Verbo FM

Morte programada

Janielle Medeiros
Graduada do Centro de Treinamento Bíblico Rhema

Nosso corpo é uma fantástica máquina projetada para funcionar em todo o seu potencial, para vivermos em plenitude o propósito para o qual fomos criados.

Existe uma grande orquestra que comanda as células, onde constantemente, novas células são sintetizadas e outras, podem ser eliminadas naturalmente para que o organismo continue funcionando em perfeita ordem. Dentre os muitos processos, quero destacar um em especial, a apoptose, que é a morte programada da célula. Esse processo tanto pode ser fisiológico (natural), quanto causado por algum estímulo externo nocivo, que causam destruição da parte mais importante da célula, o seu DNA, levando ela a morte e sendo engolida por outra célula maior que vai eliminá-la do organismo.

Paulo instruiu a Igreja em suas cartas, fazendo analogia do corpo de Cristo com o corpo humano para melhor compreensão nossa:

“Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor”. (Efésios 4.16)

No corpo humano, cada célula contribui com a visão do sistema orgânico que faz parte, por exemplo, sabemos que os neurônios atuam no sistema nervoso transmitindo os impulsos nervosos, já as células pancreáticas, atuam produzindo insulina. Embora as células façam coisas diferentes, todas as células estão sujeitas ao mesmo processo de apoptose.

Pegando “carona” na analogia que Paulo faz em suas cartas, sabemos que no corpo de Cristo, cada indivíduo tem o privilégio de servir aos outros com seus dons e talentos, contribuindo assim, com a visão da igreja local que faz parte, assim como as células. Nesse processo de contribuição e relação interpessoal, muitas pessoas estão se deparando com situações que, e infelizmente, tem feito com que sofram através de submissão a líderes com motivações erradas, por exemplo, tratamento diferenciado para com aqueles que servem na igreja e os que não servem, e essas pessoas acabam por sofrer desnecessariamente um processo de “morte espiritual programada”. É tempo de aprendermos a cuidarmos uns dos outros na prática e não apenas na teoria.

Cresce o número de cristãos no Brasil, mas em contrapartida, cresce também o número de “desviados do Evangelho” no país. De acordo com pesquisa recente feita pela revista Enfoque, cerca de 40 milhões de brasileiros conheceram a Verdade, mas não permaneceram nela. Pessoas que um dia foram cheias do Espírito, servindo às pessoas em  amor e fervor e hoje, não aguentam nem ouvir falar de Igreja, muitas são revoltadas com Deus e algumas outras, nem acreditam mais na existência dEle.

Mas, por quê? O que levou a esse quadro? Você e eu conhecemos pessoas assim. Você e eu muito provavelmente fomos tentados a desistir de tudo e seríamos mais um a aumentar esse índice, mas o fato, é que ouvi uma frase do pastor Humberto Albuquerque recentemente, que me fez parar para pensar sobre o tema:

“Pessoas querem ser amadas e não fazer parte de uma estatística”.

A Igreja se alegra quando uma pessoa decide entregar publicamente a vida a Jesus. Essa pessoa é discipulada, se fortalece na Palavra e decide servir em algo que ela se identifique, se desdobra, recebe responsabilidades ministeriais, muitas vezes, para assumir algo que ainda não possui estrutura espiritual para suportar e podem ficar sufocada pelas inúmeras tarefas, como Marta, tendo desequilíbrio em outras áreas de suas vidas, como família, casamento, pelo tempo excessivo dedicado a igreja. E isso, nunca foi o que Jesus desejou, ele repreendeu Marta e exaltou a atitude de Maria quando esteve visitando-as:

“E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. (Lucas 10.41-42)

Mas, essa história não acaba aí. Muitas pessoas assim, bem intencionadas em agradar o Senhor, não têm visto essa postura de Jesus nas pessoas próximas, como parceiros e líderes, são cobradas, terminam por se afastar e acabam sendo esquecidas, nunca sendo procuradas por aqueles que conviviam, decepcionam-se, esfriam na fé e ficam com a leitura de si mesmas errada, achando que seu valor, enquanto membro de uma igreja, está associado ao seu serviço ali naquela congregação e não ao valor que Deus a dá.

A verdade é que devemos ter zelo pelas vidas que são resgatadas do império das trevas, para que se firmem no Reino de Amor e, não em um reino de interesses no que as pessoas podem dar para que o sistema funcione “redondo e fique bem na fita”, pois essas pessoas terminam por sentirem-se usadas e, não amadas como de fato é a proposta, e isso, previsivelmente, é uma apoptose espiritual, uma morte programada que pode e deve ser evitada a todo custo.

É tempo da igreja se arrepender, voltar ao primeiro amor e aprender a amar as pessoas pelo que representam para Jesus que pagou com seu sangue por cada uma delas e, não pelo o que elas têm para dar ao Corpo apenas. De fato, Jesus alerta a Igreja e reprova claramente essa postura, exortando-a a valorizar o que Ele valoriza: as vidas.

“Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres”. (Apocalipse 2.2-5)

Assim, como o DNA é a parte mais bem protegida da célula e quando ele é atingido culmina em sua morte, sabemos que é nossa responsabilidade guardarmos o nosso coração e pensamentos, mas também é nosso dever amar o próximo como a nós mesmos, e tenho certeza que não gostaríamos de ser tratados de uma forma que nos machuque.

Nosso comportamento, mesmo sem verbalizar, comunica algo. E ele pode influenciar pessoas a terem uma postura de rendição e submissão a Palavra e, a construção de relacionamentos saudáveis e eternos baseados em admiração, confiança e amor genuíno sem medos e desconfiança envolvidos, pois fomos construídos para gerar vida e não mortes programadas.

Sejamos responsáveis uns pelos outros. Não vamos nos adoecer ou deixar que alguém morra ao nosso lado, pois uma pessoa que se vai representa menos uma que não poderemos influenciar com o que recebemos do Senhor e, em contra partida, também deixaremos de receber algo dela para continuemos seguindo juntos como corpo de Cristo, além de que, uma pessoa machucada torna-se alguém, que naturalmente, passa a influenciar negativamente outros por onde passa, (voltando à analogia com as células, esse é exatamente o princípio de formação do câncer e metástases. Mas, isso é assunto para um outro post.

Para o momento, paremos, pensemos e enxerguemos os que estão ao nosso alcance. Tenho certeza que alguém está nos pedido ajuda, de forma sutil ou não! Qual será nossa resposta?

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