Não pule fogueira

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Lucas Oliveira

por Lucas Oliveira
*Professor do Centro de Treinamento Bíblico Rhema

Nesta época do ano, em várias partes do Brasil, em especial no Nordeste, há aquela tradição de acender fogueiras. Em Campina Grande (PB), cidade sede do Ministério Verbo da Vida, é comum olharmos para o céu e vermos diversos pontos de fumaça, em determinada noite de junho. As pessoas aproveitam o fogo para assar milho, pular de um lado para outro, acender fogos, entre outros.

Mas, se voltarmos a origem desta tradição milenar, veremos que o objetivo de acender uma fogueira é se aquecer em baixas temperaturas. Aquecer é sinônimo de ferver e fervor (de espírito) é um dos nossos valores. É como o exemplo da água que tem uma temperatura natural. Para ela ser aquecida, leva um tempo (a não ser que já esteja quente) e passa por etapas. A mudança de temperatura começa a mexer com a estrutura da água: as moléculas se movimentam, bolhas sobem, borbulham, saltam… até evaporar e ter seu estado, finalmente, alterado.

Com o crente acontece do mesmo jeito; à medida que você for esquentando por dentro, coisas vão mexendo em você até fazer barulho. As línguas que chegaram em Pentecoste à igreja foram como fogo (Atos 2.3). O primeiro sinal de um crente cheio do Espírito, o primeiro sinal sobrenatural que a igreja mostrou ao mundo foram línguas, a linguagem do Espírito (Atos 2. 5-12). O próprio Jesus colocou as línguas como um sinal de evangelismo em (Marcos 16.17).
 
Em nossos dias não é diferente. Na carta mais longa que Paulo escreveu à igreja (em Roma), ele trouxe aplicações práticas de um crente justificado, em como deve se posicionar no Corpo de Cristo. Em determinado trecho, fala sobre consagração, renovação da mente, a importância dos dons na igreja e diz:

“Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor (Romanos 12.11 – ACF).

Além desse versículo na versão Almeida Corrigida e Fiel, vejamos também outras versões que trazem alguns termos semelhantes e enaltecem a importância de se manter fervoroso: 

ALMEIDA REVISTA ATUALIZADA – não sejais remissos

BÍBLIA LIVRE – “não sejais lentos naquilo que é importante; sede ardentes de espírito”

BÍBLIA DIFUSORA – “deixai-vos inflamar pelo Espírito (Santo)”

De acordo com o dicionário bíblico Strong, remisso é algo lento, indolente, para trás. Tem a mesma origem grega da palavra que caracteriza um preguiçoso. Algo sem movimento, devagar. Acredito que você concorda comigo que só pode ser lento o que não está se movendo direito. Entretanto, tudo o que entra em contato com o fogo, entra em movimento. 

É aí que Paulo diz para sermos fervorosos. Atente que ele não diz para ESTARMOS fervorosos, mas para SERMOS fervorosos. Está falando de origem, de essência, no nosso caso, da nossa origem espiritual, assim como Jesus explicou para um mestre da lei  (João 3.5). Quando você é fervoroso, está pronto para servir. Esse serviço está condicionado a uma pessoa que se coloca na posição de um escravo, alguém que tem um dono, um senhor, na condição da igreja, o Senhor. Inclusive, no começo dessa carta, Paulo se coloca como escravo, servo, de Cristo (Romanos 1.1).

O apóstolo também disse coisas semelhantes à igreja em Tessalônica, porém, de outra forma. Vejamos a ligação de alguns versículos e depois uma continuidade na instrução para igrejas que necessitavam desse fervor. A versão Almeida Revista e Atualizada para ambas diz: 

“Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes” (Romanos 12.12).

“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias”
(I Tessalonicenses 5. 16-20).

NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje) –  não atrapalhem a ação do Espírito Santo;

TNM (Tradução do Novo Mundo) – não extingais o fogo do espírito;

VIVA – não abafem o Espírito Santo;

Acima podemos ver diferentes termos usados para o versículo 19. Todos trazem a mesma ideia: primeira coisa que Paulo levanta como fator para apagar o espírito é a PROFECIA (no caso, não considerar a voz, a unção profética). Aquilo que borbulha, que tem som, que faz barulho. É por isso que precisamos nos manter fervorosos.

Apagar o fogo do espírito pode nos levar a uma condição de surdez espiritual. 

Como se manter fervoroso?
 
Aproximando-se do fogo! Por isso, não pule a fogueira do Espírito, mas vá ao fogo para se aquecer, se manter fervoroso. Além de aquecer, o fogo serve para afastar predadores. Se nos mantivermos sempre perto do fogo, o inimigo que está por perto buscando a quem devorar (I Pedro 5.8) passará bem longe. 

É uma oração fervorosa que vai fazer com que as respostas cheguem, com que o poder desse fogo manifeste. Filipenses 4.6 diz que diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica sejam conhecidas”. Súplica nada mais é do que uma oração fervorosa! Não é a temperatura externa que vai regular as nossas orações, mas o fervor de espírito é que vai controlar a temperatura externa.  

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