Missionário contou experiência com os ribeirinhos

Anderson Costa foi enviado para pregar o Evangelho aos moradores do Delta do Parnaíba e ficou maravilhado.

Durante o mês em que passou na Ilha das Canárias, do Delta do Parnaíba (PI), junto aos povos ribeirinhos, entre janeiro e fevereiro de 2023, o novo missionário Anderson Costa, de 27 anos, vivenciou dias impactantes no local. Ele contou: “Eu descrevo a experiência na ilha como extraordinária. É um campo missionário onde existem grandes diferenças culturais com o resto do país, como a comunicação, a rotina e a alimentação. Dentro desse mês que passei na comunidade Ribeirinha, deu pra sentir o choque cultural e a realidade do campo missionário”.


O Delta do Parnaíba é um local paradisíaco e um dos locais preferidos dos turistas que visitam o norte do Piauí e Maranhão. Apesar de já ter sido divulgado bastante nos meios de comunicação do país, os povos ribeirinhos que moram na região vivem isolados e só são acessados através de embarcações. Essa realidade, somada com as diferenças culturais citadas por Anderson, dificulta a ida de missionários para lá. Mas os que conseguem ir voltam maravilhados com o que experimentaram.

Anderson, que é natural de Campina Grande (PB), foi aluno da Escola de Missões Rhema de 2022. Ele disse que, em determinada oração que faziam no período da tarde na escola, Deus falou ao seu coração sobre os ribeirinhos. Quando ele acompanhou sua turma na viagem missionária realizada exatamente no Delta, sentiu a confirmação do seu chamado missionário. “Deus estava me fazendo viver algo que ele sinalizou ao meu coração. Durante os dez dias da viagem, eu passei a sentir muita paz e recebi uma direção para voltar à Ilha das Canárias”.


Durante essa viagem, ele estabeleceu conexões com a Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores (MEAP), que atua na região do Delta do Parnaíba. Através dessa conexão, três meses depois, ele voltou e passou um mês entre os ribeirinhos, servindo e contribuindo com a obra de Deus entre eles, sendo enviado pelo Departamento de Jovens do Verbo da Vida Sede, de Campina Grande. 

Vivendo rios de experiências

No mês em que passou na Ilha das Canárias, Anderson sentiu com mais intensidade o choque cultural. Mas foram dias intensos, em que ele realizou trabalho com as crianças, fez visitas nas casas, serviu em cultos nas igrejas, participou de evangelismos em três ilhas vizinhas, ajudou na reforma da base missionária e ainda trabalhou na construção de uma quadra poliesportiva na comunidade do Torto. 


Uma das experiências mais fortes que passou nesse período foi quando ele  viajou até a Ilha do Papagaio para um evangelismo. A viagem durou uma hora de barco, mas valeu a pena. Nessa ilha, reside uma família ribeirinha, que depende totalmente da pesca. Segundo Anderson, os missionários locais já estavam indo uma vez por mês falar do amor de Jesus para aquela família.

“E eu tive a honra de pregar a Palavra e, naquele dia, cinco pessoas daquela família entregaram a sua vida para Jesus. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver o Senhor me usando para colher sementes que tinham sido plantadas naquelas vidas. Tivemos uma tarde de comunhão e muita conversa. Eles contaram suas dificuldades, mas também expressaram sua alegria ao viver naquela ilha e desfrutar das riquezas do Rio Parnaíba”, contou o novo missionário.

Em outra ocasião, Anderson falou que ele e um missionário local receberam um convite de uma família ribeirinha para pescar no rio no período da tarde. No deslocamento, ele teve a oportunidade de compartilhar um pouco da Palavra de Deus com dois nativos que estavam pescando com eles. Ele contou mais: “Rimos e nos alegramos com os testemunhos compartilhados. Além disso, pegamos várias ostras no rio e, à noite, fizemos uma grande janta e celebramos em comunhão. Deus estava se movendo no dia a dia dos ribeirinhos”.



Algo que marcou muito Anderson nessa viagem foi a renúncia dos missionários que estão plantados naquele campo. Ele disse que muitos abriram mão de viver uma vida na cidade para investir a sua vida em obediência ao Senhor Jesus. “Foi incrível viver no meio deles. Pelo fato de sermos de denominações diferentes, lá eu aprendi a lidar com as diferenças e servir ao corpo de Cristo como uma grande família”, completou. 

Liberto para libertar outros

Anderson teve uma experiência muito forte com Jesus no presídio de Campina Grande, em 2018. Desde então, ele foi tocado em compartilhar da mesma alegria e liberdade com outras pessoas. Confira o testemunho:

“Dentro do presídio, existia uma turma de homens que, todos os dias, se reuniam para cantar louvores a Deus e compartilhar a Palavra. Meus olhos brilhavam para estar naquele lugar. Eu não sabia explicar mas algo me atraía para estar junto daqueles homens. Até que um belo dia eu acordei decidido a participar daquelas reuniões e, depois de uma semana participando, eu me rendi a Deus, entreguei minha vida a Jesus. Havia uma felicidade dentro de mim, algo que nem mesmo as dificuldades que eu estava enfrentando poderiam roubar aquela alegria. Os meus dias foram mais leves e felizes e, foi ali, que ganhei a primeira Bíblia e tive os meus primeiros contatos com Deus”.


Desde que se converteu, os olhos de Anderson brilharam para o evangelismo, em levar a libertação espiritual para outros que estavam escravizados pelo diabo. “Estar nas ruas, ir aos hospitais e às praças para falar de Jesus me fazia muito bem. Foi vivendo esse contexto que Deus me falou sobre o seu chamado missionário. Ele me confirmou que eu era daqueles que vão ao campo falar do amor de Jesus”, contou.

Nesse mesmo ano, o novo convertido, ao sair do presídio, começou a frequentar a Igreja Verbo da Vida local, onde conheceu o Rhema, onde se matriculou em 2019. Ele disse que, de fato, o Rhema transformou a sua vida. “Aquelas verdades da Palavra formaram em mim uma grande estrutura que formou a minha base doutrinária, aquilo que eu creio e vivo”, compartilhou o jovem cristão.

Em 2022, Anderson decidiu fazer a Escola de Missões, adquirindo as ferramentas para ir ao campo e ser bem sucedido. Ele disse que “matérias como Comunicação Transcultural e Antropologia Missionária foram fundamentais para a minha ida aos ribeirinhos, pois me trouxeram uma base de como me comportar e como comunicar o Evangelho entre eles e ser bem sucedido. De fato, a escola expandiu a minha visão sobre missiologia”. 

O jovem missionário ainda deixou um conselho para aqueles que desejam ou admiram o serviço missionário: “Faça a Escola de Missões Rhema. Com ela, sua visão sobre o mundo e missões vai ser transformada pelas verdades da Palavra e com as experiências de pessoas que já estão no campo cumprindo seu chamado. Invista em missões também tanto contribuindo como orando e dando apoio moral aos missionários que já estão no campo”.

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