O trabalhar do Espírito

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por Tony Cooke

O seguinte artigo foi retirado do livro de Tony Cooke, Os Milagres e o Sobrenatural ao Longo da História da Igreja.

É bom ter em mente a demarcação que Jonathan Edwards fez. Ele frequentemente fazia diferenciação entre as obras “comuns” do Espírito e Suas obras “extraordinárias”. Se acontecer de você possuir fortes dons em relação às obras “extraordinárias”, ou se for uma época de “sinais” notáveis, isso é maravilhoso. No entanto, você sempre pode se concentrar em fazer sua parte nas obras “comuns” do Espírito, independentemente de quaisquer manifestações ou dons notáveis estarem ocorrendo naquele momento ou não.

Quando Edwards assumiu seu pastorado em Massachusetts, seu antecessor disse a ele que eles haviam experimentado temporadas de avivamento excepcional 57, 53, 40, 24 e 18 anos anteriores àquele em que estavam, com três estações de ondas mais fortes. Essas foram épocas de derramamentos extraordinários do Espírito Santo com resultados incomuns ocorrendo. Mesmo enquanto Edwards pastoreava lá, eles não obtiveram avivamento ininterrupto. Isso é consistente com o fenômeno frequentemente observado de que avivamentos dados pelo Espírito e derramamentos especiais tendem a ser de natureza cíclica ou sazonal.

O que os ministros e crentes devem fazer quando não é uma daquelas “temporadas de pico” de derramamento espiritual? Isso pode não ser exatamente o que Paulo tinha em mente quando escreveu essas palavras, mas sua admoestação a Timóteo parece uma resposta muito apropriada: “Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina” (2 Timóteo 4:2). Independentemente da época em que estamos, seja uma época de avivamento ou não, seja uma época de derramamento poderoso ou não, existem responsabilidades cristãs básicas nas quais todos devemos estar diligentemente engajados.

Por exemplo, Lucas provavelmente nunca nos teria apresentado Dorcas no livro de Atos se ela não tivesse ressuscitado dos mortos. Certamente, nos regozijamos de que Deus tenha usado Pedro para realizar um milagre tão notável, mas Lucas também menciona: “Ela usava todo o seu tempo fazendo o bem e ajudando os pobres” (Atos 9:36 NTLH). Antes de Pedro ressuscitá-la dos mortos, “Todas as viúvas ficaram em volta dele, chorando e mostrando os vestidos e as outras roupas que Dorcas havia feito quando ainda vivia” (Atos 9:39 NTLH). Existe uma tendência de colocar milagres em um pedestal e ignorar obras “básicas” de amor e bondade. Acredito que Jesus valoriza tudo o que é feito em Seu nome, para Sua glória.
 
Antônio (251-356 d.C.) expressa bem toda essa linha de pensamento:

“E não convém gloriar-se da expulsão de demônios, nem ser exaltado pela cura de doenças; nem convém que somente aquele que expulsa demônios seja altamente estimado, enquanto aquele que não os expulsa seja considerado nada…. Pois a operação de sinais não é nossa, mas obra do Salvador”.
 
Bem no meio da lista de 1 Coríntios 12, em que Paulo está listando os cinco dons ministeriais do Espírito, como apóstolos, profetas, milagres e curas, ele também inclui “socorros” (1 Coríntios 12:28). Vários pastores me contaram que, por vezes, pessoas vão até eles – muitas vezes, pessoas que o pastor nem conhece – e dizem algo como: “Pastor, se você precisar que eu pregue para você, estou disponível”.

Alguns pastores respondem compreensivelmente a essas ofertas: “Nós realmente não precisamos de ajuda no púlpito agora, mas com certeza precisamos de ajuda para limpar o prédio”. Na maioria das vezes, essas pessoas desaparecem muito rapidamente! Alguns estão dispostos a servir desde que estejam em uma posição de alta visibilidade, mas não possuem interesse em trabalhos dos bastidores. Às vezes, ser “espiritual” aparece mais vividamente no serviço humilde, obscuro e prático que é feito nos bastidores da igreja.
 

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