Você tem fome de quê?

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por Janielle Medeiros (Recife-PE)
*Graduada da Escola de Ministros Rhema 

“Como criancinhas recém-nascidas, desejando sempre o puro leite espiritual, para que, bebendo dele, vocês possam crescer e ser salvos” (I Pedro 2.2).

A música de Titãs nos questionava sobre o que de fato temos fome. Caso um bebê pudesse responder a essa pergunta, certamente, ele diria que queria o leite materno. Sempre ouvi dizer que amamentar é algo único, um momento mágico de conexão e criação de vínculo entre a mãe e seu filho. Segundo a Sociedade Goiana de Pediatria, este ato traz benefícios mútuos. Para o bebê, além de proporcionar maior intimidade com a mãe,  melhora a digestão e minimiza as cólicas, quanto maior o tempo de amamentação mais desenvolve a inteligência, reduz o risco de doenças alérgicas, estimula e fortalece a arcada dentária. Além disso, traz consolo, segurança, autoafirmação, aceitação e muito mais.

Tem sido gratificante e um aprendizado contemplar a rendição de minha filha em meus braços enquanto a amamento, o seu olhar sincero e é recompensador vê-la saciada ao final de tudo! É interessante pontuar tudo isso e relembrar que, há poucos meses, quando estava no final da gestação, ficava me perguntando em que momento, de fato, o leite materno desceria e como se daria esse acontecimento. Fui estudar sobre o tema e descobri que a apojadura, nome que se dá a descida do leite, é algo extraordinário, orquestrado pelos hormônios prolactina e ocitocina.

Algo cronometrado por Deus. Inicialmente temos o colostro,  riquíssimo em proteínas e anticorpos, mas até os cinco dias após o nascimento do bebê, a apojadura ocorre. É um evento maravilhoso, pois no leite materno estão contidos todos os nutrientes necessários desenvolver o bebê nos seus primeiros meses de vida, segundo o Ministério da Saúde. Amamentação exclusiva até, pelo menos, os seis primeiros meses. Esse é o plano! Como num passe de mágica, quando o bebê nasce, ele procura o seio materno, e lá se acalma e se satisfaz. É algo instintivo!

No versículo acima, Pedro usa a analogia do aleitamento para nos mostrar o posicionamento correto que devemos ter em relação à Palavra. Ele está falando de relacionamento! Relacionamento saudável que requer de nós desejo, disposição para estar junto, determinação e tempo, seguidos de humildade para reconhecer a nossa Fonte de vida, confiança e rendição. E assim, como é naturalmente, é durante esse momento que a intimidade é gerada, o vínculo estabelecido e a vida eterna experimentada. João retratou bem a importância do relacionamento com o Senhor, quando registrou as palavras de Jesus sobre a importância de conhecer (reconhecer, experimentar):

“E este é o meio de obter a vida eterna – conhecer o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, que o Senhor enviou à terra!” (João 17.3- Bíblia Viva).

Cada ser humano, precisa saber do quanto é amado, aceito, ter senso de pertencimento, saber que vale a pena e sentir-se seguro, pois bem, encontramos tudo isso e muito mais e não há outro amor maior que o que Deus demonstrou em nós através de Cristo. Como podemos ignorar esse amor por nós? Acredito que a origem dos problemas que acumulamos está em não saber receber do que Ele tem para nós, cada dia, uma porção d’Ele, e isso, somente é possível através de intimidade através do Espírito de Deus e de Sua Palavra.

Diante de tantos benefícios citados no início, vale a pena o esforço para que nada interfira e comprometa o aleitamento materno. Para isso, é  muito importante seguir se informando sobre amamentação, pois é de total ajuda o conhecimento nessa fase que traz consigo tantos questionamentos. Um ponto polêmico que destaco, e que traz muitas vezes culpa aos pais, é o comprometimento da amamentação por oferta ao bebê de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras. 

Li que alguns estudos alertam que, nos primeiros seis meses de vida do bebê, deve ser evitado o uso de mamadeira e principalmente chupeta, para que ele não confunda com o bico do seio materno e corra o risco de abandonar a amamentação. Tenso! Segundo alguns especialistas, o bebê pode confundir os bicos artificiais com o mamilo e ter a sucção no seio materno comprometida, uma vez que é mais cômodo para ele, por envolver menos músculos e menor esforço, preferir os bicos artificiais. Mas de fato, há muitos bebês que, precocemente, deixam de mamar após o uso de chupeta, e são privados de tantos benefícios. Agora vá dizer isso a uma mãe e um pai, que vendo seu filho chorando não deve usar uma chupeta para consolá-lo!

Acredito que Pedro, quando foi inspirado pelo Espírito Santo a registrar esse versículo, sabia que existem “chupetas espirituais” que comprometem o nosso relacionamento com nosso Pai, por desviar nosso foco de Sua Palavra. Esse comprometimento acontece quando se deixa de receber adequadamente o poder contido na Palavra ministrada a nós pelo Espírito. Sabe quando nos matriculamos na academia e não vamos, mas achamos que estamos até mais magro e quase fitness só por nosso nome estar lá? Você não sabia? Isso acontece e Freud deve explicar!.

Seguindo esse raciocínio, podemos ser tentados a achar que estamos bem espiritualmente quando vamos aos cultos, nos portamos como “evangélicos”, cumprimos nossas escalas nos cultos, damos o dízimo, mas por dentro, estamos vazios, ansiosos famintos da Presença, carregando muitas vezes, uma culpa, ou um senso de injustiça e inferioridade que já não nos cabe! Sim, cada um de nós nasce espiritualmente, mas trazemos uma carga em nossa alma, de pensamentos desalinhados à Palavra que precisam ser ajustados conforme Romanos 12.1,2 nos recomenda, disso, depende nossa vida, a questão está em termos consciência disso.

De forma sutil, começamos a substituir a graça por obras que nos justifiquem (novamente!). Já não existe mais prazer em ler e estudar a Palavra de Deus, meditar nela? Impensável, afinal, às vezes, estamos tão ocupados em parecer espirituais, que esquecemos de fato, de ser. De repente, estamos agindo na carne, tentando fazer coisas para Deus para merecer Seu amor. Segundo o IBGE, o número de evangélicos tem aumentado nos últimos anos.

Em 2020, o Instituto de Pesquisa Datafolha publicou nova pesquisa, informando que eles representariam 31% da população brasileira, o que à época equivalia a 65,4 milhões de pessoas. Paralelamente, nosso país é o maior em taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto país em casos de depressão. Isso nos leva a entender que muitos que estão vivendo esse quadro de ansiedade estão dentro do Corpo de Cristo. Cristão fracos que estão causando problemas oriundos de sua imaturidade, em vez de trazerem soluções esperadas pelos adultos fortes na Palavra.

“Clamem por mais, como um bebê chora por leite. Comam a Palavra de Deus. Leiam-na, pensem nela e cresçam fortes no Senhor” (1 Pedro 2.2 – Bíblia Viva).

Estamos acomodados com a religião que nós criamos, onde nós somos o deus com o jeito nosso de fazer as coisas, e depois nos encontramos “sem rumo” e sem frutos, pois, achando que estamos fazendo a coisa certa para Deus, nos perdemos d’Ele e de nós mesmos. Acredito que muitos de nós, apesar de crentes, nascidos de novo, parece que insistimos em nos manter com o nosso velho autoconceito.

É tempo de ficarmos espertos e admitir com extrema honestidade para nós mesmos, que a “chupeta” não nos cabe mais: precisamos estar com Ele para crescermos em nosso caráter e crescer à semelhança de Cristo, cumprindo assim o nosso propósito na vida. Seja responsável consigo e não deixe nada atrapalhar essa jornada tão pessoal, lembrando de que o que é parecido, não é igual! Precisamos deixar nossa fome pela presença d’Ele falar mais alto e somente nos submeter Àquele que nos farta com Sua vida.

 

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