O Preço da Liderança

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Rafael-1Rafael Solyon Keidann

Pastor da Igreja Verbo da Vida em Santa Catarina

A mulher de Manoá, que era estéril, recebeu uma grande notícia: ela engravidaria e daria à luz a um filho, Sansão. Este filho não seria um homem qualquer, mas alguém consagrado a Deus desde o nascimento, pois nasceria com uma missão divina: libertar Israel das mãos dos filisteus, após 40 anos de sofrimento. Por esta razão, diferentemente de outras mães, ela recebeu diversas orientações de como deveria criar seu filho.

Os israelitas voltaram a fazer o que o Senhor reprova, e por isso o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos. Certo homem de Zorá, chamado Manoá, do clã da tribo de Dã, tinha mulher estéril. Certo dia o Anjo do Senhor apareceu a ela e lhe disse: “Você é estéril, não tem filhos, mas engravidará e dará à luz um filho. Todavia, tenha cuidado, não beba vinho nem outra bebida fermentada, e não coma nada impuro; e não se passará navalha na cabeça do filho que você vai ter, porque o menino será nazireu, consagrado a Deus desde o nascimento; ele iniciará a libertação de Israel das mãos dos filisteus”.  (Juízes 13:1-5)

Ao receber a notícia de sua mulher, Manoá compreendeu que seu filho seria alguém especial, por isso fez questão de procurar o anjo do Senhor para receber maiores esclarecimentos sobre como deveria criá-lo.

“Quando as tuas palavras se cumprirem”, Manoá perguntou, “como devemos criar o menino? O que ele deverá fazer?” O Anjo do Senhor respondeu: “Sua mulher terá que seguir tudo o que eu lhe ordenei. Ela não poderá comer nenhum produto da videira, nem vinho ou bebida fermentada, nem comer nada impuro. Terá que obedecer a tudo o que lhe ordenei”. (Juízes 13:12-14)

Quando criamos filhos especiais – com propósitos celestiais – precisamos aprender a criá-los de acordo com os princípios e padrões celestiais. Isso não se refere somente aos hábitos e alimentos do filho, mas também à vida dos pais.

Não sei se você reparou nisto: Sansão seria consagrado a Deus desde o seu nascimento, mas sua mãe é quem deveria se privar de certas coisas. Consequentemente, a santidade do filho estava ligada à abstinência da mãe.

Durante o período da gestação é muito comum as mulheres abrirem mão de certas comidas ou atividades para evitar dano ao seu bebê. Mesmo sendo coisas lícitas, agradáveis e do seu hábito, é preciso abrir mão delas visando o benefício do fruto do seu ventre.

Isso me lembra do ensinamento de Paulo aos coríntios:

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine. (1 Coríntios 6:12)

“Tudo é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo é permitido”, mas nem tudo edifica. (1 Coríntios 10:23)

Como líderes e ministros de Deus estamos constantemente gerando ou criando filhos espirituais. Precisamos compreender que a nossa santidade vai refletir diretamente na vida deles!

Existem coisas que deixamos de fazer, não por ser pecado, mas simplesmente pelo zelo com as vidas que estão sendo geradas por nós! É por causa dos filhos! Nós nos privamos de coisas por amor aos filhos que estão sendo gerados!

Será que é religiosidade pedir a um ministro que ele se prive de bebidas alcoólicas? Será que é um exagero pedir para cuidar a forma com que se veste? Será que é intromissão pedir que não se relacione com o sexo oposto da mesma forma que os ímpios? Desde quando santidade é um assunto que perdeu a sua validade?

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha [todo o peso, acessórios inúteis] e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta. (Hebreus 12:1)

Não há dúvida de que precisamos nos livrar do pecado que nos envolve (embora alguns ainda tentem justificar certos pecados utilizando a própria Bíblia para isso). Qualquer um faz isso. O que diferencia um ministro realmente interessado em abençoar aqueles que estão sendo gerados pelo seu ministério é a decisão de abrir mão daquilo que atrapalha (ou pode vir a atrapalhar), deixar de lado aquilo que pode ser considerado um peso ou acessório inútil.

Se o seu coração está realmente voltado para as vidas que estão sendo alcançadas pelo seu ministério, eu te convido a perguntar com sinceridade ao Pai: “como devo criá-los?”. Depois disso, esteja pronto a ouvir, ouvir e obedecer.

Ser um líder exige muito mais do que ser um liderado. Você está disposto a pagar o preço da liderança?

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