam sendo levantados em Atos 6, qual era o primeiro requisito? Tem que ser de boa reputação. Se olharmos em I Timóteo 3 tem que ser irrepreensível, esposo de uma só mulher, não dado ao vinho, não violento, não pode ser neófito e ele menciona apto a ensinar e após, seguem cerca de 14 qualificações para ensinar. Como falei, nesse contexto especifico, a pessoa que peca, não perderá o conhecimento, a habilidade, não vai esquecer como é a performance no púlpito, mas ela vai perder a autoridade.

Eu mesmo já ouvi pessoas dizendo: “Não consigo ouvir fulano de tal, porque ele deixou de ser uma referência…”. Perceba que não é a mensagem em si. Jesus disse aos fariseus: “Façais tudo o que eles falam, mas não os imitais nas suas obras, porque eles falam e não praticam. Falam e não fazem. São como sepulcros caiados que por fora se mostram belos, mas por dentro estão cheios de toda imundície”. Ministério é baseado em exemplo. Quem é a pessoa fora do púlpito? Quando não está ali ministrando, servindo aos outros com o dom que Deus lhe deu? É uma pessoa boa de relacionamentos? Tem gente que gosta de confusão. Se andarmos no espírito não vamos nos devorar uns aos outros. A pessoa pode saber cantar e liderar, mas se não souber se relacionar tudo isso pode ir por água abaixo. 

John Maxuel disse: “Talvez não exista nenhuma outra habilidade que seja tão importante quanto a nossa habilidade nos relacionamentos”.

PORTAL: Qual a importância da liderança local levantar e treinar equipes?

THIAGO FREITAS: Temos um padrão que se repete em toda a Bíblia. Jetro vai visitar Moisés, e ele olha para o que Moisés está fazendo e diz a ele: “Você vai desfalecer e todo o povo vai desfalecer. Não é bom o que você está fazendo nem para você e nem para o povo” e Moisés respondeu: “Mas o povo vem até mim e eu tenho que resolver o que precisa ser resolvido”.  Então, Jetro dá um conselho a Moisés: “Levanta chefes de 1.000, de 500, de 100, e ai, você vai encarregá-los do trabalho e, se for algo muito urgente, que venha até você, tudo bem”. É bom lembrarmos que a igreja em Atos começou a crescer, as viúvas estavam esquecidas na distribuição, porque a igreja estava crescendo, e vemos que homens foram levantados para o serviço. Na última pesquisa que fiz, consegui identificar pelo menos 101 cooperadores que o apóstolo Paulo menciona em suas epístolas. Pessoas que auxiliaram de alguma forma e estavam presentes mais perto deles, como: Tito, Timóteo, Priscila e Áquila. Você vai ler as epístolas e também vê que Deus trabalha no Corpo de Cristo de forma semelhante ao corpo humano. E nosso corpo possui diferentes membros, ou seja, a mão, porque não é pé, não pode dizer: “Não preciso de você”. Paulo fala sobre isso em Coríntios 12 e também Efésios 4 dizendo em Coríntios: “Deus dispôs os membros do corpo colocando cada um deles no lugar que aprouve”. Então, Deus conta com cada um no Corpo de Cristo em seu devido lugar, para desempenhar tarefas dentro das habilidades, capacidades e graça que Deus libera a cada um para que façam o que precisa ser feito. Se você vai em Efésios, Paulo diz (aconselhando apóstolos, profetas, pastores e mestres) que o o objetivo é o aperfeiçoamento dos santos e o desempenho do seu serviço. Então, existe uma justa cooperação de cada parte e ninguém é dispensável. Devemos servir cada um com o dom que Deus nos deu. Ninguém faz nada sozinho. 

PORTAL: O que a igreja local ganha com uma equipe treinada?

THIAGO FREITAS: É importante uma liderança se cercar de pessoas que façam coisas que ela não faz muito bem. Um líder não sabe tudo. Ele vai precisar se cercar de pessoas e de uma estrutura que vai tocar em diversas áreas e vai trazer solução para coisas específicas que, talvez, ele não tenha tantas habilidades, conhecimento e aptidão para poder desenrolar. Por exemplo vou falar da minha liderança em Belo Horizonte, através do Apóstolo Marcelo Carvalho. Ele é genial nisso, porque é de uma expertise única, ele sabe se cercar de pessoas  que são diferentes dele, inclusive com personalidade diferente, mas ele sabe extrair das pessoas o que elas têm de melhor. Vou dar um exemplo prático: recentemente, como supervisor, ele estava tendo um desafio enorme em acompanhar os pastores com tantas igrejas crescendo (temos na região cerca de 30 igrejas), e ele não conseguia dar aquele apoio de perto a todos os pastores com a mesma qualidade, então, ele levantou um pastor auxiliar chamado Marcelo Barros, para dar suporte aos pastores auxiliares e ele está fazendo um trabalho maravilhoso com esses pastores. A igreja local e o Reino de Deus ganha com tudo isso com os departamentos crescendo de forma saudável.  

PORTAL: Sabemos que um líder precisa saber delegar e descansar. Que conselhos você daria a um pastor que tem dificuldades de delegar e descansar?

THIAGO FREITAS: O nosso querido Manassés Guerra escreveu um livro chamado “Líder para voar” e em um capítulo específico ele fala sobre a “Liderança além do umbigo”. Baseado nisso, um conselho que eu deixaria é que você, líder e pastor, seja mesmo essa liderança além do umbigo. Se você está investindo nelas, acredite e confie. Se escolheu alguém e sabe que ela é a pessoa para aquela posição, confie e deixe que a graça de Deus opere sobre a vida dela. Por exemplo, eu presto contas do nosso trabalho à liderança a respeito do que é feito, mas eles não ficam observando a gente o tempo inteiro, questionando: “E ai, o que está acontecendo, o que está fazendo?”. Eles confiam. Essa é a forma saudável de liderar.

PORTAL: Fale sobre a importância de termos literaturas cristãs e adquirirmos o hábito da leitura:

THIAGO FREITAS: É incrível, mas nunca fui uma pessoa de ler muito. É bom falar isso porque as pessoas pensam que fui aquele ‘nerdzinho’ que cresceu abraçado aos livros. Eu só fui despertado para a leitura depois que me converti (em 2005) e só então, foi despertado esse hábito. E, como todo hábito, se cria. Eu sou o tipo de leitor que, se não gostar do livro, abandono. Comecei a ler livretos com 70 páginas, no máximo. Fui tomando gosto pela leitura quando criei a rotina, é impressionante como o corpo humano gosta de rotina, e você se determina a ler tantas páginas por dia.

De fato, tem coisas que a gente gostava de fazer e fazia antes da conversão que, depois de convertido, tem que parar de gostar. E, tem coisa que, a gente não gostava de fazer antes da conversão que, depois de convertido, a gente tem que aprender a gostar.

A leitura é uma delas. Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Paulo disse a Timóteo: “Aplica-te a leitura, a exortação e ao ensino“. Você não vai transbordar para o povo algo que não tenha vivenciado primeiro. Recentemente, li uma pesquisa, não lembro os dados, mas é impressionante como ela mostrava o número de brasileiros que não leem um livro sequer. Crie o hábito e se force a gostar de ler.

PORTAL:  Você é o autor do livro; “Perigo, as consequências de não seguir a santificação”. Entre esses perigos que você trata, qual merece mais atenção?

THIAGO FREITAS: Hoje em dia, tem se pregado uma segurança de salvação que, não importa o que se faça ou como se viva, nada vai alterar o “sou salvo e ponto final”. O principal ponto que eu destacaria é que se não houvesse a possibilidade de se perder não haveria inúmeras advertências do perigo de se viver no pecado. Paulo disse: “Os que vivem segundo a carne caminham para a morte”. Eu não sei aonde vai esta estrada, mas ele deixa claro que o fim dela é a morte. O principal ponto que eu destacaria é esse. Às vezes, as pessoas se conduzem de uma forma leviana e irresponsável para o pecado, sem considerar as consequências do mesmo. Existe um tom de advertência na nova aliança a respeito do perigo de não seguir a santificação. 

PORTAL:  Como escritor e pregador você inspira pessoas. Mas quem o inspira? 

THIAGO FREITAS: Eu tenho alguns mestres que me abençoam muito no ministério. O primeiro deles que me ensinou muito, em 2010, que me impactou e impacta até hoje é o pastor da igreja em Curitiba (PR) Manassés Guerra. Além do pastor Marcelo Carvalho em Belo Horizonte (MG). Edilson de Lira e Manoel Dias também. E Thiago Borba que me ensinou Escatologia no Rhema em 2010. Me lembro que foi ali que tive aquele start para ensinar Escatologia e, 4 anos depois, em 2014, tive a experiência de ensiná-la. Isso é resultado da influência que recebi. Nosso Apóstolo Guto e Suellen Emery que me inspiram muito e não tem como não perceber o caráter, a vida de excelência que emana deles e transborda para a nossa vida. 

PORTAL: Qual o conselho você daria para a pessoa que está sendo treinada no ministério: 

THIAGO FREITAS: O mais importante conselho que eu destacaria é: se submeta aos processos. Não existe vara de condão, nem toque de mágica que no outro dia a pessoa esteja pronta para o ministério. A caminhada ministerial é feita de estações. Eu não comecei pregando. Comecei servindo na música, era o que eu sabia fazer. Antes de me converter tocava na noite, quando me converti a música foi meu primeiro passo. Não comecei pregando na Igreja Sede, vim de outra denominação e comecei ensinando na Escola Dominical para um grupo de 8, 10 pessoas. Se há alguns anos eu fizesse tudo o que eu faço hoje, com a maturidade que eu tinha, certamente teria sucumbido diante do peso da responsabilidade.

Respeite as estações, o tempo, cada fase. Por mais que você saiba por dentro aonde você vai chegar, você só chegará depois do processo.

Se chegar aonde deseja passando por cima de pessoas, sendo negligente e irresponsável com o processo você não vai durar muito tempo lá. Acumule na sua bagagem a experiência que cada processo acrescentará para o que Deus tem reservado para sua vida. Uma das coisas que Paulo fala que uma das coisas requeridas no ministério é não seja neófito para que não se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. É um perigo se alguém não tem a estrutura e a maturidade requerida para o lugar em que a gente vê que está.  

 

 

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