Seja como Paulo

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por Thiago Freitas (Belo Horizonte-MG)

“Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda[…]. Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém. Saúda a Prisca e a Áquila, e à casa de Onesíforo. Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto. Procura vir antes do inverno. Êubulo, e Prudente, e Lino, e Cláudia, e todos os irmãos te saúdam. O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém” (2 Timóteo 4.6-22).

Essa é a última epístola de Paulo, antes de ser morto pela espada romana. Ele sabia que ia morrer e suas últimas palavras são de consciência de dever cumprido, que fizera tudo o que Deus o chamou para fazer, “Eu combati o bom combate, eu completei a carreira e guardei a fé”

Mas quem era Paulo?  Apesar de degolado pela espada romana foi mais influente do que todos os Césares. Um homem que ainda hoje exerce influência sobre as nossas vidas. Um homem que foi instrumento de Deus para escrever a maior parte do Novo Testamento.

O Novo Testamento apresenta um quadro de um Saulo que era perseguidor. Saulo assolava a Igreja, entrava pelas casas arrastando homens e mulheres e os encerrava no cárcere.  Podemos conferir nas referências a seguir: Filipenses 5.6; Atos 22.3; Gálatas 1.14; Atos 9.1, 1 Timóteo 1.13; 1 Coríntios 15.9; Atos 8.3; Atos 9.21. 

Saulo era blasfemo, insolente e perseguidor. Mas indo na estrada para Damasco, uma luz subitamente brilhou do céu, e ele ouviu uma voz que dizia: “Saulo, Saulo porque me persegues?”. Ele pergunta: “Quem és Senhor?”. E, a voz responde: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Entra na cidade, que lá te dirão o que fazer”. 

Conforme escrito em  Atos 9.15, Deus trata com Ananias e ele ora por Saulo. Enquanto Ananias questiona, o Senhor bradou: “Ele é um instrumento escolhido para levar o meu nome”.

Saulo se converte e vai à região da Arábia e tem um intensivão de três anos com o próprio Jesus Cristo. Agora aquele zelo de fariseu vai ser transferido para o Messias. Ele vai enxergar o Cristo nas escrituras e vai transferir todo o seu zelo para o Cristo que ele perseguia.

Ele vai ser um promovedor da fé, um pregador da justiça.

Em Atos 3.4 vemos Paulo e Barnabé sendo enviados para a obra que o Senhor os tinha chamado. A primeira viagem missionária aconteceu na região da Galácia. Quando vão partir para segunda viagem missionária, eles têm a intenção de passar novamente por essa região, fortalecendo os irmãos, mas o Espírito Santo tinha uma agenda diferente. Eles tentaram pregar a Palavra, mas foram impedidos pelo Espírito Santo. E, durante a noite, Paulo tem uma visão de um macedônio que dizia: “Passe na Macedônia e ajude-nos”.

Eles chegam na Macedônia, jovens se convertem e são libertos, e depois disso, Paulo e Silas são lançados na prisão depois de muitos açoites. Por volta da meia-noite, eles cantavam louvores a Deus. Nesta noite, sobreveio tamanho terremoto que abriram-se as cadeias de todos. Mesmo depois de açoites e prisão havia em Paulo disposição para pregar para uma única família. 

Na terceira viagem missionária de Paulo, Atos 19, Deus fazia milagres extraordinários pelas suas mãos, a ponto de levarem lenços aos enfermos, diante dos quais as enfermidades e espíritos malignos saíam e as pessoas eram curadas. Depois de Atos 19, a Bíblia nos relata que o desejo de Paulo de ir à Jerusalém. Aqui as coisas tomam um rumo diferente. Ele reúne a liderança da igreja de Éfeso, o na ilha de Mileto, e faz um discurso de despedida, relatando como foi o seu comportamento desde o primeiro dia que chegou à Ásia. Ele fala aos irmãos que vai a Jerusalém, sem saber o que o acontecerá, se não o que o Espírito Santo o havia falado, que cadeias e tribulações o aguardavam.

Porém, ele relata aos irmãos, que em nada tinha sua vida como preciosa, contanto que cumprisse a carreira e o ministério recebido do Senhor. Eles não conseguiram convencê-lo do contrário, se ajoelham na praia, choram e o abraçam afetuosamente, principalmente porque sabiam que não o veria mais. 

Paulo estava pronto para morrer pelo nome do Senhor e a morrer por Ele, se preciso. Ele chega a Jerusalém e lá não tem salvação, relatos de milagres, de prisão. Porém, os romanos afirmavam que ele estava contra Moisés e, por isso, o espancaram. Ele é recolhido em uma prisão à noite, porém, Atos 3.11 relata que o Senhor Jesus se colocou ao lado dele e disse: “Coragem”.

Essa fase do mistério não parecia de sucesso, era um tempo de perseguição, mas Jesus o fortalece para que Paulo desse testemunho em Roma, como feito em Jerusalém.

“Coragem porque eu preciso de você em Roma, para cumprir aquilo que precisa ser cumprido, coragem para que você cumpra a carreira, porque eu preciso de você para fazer algo específico.”

Os judeus armaram para tirar a vida de Paulo, porém, ele foi tirado de Jerusalém e levado para a Cesaréia onde fica preso por dois anos. Ele pregou para os judeus, para os gentios, era o apóstolo dos gentios. Preso em Cesaréia pregou para governantes e reis. Ele conta a sua história diante de Félix, de Festo, e o próprio rei Agripa desce à Cesaréia para ouvi-lo. Não encontrando nada contra ele, cogitam soltá-lo, mas não o fazem porque Jesus o apareceu e disse que precisava da coragem e do testemunho de Paulo em Roma. 

Ele apela para César. Não atentando para o testemunho interior de Paulo, passam por uma viagem conturbada, dias sem saber se era dia ou noite, porém, o anjo do Senhor aparece e diz que nenhuma vida se perderia, porque Paulo precisava comparecer em Roma. 

Depois do naufrágio, Paulo ainda tinha disposição para orar pelos enfermos da ilha e todos foram curados. Seguem a viagem e, em Atos 28, temos o apóstolo em prisão domiciliar. Ele sai dessa prisão, deixa Tito em Creta, Timóteo em Éfeso, a política do mundo está mudando, e sem lamentos Paulo afirmava que as coisas que o aconteceram contribuíram para o progresso do Evangelho, ele não se lamentava. 

Preso não podia visitar gente, então ele escrevia cartas às igrejas. Mas o que o aconteceu? Foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, preso e açoitado em Filipos, escorraçado de Tessalônica, enxotado de Beréia, chamado de tagarela em Atenas, de impostor em Corinto, em Éfeso enfrentou feras, preso em Jerusalém e espancado, acusado em Cesaréia, em Roma chegou preso e algemado. Porém, ele escreve aos coríntios em 2 Coríntios 12.14 e diz: “Graças a Deus que sempre nos conduz em triunfo”.  

Preso no coração do império,  ele evangelizava os da casa de César. 

Paulo, desde que conheceu o Senhor, esteve profundamente comprometido com aquilo que Deus o chamou para fazer. Depois de tudo isso, a pergunta é: qual o nível do nosso comprometimento com aquilo que Deus conta conosco para fazermos? 

Nós estamos aqui para fazer um depósito e darmos algo para esta geração. A algo da parte de Deus que Ele espera que deixemos para ela. Muitas vezes estamos roubando a nossa geração e as gerações vindouras se Jesus não voltar, a nossa preguiça, a nossa procrastinação, a nossa negligência com o dom de Deus que há em nós. 

Estamos fazendo e entregando tudo que deveríamos entregar? Somos cooperadores de Deus. Existe uma razão, um propósito. Há um Deus que escreveu e determinou os nossos dias. A questão é, buscarmos o autor, o que o arquiteto colocou na planta dos nossos dias e nos submetermos ao que lá está colocado.  Nós temos condições de fazer o que quisermos, de estudar, se aprofundar e sermos o que quisermos, basta vencer a procrastinação, a preguiça. Mas há razão, propósito, chamado, dons específicos sobre a vida de cada um de nós. 

Não tente ser o que Deus não o chamou para ser!

Fazer o que você não foi chamado para fazer o mantém ocupado, mas não produz os resultados que seriam produzidos se você estivesse fazendo exatamente o que foi projetado para fazer.     

Não caia no engano da comparação.

A questão não é estar em evidência, é fazer o que Deus nos vocacionou para fazermos. É depositarmos e darmos aos outros aquilo que recebemos da parte de Deus, dons, talentos, unção, Ele colocou nas nossas vidas. 

Não sabemos o que carregamos dentro de nós.

Em um jovem cheirando a ovelhas, Deus viu um rei. Em uma prostituta, Deus viu a linhagem de Jesus. De um homem amortecido, de uma idade avançada de sua esposa, Ele viu uma multidão! É pela graça de Deus que podemos nos tornar o que Ele nos chamou para ser. Isso não tira o lugar da qualificação, do nosso empenho, diligência, mas vamos chegar a lugares que a graça de Deus já preparou para chegarmos.     

Nós vamos dar ao mundo aquilo que Ele colocou em nós!

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