Lugar de proteção

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por Fernando Leal 

“Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4.22-24).

Quando nascemos de novo, nada aconteceu em nosso exterior. Porém, no Reino Espiritual, saímos das trevas para a luz. Nos tornamos conscientes de que somos seres espirituais. Entendemos, finalmente, que podemos escolher nos inclinar para a carne ou para aquilo que frutifica na eternidade.

O Pr. Bud Wright falava algo interessante: “Os frutos do espírito são mais importantes do que os dons”. E por quê? Bem, os dons podem fluir pontualmente através de qualquer um que Deus queira usar, mas os nascidos de novo são chamados para algo maior, para viver em uma comunhão com Deus, manifestando uma constante aliança com o Pai. Isso só é possível com uma vida santa.

“E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” (I Coríntios 3.1-4).

Perceba que, apesar da igreja de Corinto fluir nos dons,  faltava uma vida santa que permitisse a entrada dos seus membros em um nível maior. Perdiam tempo com contendas e fofocas. Isso é algo que não pode ocorrer em nosso meio. Quando escutamos fofocas sobre os outros, passamos a olhar as pessoas conforme as opiniões alheias. Quando andamos no espírito, olhamos as pessoas como Deus as vê. Eu tomei a firme decisão de não me influenciar por nenhuma opinião que não seja a do meu Pai. Se o problema não me diz respeito e nem tenho como resolver, não venha me contar.

Andar em santidade e andar no espírito se trata de algo muito maior do que saber versículos decorados. Se trata de ser a manifestação da Bíblia, ser o tipo de pessoa para quem olhamos e vemos cura, provisão, bondade, acolhimento e poder. Mais do que recitar a Bíblia, é preciso ser o testemunho vivo dela.

Essa Bíblia, que precisa estar viva em nós, diz que sem a santificação não veremos o Senhor. Temos a tendência de olhar para esse trecho pensando que se trata de contemplar o Senhor face a face na eternidade. Às vezes, eu penso que esse trecho é também sobre desfrutar do favor d’Ele e do fluir dos dons aqui na terra. Percebam que Israel, quando andava em obediência, andava também em saúde, favor, libertação e no que mais fosse necessário.

Ser santo nos garante esse lugar de proteção.

Lembro-me de um pastor contando sobre quando o seu filho estava na escola e outro adolescente lhe ofereceu drogas. O garoto, curioso, estendeu as mãos para experimentar. Quando fez isso, foi como se uma parede invisível tivesse sido levantada entre os dois, o que impediu que a droga chegasse ao adolescente. O garoto que oferecia o produto ficou assustado. O outro, na mesma hora, exclamou: “Isso é porque os meus pais oram por mim!”.

Em outra situação, que aconteceu em Arcoverde (PE), sequestradores tentaram capturar uma garotinha. Ao se aproximarem dela, a menina correu e gritou: “Saiam, em nome de Jesus!”. Ouvindo isso, os ladrões sentiram como se uma descarga elétrica se apoderasse deles. A menina, que era só uma garotinha, afirmou: “Cuidado! Eu tenho dono, viu?”.

Isso não é impressionante? Você tem dono também. Quando anda em santidade, você (e tudo o que lhe pertence) está sob proteção. Deus tem algo a ser feito na terra. Temos parte nisso e o nosso comportamento é fundamental.

“Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia” (João 15.15-19).

Nós vivemos em um mundo onde parece difícil demais manter a retidão e onde você atrai antipatia por decidir seguir os princípios de Deus. Precisamos nos manter determinados. Somos como submarinos. Um submarino, se ficar na superfície, não tem um propósito. Ele precisa estar em águas profundas, sem que nada do ambiente externo entre nele. Ali, ele é zona de proteção e segurança para que diversos profissionais façam os seus trabalhos.

Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Estamos aqui, mas não pertencemos a esse sistema. Estamos em um local de trevas, mas estamos sob uma graça e uma blindagem que nos ampara nessa caminhada. Precisamos estar aqui sendo “zonas interditadas do céu”.

Existem áreas que são mais difíceis para cada um de nós. Às vezes, em uma área determinada, algo não o afeta, mas pode prejudicar o irmão ao seu lado. Por isso, cada um de nós precisa identificar os pontos de gatilho que podem prejudicar a conexão com Deus.

Um ponto importante é o tipo de conexão que estabelecemos.

Nossos amigos nos inspiram a buscar a Deus ou lançam dúvidas sobre as nossas cabeças? A linguagem deles nos desperta fé ou incredulidade? Podemos estar em um círculo no qual não participamos de determinadas práticas, mas ver aquilo continuamente nos faz “normalizar o pecado”.

Isso é perigoso! Acredito que um dos nomes do mal, nesses últimos dias, será: “Isso é normal, todo mundo faz!”. Sansão caminhou sorrateiramente no pecado, até que um dia a unção foi cortada. E sabe o que é interessante? Sansão não é lembrado por sua força, mas por sua fraqueza.

Que você ande conforme a Palavra de Deus. Que você seja lembrado por sua força, não por sua fraqueza. Que você seja lembrado por voar, não por cair.

Quero que pense no adultério, por exemplo. Um homem não acorda ao lado de uma mulher estranha e se pergunta quem é aquela pessoa ou como aquilo aconteceu. Tudo começa com algo pequeno. Começa com uma mensagem ou com um envolvimento. O homem pode até dizer: “Não sabia que isso tinha má intenção por trás”. Sabia, sim! Mas não cortou. 

Deus quer nos levar a um nível maior. Ou soltamos o que pesa e avançamos, ou nunca entraremos nesse lugar. O Espírito Santo nos ajuda em nossas fraquezas.

Se o poder d’Ele tirou Jesus dos mortos, pode tirar a mim e a você de qualquer lamaçal de pecado.

Agora, tem gente que até a Deus quer enganar. Até para Ele, quer fingir. Oro para que tenhamos a humildade de constrangermos os nossos corações perante o Pai, pedindo ajuda para cada erro que não conseguimos largar sozinhos.

O diabo quer nos achar naquilo que possuímos debilidade. Lembro do testemunho de um garoto que ainda precisava tratar o problema com drogas. Ele ficava impressionado porque, ao sair na rua, tinha sempre alguém que aparecia do nada para lhe oferecer cigarro. Precisamos estar atentos, vigilantes sobre tudo o que busca nos tragar.

Quando Moisés encontrou a sarça ardente e se reconectou à santidade, ele não perdeu mais tempo fora do propósito. Nós não podemos perder tempo também. Da mesma forma que Moisés tirou as sandálias dos pés para adentrar em lugar santo, precisamos entrar nesse local sagrado, onde a presença do Pai é reverenciada e a intervenção divina acontece. Fomos feitos para esse lugar!

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