A Igreja é indestrutível

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por Paulo Pimenta (Montes Claros-MG)
*Pastor da Igreja Verbo da Vida 

Nessa afirmação, obviamente não estou me referindo a instituições religiosas. Estou me referindo ao Corpo de Cristo, a todos os que, em algum dia e por qualquer motivo, arrependeram-se de suas obras mortas e creram no nome de Jesus.

É impossível destruir a fé no Filho de Deus. E a história prova isso.

O Corpo de Cristo – dessa vez, literal – foi alvo da primeira tentativa diabólica de frustrar os planos divinos de salvação através da Igreja. Jesus é o cabeça da Igreja, e esse foi o primeiro golpe desferido para destruir esse projeto de Deus. O Corpo de Jesus foi destruído, “moído pelas nossas transgressões”, como profetizou Isaías 700 anos antes do ocorrido.

Se Jesus é a cabeça que não pôde ser destruída, como seria possível destruir outras partes do corpo?

Certamente, esse foi o pensamento dos discípulos, que tinham visto e ouvido sobre os golpes desferidos contra Jesus e puderam testemunhar sua ressurreição. Se a cabeça foi golpeada, destruída e depois glorificada, assim será com qualquer outra parte do corpo. “Se com Cristo morremos, com ele viveremos”, disse o apóstolo Paulo. E foi nessa fé que os apóstolos se tornaram mártires, que os pais da igreja se tornaram mártires, e que por quase 300 anos a Igreja foi perseguida por todo o Império Romano.

Não importava! Se Jesus ressuscitou, nem mesmo a morte é capaz de nos parar! Seu corpo literal foi glorificado, então seu corpo espiritual também será!

A Igreja é indestrutível!

Logo após a perseguição romana, a Igreja enfrentou outra circunstância: a institucionalização e perversão da fé. A Idade Média – ou Idade das Trevas – foi crucial para a expansão territorial da Igreja, mas o preço foi alto: gradativamente, o nível moral, o nível de fé, o nível de santidade real através da prática do amor sacrificial caiu a um ponto que poderia trazer desesperança até ao crente mais fervoroso.

Como lidar com algo tão poderoso quanto a Igreja Católica Romana medieval e suas inquisições? Parecia impossível! Alguns homens cheios de fé tentaram e foram martirizados – dessa vez pela própria Igreja. O Corpo de Cristo estava acometido de um câncer generalizado, em metástase. A instituição “igreja” estava mais forte que nunca, mas a Igreja, a fé cristã, estava ferida de morte.

Porém, mais forte que a doença é o remédio! O espírito reformador já se espalhava há alguns anos pela Europa. A Igreja estava doente, mas não estava morta! O dia 31 de outubro, de 1517, foi um marco, quando Martinho Lutero publicou suas 95 teses. Fato é que o Espírito Santo nunca se calou, nem no período mais nebuloso de nossa história. Porém, as circunstâncias naquele século eram diferentes, e a verdadeira fé em Jesus começou a ser reestabelecida.

Passo a passo, a Reforma foi trazendo da Bíblia o espírito da fé que tanto incendiou os primeiros discípulos, que não se preocupavam com suas vidas e destinos, mas tinham os olhos fixos somente no reino, na ressurreição, na eternidade! O espírito de urgência de salvação, de pregação das boas novas, reavivou a fé no Velho e no Novo Mundo. De Lutero, Calvino, passando por John Knox, John Wesley e William Seymour, dentre tantos outros.

Mas, os golpes nunca pararam de ser desferidos contra o Corpo. Surgiram filosofias e pensamentos anticristãos que culminaram em uma nova perseguição ao cristianismo em estados totalitários. Tanto ideologias políticas que pregavam o fim de qualquer religião quanto ideologias que pregavam que apenas a religião deles poderia ser praticada.

Junto a isso, nas outras partes do mundo, permanecem aqueles que tentam se apropriar do nome de Deus, da resistência da Igreja, para tentar emplacar seus projetos diabólicos, fingindo eles mesmos serem ela. A esses, Jesus chamou de “lobos devoradores”.

O modo de operação do diabo é conhecido e cíclico, através da história: primeiro ele tenta intimidar, ameaçar de morte e sofrimento, desferindo golpes no Corpo pelo lado de fora, por meio de açoites. Se isso não der certo, ele tenta se associar à fé, perverter o “novo mandamento” do amor e agredir o Corpo de Cristo por dentro, como um câncer.

Mas a Igreja é indestrutível! Não existe nada, externo ou interno, que pode matar o corpo. Não existe ideologia, política ou lobo que possa destruir o indestrutível. Jesus reinará, e seu Corpo reinará com Ele. Podemos passar por tribulações neste tempo, sim, por causa dos golpes.

Mas, se morrermos com Ele, com Ele viveremos! Esse é o espírito da Igreja. É sobre esse fundamento que nossa fé prevaleceu. Não existe nada neste mundo, nenhuma arma forjada que possa roubar o nosso destino. Jesus disse, “está consumado”, então consumado está!

Nós somos indestrutíveis. E se assim somos, assim devemos nos posicionar perante o mundo. Assim devemos lutar. E com quais armas? Com a única arma que temos. A única arma que é capaz de lutar contra tudo e triunfar sobre todos. Essa arma é o amor sacrificial!

A Igreja não é indestrutível porque é numerosa, ou porque domina países. A Igreja é indestrutível porque ama! Quando a Igreja para de andar em amor, acaba cedendo espaço ao inimigo e perdendo sua força, dando lugar aos lobos devoradores.

Andando no amor de Cristo, somos indestrutíveis, ainda que sejamos perseguidos, machucados, até mesmo mortos.

Por isso, fique tranquilo! Não existe nada que possa ser feito contra aquele que anda em amor, pois quem anda em amor já tomou a sua decisão de se tornar eternamente indestrutível!

“Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará” (Lucas 9.24).

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