Verbo FM

Ministros são humanos

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João Alexandre
Pastor da Igreja Verbo da Vida em Manaus

Ministério é uma oportunidade concedida por Deus para ajudarmos aos homens a viverem o melhor de Deus. Até porque, a própria palavra “ministro”, etimologicamente falando, significa servir. Não se decepcione, é isso mesmo, servir, não tem nada a ver com autoritarismo ou uma posição social entre os demais irmãos como se fosse uma “Tropa de elite”, mas de servos.

O que não podemos esquecer é o fato de Deus chamar homens, indivíduos, sem agredir suas personalidades, para que sejam úteis a fim de ajudar as pessoas a serem melhores do que são. Isso me tranquiliza, porque a igreja não é um lugar de gente já aperfeiçoada, mas de seres que querem ser melhores do que são. Assim é fácil entender que o propósito do ministério é de fato cuidar de gente. E quando me refiro a gente, aponto para pessoas e não paredes, nem tampouco para bancos ou obras sociais.

Até porque, paredes não falam, não respiram e nem brilham os olhos, e nem tem sangue correndo nas veias. Desse modo, tudo o que pensarmos em fazer com relação a melhorias ou obras, deveria ser para que o maior patrimônio de Deus, que são os homens, sejam de fato cuidados e acolhidos, pois o povo é o que interessa para Deus.

O apóstolo Paulo sempre apontou para esse alvo e o considerou a razão de todo o seu esforço, labor suor e sangue.

“Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós”. Gálatas 4:19

Cristo ser formado nos homens, esta é a verdadeira obra de Deus, e é com essa consciência que ser um ministro tem sentido. Ver e ter certeza que somos, juntamente com o povo, cartas escritas, isso sim é um belo e maravilhoso serviço que vale a pena realizar.

Tudo deve começar por nós, compreendendo que somos indivíduos que temos uma missão, ou seja, um ministério. Não somos “apenas” um ministro, mas uma pessoa.

Falo de ser útil aos homens, tornar as suas vidas melhores, se identificar, como Cristo fez com o povo e assim também viver, contemplar o belo, sorrir, amar, se divertir e ser livre sem ser libertino, rolar na areia com os filhos e amar a sua esposa ardentemente.

Tirar tempo para você fazer o que gosta. Seja ouvir uma bela música, jogar futebol, pescar ou qualquer outra coisa que considere importante.

Quando eu entendo que também sou um individuo, uma pessoa, me liberto do julgo imposto pela vaidade que interpreta de forma errada o ministério como pompa, posição ou o pulpísmo, que por sinal considero uma verdadeira praga eclesiástica da atualidade, de que só tenho um ministério se estiver sobre um altar, atrás de um púlpito.

Na verdade nem “pulpitismo” e nem “igrejismo” tem a ver com o ministério, entenda que você é uma pessoa, e que somos a igreja em todo o tempo e em qualquer lugar. Isso hoje é o verbo se fazendo carne também. Aonde chegarmos, a Palavra de Deus chegará.

Sei que toda a pessoa chamada no ministério e que ama a Deus, tenta dar o seu melhor de tal maneira que, por vezes, chega a se cobrar ferrenhamente e começa a não exercer misericórdia consigo mesmo e certamente passa a não ter com os outros também misericórdia. Passa a viver na linha máxima da intolerância pessoal e certamente acaba sendo intolerante com o povo, ignorando que tanto eles como você também estão crescendo.

Por não admitirmos que estamos crescendo, o nosso senso de defesa promove um entrincheiramento entre nós e as pessoas. Uma espécie de isolamento, para que ninguém veja os nossos defeitos e dificuldades, e isso realmente é muito pesado e desesperador.

É viver no limite com a deixa de que ministério é somente pagar preço, é morrer. Certamente não precisamos tornar mais pesado o que já é, e nem difícil o que por si só já fala. Que tal relaxarmos um pouco e dar umas boas risadas? Inclusive esta foi uma recomendação de Paulo: “alegre-se sempre”. E, para você não duvidar, ele continuou dizendo, outra vez vos digo: “alegrai-vos”.

Que tal se aproximar do povo que cuidamos e fazê-los sentir que estamos ali por eles? Mostre-os que são preciosos, que ministro tem coração, sentimentos e é tentado tanto quanto eles.

O que interessa é que a Palavra de Deus funciona e se funciona para mim também funcionará para você, é só decidir.

Será que o nosso isolamento realmente é útil?

Veja que o apóstolo Paulo não pensava assim, ele tinha amigos, lembrava o nome das pessoas que ele ajudou, fazia lembranças e recordações, expressava que desejava ver aqueles que o tinham acolhido, chamava o seu obreiro e parceiro de ministério de meu filho ao ponto de conhecer tanto a história dele como da sua família. Será que realmente nos passou pela cabeça a expressão “meu filho”?

Ele via que a igreja não é um exército em que todos devem ser bravos soldados cujo treinamento é a guerra, e por ser tão agressivo acaba promovendo alguns desertores que se sentem incapazes de conseguir tal recrutamento. Não. Ele educou um filho para cuidar dos seus irmãos tão bem quanto ele fazia. Isso é a igreja, uma linda família sobre a terra feita de pessoas normais, gente.

Paulo também não teve medo de declarar que teve tremores por dentro, disse que foi abatido, mas não destruído, gosto de saber que ele não era um super-herói de quadrinhos vindo do planeta fé, mas era um homem, um ser, um individuo, a igreja, um ministro que dedicou a sua vida inteira para ser útil as pessoas.

Não podemos nos esquecer que todo o espírito que nega a humanidade de Jesus é o espírito do anticristo, por isso, não podemos jamais negar a nossa humanidade, nem a dos outros.

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