A arte, a igreja e o mundo

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por André Martins

Amo a arte, e toda a sua formas de expressão, assim como a igreja de Cristo, em toda a sua multiforme graça. Amo o mundo, mais especificamente, tudo aquilo que envolve o ser humano. A sensação que tenho, é que, para muitos, essas três coisas não se misturam.  Porém, eu consigo ver e perceber essas três coisas conectadas e que, se movidas por um propósito, podem expressar louvor a Deus. 

De antemão, deixe-me afirmar que quando falo sobre mundo, não me refiro, ao mundanismo, ou seja, um estilo de vida que é movido pelos desejos carnais e suas preocupações naturais. Jamais! Falo sobre o mundo que Deus ama, sabe? Aquele mesmo mundo que você provavelmente sabe repetir o versículo de cor e salteado de João 3.16Deus amou o mundo de tal maneira, que deu…).

Falo de gente! Gente que é cheia de criatividade e que deseja  se expressar através dos seus dons, talentos e habilidades. Essa é uma capacidade dada por Deus ao homem de transmitir suas idéias, emoções e percepções da vida. Vida essa que dada através da inspiração (sopro de Deus ). Sim, todo mundo tem algo de Deus dentro de si. Apenas não sabe.

De fato, muito do que vemos na arte e na mídia contemporânea é prejudicial. A razão disso? O homem caído. Originalmente, não era assim. A queda comprometeu o potencial humano de ser tudo aquilo que ele havia sido criado para ser. O pecado bagunçou com tudo, inclusive a arte. A boa notícia é que, Cristo restaurou a dignidade humana. O homem pode, novamente, corresponder ao seu propósito: glorificar a Deus, através da sua glória pessoal.

Agora, preciso informá-lo que a arte é ambígua, ou seja, ela pode possuir diferentes significados, sentidos. O motivo disso é que, como somos seres únicos e distintos, percebemos a vida de forma diferente. E essa, ao meu ver, é a beleza da arte. Ela é multifacetada, dinâmica e democrática, atingindo e falando com todos.

Essa definição é um desafio para os cristãos. O motivo? Acreditamos que a arte só tem valor quando usada somente para a igreja local, através do louvor, ou qualquer outra atividade denominada religiosa.

Aceitamos bem um músico que toca na igreja e torcemos o nariz, quando descobrimos que ele toca fora dela. Gostamos da ideia de conhecermos um ator cristão, desde que ele não atue em um filme não cristão. Ou seja, condicionamos todos aqueles, que trabalham com arte, a usarem seus talentos somente para Deus, quando na verdade, não conseguem perceber que tudo o que fazemos, deve ser uma resposta a Ele.

Tendemos a ser dicotômicos em nossa forma de pensar, ou seja, dividimos a nossa vida em dois departamentos: vida secular ou vida cristã. Gostamos e usamos o termo “meio-termo” para várias atividades do nosso dia a dia. Entretanto, somos bem mais taxativos e convictos, no que diz respeito a arte: ou é para Deus ou não é!

Meu objetivo com esse post de hoje não é lhe dar as respostas a todas as perguntas que eu mesmo fiz no início dessa postagem. É provocar em você o desejo de refletir, intencionalmente, sobre a forma como pensamos sobre o assunto.

Pergunta: O que você afirma categoricamente que é a verdade, é verdade?

Falo sobre o conceito da arte, a igreja e o mundo. É possível ser espiritual e ainda assim gostar de coisas consideradas mundanas? É possível amar a Deus e a Sua Palavra e, ainda assim, gostar das artes com todas as suas facetas, sem se sentir condenado, ao contrário, estimulado a amar mais a Deus?

Bom, já lhe respondo que, para mim, sim. A arte me impulsiona! Ela me sensibiliza, acalma e, ao mesmo tempo, provoca a minha criatividade. O que seria de mim sem a arte? O que seria do mundo? Eu ouso afirmar que a arte é só mais uma faceta de Deus. Ela revela, mesmo que, de forma menos empírica ( experimental ), o lado criativo e divertido de Deus.

Espero construir com você, nos próximos posts, o conceito de glorificarmos a Deus, através de tudo o que envolve a nossa vida, inclusive, através da arte.

Que Deus me ajude!

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