Quem você pensa que é?

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por Janielle Medeiros (Recife-PE)
*Graduada da Escola de Ministros Rhema  

Após nascermos de novo, precisamos dia a dia termos a nossa identidade em Cristo consolidada pelo Espírito Santo e a Sua Palavra, pois essa é a base para vivermos a vida de Deus: corresponder à nova natureza recriada n’Ele, identificando-se com Jesus. Mas não sabemos quem somos até o Espírito de Deus nos mostrar e nos convencer disso.

Precisamos nos expor à Palavra de Deus e permitir que Ele nos ensine. É importante frisar que o que consolida a nossa identidade em Cristo não é o tempo ou o quanto se conhece da Palavra de Deus, mas sim, o quanto dela guardamos e vivemos. Somos o que acreditamos ser!

“Porque, como imaginou no seu coração, assim é ele”(Provérbios 23.7).

A forma como nos vemos é determinante para nosso sucesso! Por exemplo: uma pessoa que pensa não conseguir boas oportunidades na vida, quando aprende a se ver na perspectiva de Deus, vai aprender a abraçar as melhores oportunidades, pois n’Ele ela entende que tudo pode; ou, ainda, se ela tem baixa autoestima e não tem relacionamentos saudáveis, a partir do valor que Deus a dá, em Cristo, ela vai se valorizar, “elevando-se ao nível d’Ele” e sendo mais seletiva em suas associações. Talvez, o problema sejam os hábitos relacionados à sua saúde, mas quando se entende que o seu corpo é a morada do Espírito, o amor próprio, naturalmente, passará a ser melhor cuidado. Em resumo, as coisas que não nos fazem bem vão sendo deixadas para trás à medida que vamos aprendendo (sim, isso é um processo de aprendizagem) a nos identificar com Jesus e não com as pessoas.

“Se nos identificarmos com Jesus e com Sua opinião a nosso respeito, não teremos crises de identidade” (Joyce Meyer).

Em relação ao nosso propósito em Deus, é crucial que saibamos quem somos em Cristo para cumpri-lo e viver a boa vida que Ele tem para nós. Veja o exemplo do próprio Jesus, Ele despertou inveja e ira entre os fariseus e líderes religiosos da época, por expressar tamanha autoconfiança acerca de quem era: o Filho de Deus! De todos os lados, foi questionado a respeito de Sua identidade, e, se tivesse duvidado disso, muito provavelmente, Seu desfecho seria outro: talvez não tivesse ido à cruz e, dessa forma, comprometido o Seu destino e o de toda humanidade!

Já imaginou que, agora, nesse exato momento, o seu futuro e o de muitas pessoas estão dependendo da sua decisão de acreditar no que Deus disse ao seu respeito e, consequentemente, de sua escolha em posicionar-se corretamente nisso? Já pensou que sua negligência em crescer no conhecimento da Palavra ao seu respeito pode comprometer seriamente sua vida e a de quem você ama?

O ambiente e as associações que temos podem nos impulsionar ou comprometer o plano de Deus para nossa vida. Penso que quando Deus mandou Abraão sair do meio de sua família, do lugar em que vivia e de tudo que ele conhecia e estava acostumado, para ir para o lugar que Ele o mostraria (Gênesis 12.1), foi para que nada do seu passado o influenciasse e comprometesse o Seu plano para ele. Deus queria “zerar” a forma errada como Abraão se via sob a expectativa de sua família e amigos. Imagina um homem já velho e sem filhos, dado como infértil, passar a se ver como pai de multidões?! Deus precisou, por dias e dias, imprimir a visão da descendência que tinha prometido a Abraão, estimulando-o a contar as estrelas e os grãos de areia para expandir sua visão. Ele precisou mudar a visão que tinha de si mesmo enquanto recebia a influência direta de Deus, fortalecendo sua fé e aprendendo a se ver além do que seus sentimentos diziam.

Porém, Abraão levou seu sobrinho Ló com ele (obedeceu parcialmente) e as coisas não fluíram até que esse sobrinho tomasse seu rumo e se afastasse. Imagina o conflito que ele viveu: de um lado Deus falando algo e do outro, tudo que seu sobrinho representava ser contrário a sua fé. Moral da história: não podemos avançar para o futuro abraçados ao nosso passado; nem avançar para o novo de Deus apegados ao que estamos acostumados e ao que nos é cômodo e comum. Isaías nos apontou bem isso:

“Não fiquem lembrando o que aconteceu no passado – isso não é nada comparado ao que Eu estou para fazer, uma coisa completamente nova! Algo que eu já comecei a realizar; será que vocês ainda não perceberam?” (Isaías 43.18,19).

Eu estava nadando há alguns dias numa piscina com cerca de 1 metro de profundidade, ou seja, se ficasse em pé estaria segura, porém, em um determinado local, a profundidade aumentava, tornando-se seguro somente para quem, de fato, sabe nadar. Então, quando eu estava nadando e passando pelo ponto de transição entre as duas profundidades, o Senhor me falou que, espiritualmente falando, é muito cômodo estar no raso, confiando em nossa força, mas os caminhos que nos levam ao nosso propósito de vida estão nos lugares profundos, onde acessamos somente por fé, e isso, somente é possível, confiando no que Deus diz sobre nós, a respeito de quem somos, do que podemos e do que temos n’Ele.

De fato, a vida no Espírito é imprevisível e não se apoia em familiaridade ou no que nos é comum. Somente os que sabem quem são em Cristo se arriscam a “nadar” nas águas profundas do Espírito e viver a vida projetada por Deus para cada um.

“O vento sopra onde quer, você escuta o seu som, mas não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim ocorre com todos os nascidos do Espírito” (João 3.8).

A profundidade das águas que você vai “nadar” depende diretamente da consciência da identidade de quem você é em Cristo. Disso, vai depender a confiança para se lançar no desconhecido e explorar tudo que está separado no Espírito para mim e para você. Paulo, na carta aos Efésios, retratou bem sobre esse convite para esmiuçarmos essa dimensão no Espírito:

“Peço a Ele que, cheios do amor, vocês sejam capazes de participar, com os demais seguidores de Jesus, da dimensão insondável do amor de Cristo. Experimentem a largura! Testem seu comprimento! Subam às alturas! Vivam uma vida cheia da plenitude de Deus”. (Efésios 3.18,19 – A Mensagem)

E então? Quem você pensa que é?

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