Voz da fé no Peru: Conheça a trajetória de casal missionário

José e Kátia Alegria contam como a obediência ao chamado tem aberto portas, como o programa de rádio, para alcançar vidas para Cristo.

Em Chincha, no Peru, duas vozes que ecoam pelas ondas do rádio têm levado fé e esperança a muitos lares. Essa é parte da história do casal missionário José e Kátia Alegria, que encontrou no rádio, no evangelismo e no discipulado caminhos para cumprir o chamado de alcançar vidas para Cristo.

Kátia contou que a última vez que esteve no Brasil foi em 2019, pouco antes da pandemia. Segundo ela, por causa do longo período de restrições, o retorno ao país acabou demorando mais do que o esperado. “A pandemia aqui na América Latina durou bastante, foram mais de três anos praticamente fechados”, explicou.

A missionária revelou que, durante esse período, chegou a vir apenas até as fronteiras para resolver algumas demandas administrativas, como documentos e ida aos bancos, sem conseguir avançar até o Nordeste. “Não conseguíamos chegar até Campina Grande (PB). Agora, graças a Deus, conseguimos vir à nossa base, à nossa casa e rever nossos familiares”, afirmou.

Ela também compartilhou a alegria de reencontrar a família, a igreja e os parceiros ministeriais. Para Kátia, ver o crescimento da obra tem sido motivo de muita gratidão. “Está sendo maravilhoso. Ver o quanto tudo cresceu é maravilhoso demais. Para mim está sendo muito gratificante”, contou.

José acrescentou que também tem sido especial ver a felicidade da esposa ao reencontrar os familiares e, ao mesmo tempo, estar novamente entre a “família da fé”. Segundo ele, tem sido um tempo muito lindo e precioso. “Percebemos até na nossa própria vida ministerial o quanto essa comunhão, esse tempo de sermos cuidados e até mimados, faz diferença. Era muito necessário voltar. A gente só percebe o quanto é bom estar perto quando chega”, compartilhou.

Grato ao Ministério Verbo da Vida e às igrejas que visitaram durante esse período, ele afirmou que esses dias têm sido de renovação espiritual. “Certamente vamos voltar para o campo renovados, fortalecidos. Só de estar em comunhão já somos muito beneficiados, inspirados e cheios de alegria”, afirmou.

Após se casarem, o peruano e a brasileira retornaram ao país latino-americano para iniciar a nova etapa como família. Segundo Kátia, o processo exigiu recomeços tanto na vida familiar quanto no ministério. Nesse período, uma enchente atingiu a região onde estavam no Peru e eles acabaram perdendo tudo. Mesmo diante da dificuldade, ela destacou o apoio recebido dos irmãos em Cristo.

De acordo com a missionária, aquele período foi desafiador, mas também marcado pelo cuidado de Deus por meio da igreja. Logo depois de receberem a assistência do Ministério e das igrejas, o casal começou novamente a se organizar como família. Em oração, buscaram direção para os próximos passos do trabalho missionário.

Kátia explicou que Deus os direcionou a deixar a cidade onde estavam, Ica — localizada a cerca de cinco horas de Lima — e mudar-se para Chincha, aproximadamente três horas da capital. Ao chegar ao local, passaram a observar a realidade da população para entender qual seria a melhor forma de alcançar as pessoas com o Evangelho.

Segundo ela, a cidade possui características rurais, com muitos moradores que trabalham no campo ou vivem de atividades diárias e comércio informal. “Percebemos que muitas pessoas passam o dia trabalhando no campo ou em atividades do dia a dia, como vendedores ambulantes. Por isso, não utilizam tanto tecnologia”, explicou.

Diante dessa realidade, Deus lhes deu uma estratégia missionária específica: utilizar o rádio como principal meio de evangelização. “Muitos trabalham o dia inteiro e não têm tempo para outras coisas”, afirmou.

Kátia contou que, ao ouvir algumas programações locais, chegou a se entristecer ao perceber o forte tom religioso presente nas transmissões. “Às vezes dava vontade de chorar ao escutar os programas, pela religiosidade com que a mensagem era transmitida. Isso acabava afastando as pessoas”, relatou. Por isso, decidiram criar um programa diferente, mais acessível e voltado para toda a comunidade.

O programa inclui momentos de oração, meditação na Palavra e também um quadro de utilidade pública. Nele, os ouvintes podem oferecer doações que ajudam pessoas necessitadas da cidade. “Falamos sobre doações de cadeira de rodas, andadores, colchões, roupas e móveis. Muitas vezes as pessoas têm esses itens em casa e podem abençoar outras famílias”, destacou Kátia.

Além da ministração da Palavra, o programa também passou a abordar temas práticos que impactavam a comunidade. Ela relatou que, após enchentes na região, surgiram muitos casos de dengue no país. No entanto, muitas pessoas não sabiam como a doença era transmitida. “Eles pensavam que a dengue era contagiosa como uma gripe ou como aconteceu na pandemia. Muitos tinham medo de se aproximar de quem estava doente”, contou Kátia.

Por conhecer bem o assunto no Brasil, ela começou a usar o programa para orientar a população. “Explicávamos que a dengue é transmitida pela picada do mosquito e ensinávamos cuidados básicos, como evitar água parada e colocar areia nos pratinhos das plantas”, relatou. Segundo a missionária, essas orientações simples fizeram diferença na cidade. “Para nós pode parecer algo básico, mas para eles não era. Houve até medidas que começaram a ser tomadas na cidade por causa dessas explicações”, destacou.

Com o tempo, o programa se tornou bastante conhecido entre os moradores. Ela contou que muitas vezes é reconhecida pela voz quando está na rua. “Às vezes estou no mercado conversando e alguém diz: ‘Eu acho que já ouvi sua voz’. Então, eu pergunto: ‘Você escuta a Rádio Luz Divina ou a Rádio Celestial?’ E a pessoa responde: ‘Ah! Você é aquela brasileira!’”.

Segundo ela, ouvintes de diferentes contextos acompanham o programa diariamente. “Escutam crentes e também pessoas que ainda não são crentes. A rádio alcança várias cidades da região”, contou.

Ao longo dos anos, muitos testemunhos surgiram por meio dessa programação. Um deles marcou profundamente o missionário. Um homem que ouvia o programa recebeu treinamento bíblico com eles anos atrás. “Quando nos encontramos de novo, ele disse: ‘Hoje eu sou pastor. Tenho uma igreja e continuo ensinando a Palavra que aprendi com vocês’”. Ele contou que o pastor o convidou para participar do primeiro aniversário da igreja. “Foi algo muito emocionante ver o que Deus fez na vida dele”, afirmou José.

Outro testemunho marcante foi o de uma mulher chamada Eulália. Antes de conhecer a Palavra da Fé, ela era envolvida com a igreja católica e conhecida por seu serviço nas paróquias da cidade. Anos depois, ao viver na Argentina, ela conheceu uma mensagem semelhante à ensinada no Ministério Verbo da Vida. Quando retornou ao Peru, passou a procurar um lugar onde pudesse ouvir novamente aquele ensino. “Ela dizia: ‘Senhor, me mostra onde posso ouvir novamente essa Palavra’”, compartilhou Kátia.

Um dia, ao escutar o rádio, encontrou o programa deles. “Quando ela ouviu, disse: ‘Meu Deus, é essa Palavra que eu estava procurando’.” Eulália entrou em contato com a rádio e pediu para conhecê-los pessoalmente. Após a visita, começou um discipulado em sua casa. “Cada encontro ela trazia mais pessoas. Até gente que não era crente vinha participar”, relatou.

Durante esse período, também ministraram a Santa Ceia para ela e sua mãe — uma senhora de 102 anos, que tinha grande interesse pelo Senhor. “Foi algo muito lindo. A presença de Deus foi manifesta naquele momento”, asseverou a missionária. Após concluir o discipulado, Eulália continuou firme na fé. Mesmo enfrentando desafios pessoais, manteve o desejo de seguir servindo ao Senhor.

Além do trabalho na rádio, o ofício missionário também desenvolve ações sociais na cidade, distribuindo cestas básicas e outros itens recebidos por doações. “Tudo que recebemos por meio da rádio direcionamos para pessoas que estão em necessidade, sejam crentes ou não,” afirmou a missionária.

José Alegria contou que sua família teve um papel fundamental em sua caminhada espiritual. Segundo relatou, todos os seus irmãos cursaram o Rhema no Peru, e foi por meio do testemunho deles que a Palavra começou a ser plantada em seu coração. Quando criança, por volta dos 10 ou 11 anos, ele havia confessado Jesus, mas durante a adolescência acabou se afastando do Senhor. Com o tempo, porém, influenciado pela fé dos irmãos, decidiu se reconciliar com Deus.

Ao retornar aos caminhos do Senhor, decidiu cursar o Rhema em Lima, onde estudou por dois anos. Nesse período, colocou-se à disposição para servir. Uma oportunidade surgiu quando grupos de missionários que visitavam o Peru passaram a precisar de ajuda na tradução do inglês para o espanhol. Ele começou a servir nessa área, mesmo ainda não tendo concluído seus estudos no idioma. Ele relembrou que sua mãe frequentemente afirmava às pessoas que o filho falava inglês perfeitamente, mesmo quando ele ainda estava aprendendo. Na prática, disse ele, foi justamente servindo que acabou desenvolvendo ainda mais o idioma.

Assim, todos os anos ele auxiliava os missionários e, por já ter concluído o Rhema, passou também a viajar com eles para outros lugares, participando das atividades ministeriais. Foi nesse período que começou a compreender o chamado missionário e a atuar como ministro itinerante ao lado do grupo.

No início dos anos 2000, chegou à Bolívia. Na cidade de Cochabamba, um pastor sueco formado no Rhema nos Estados Unidos o convidou para retornar no ano seguinte e ajudá-lo na Escola Bíblica que havia iniciado. Durante os sete anos em que serviu na Bolívia, teve contato com diversas equipes missionárias que chegavam do Brasil. Nesse tempo, conheceu também vários integrantes do Ministério Verbo da Vida que realizavam missões no país.

Entre essas experiências, recordou-se especialmente de quando o pastor Bud Wright visitou a Bolívia. Como frequentemente atuava como tradutor para visitantes estrangeiros, foi convidado a traduzir a ministração. José lembrou que, em determinado momento da pregação, o pastor Bud começou falando em inglês, mas depois passou naturalmente para o português. Como ele já estava tendo contato com missionários brasileiros, conseguiu compreender o que estava sendo dito e continuou a tradução normalmente.

A situação chamou a atenção das pessoas presentes, que se perguntavam se ele conseguiria acompanhar a mudança de idioma. No entanto, ele conseguiu seguir traduzindo toda a mensagem. Segundo ele, aquele momento marcou o início de um vínculo especial com o Ministério Verbo da Vida e despertou nele o desejo de conhecer mais o trabalho desenvolvido pela instituição.

O missionário afirmou que foi justamente esse contato com missionários cheios de alegria e paixão pela obra, somado à oportunidade de conhecer pessoalmente o pastor Bud, que se tornou o elo usado por Deus para levá-lo ao Brasil e aproximá-lo do Ministério. Hoje, ao lado de sua esposa, continua servindo ao Senhor no campo missionário, grato pelo caminho que Deus construiu ao longo dessa jornada.

Já Kátia contou que aceitou Jesus em outra denominação cristã. Segundo contou, o primeiro contato com o Verbo da Vida ocorreu motivado por um desejo específico: receber o batismo no Espírito Santo. Ela relembrou que a unção presente no culto tocou seu coração, levando-a a reconhecer interiormente que aquele era o lugar onde deveria permanecer e crescer espiritualmente.

Voz da fé no Peru: Conheça a trajetória de casal missionário

Na época, estava sendo formada a primeira turma do Centro de Treinamento Bíblico Verbo da Vida. Recém-convertida e com grande interesse em conhecer a Deus, decidiu ingressar na Escola. Segundo ela, o conhecimento da Bíblia foi transformador. “Eu pensava que era livre em muitas áreas da minha vida, mas à medida que ouvia a Palavra, percebia que ela estava lavando meu coração”, detalhou. Quanto mais escutava as ministrações sobre a Palavra da Fé — tanto dos ministros locais quanto dos que vinham dos Estados Unidos — mais tinha convicção de que aquele era o lugar onde o Senhor queria que ela estivesse.

Durante esse período, algo também começou a despertar em seu coração ao ver os missionários que visitavam a igreja. “Quando eu os via, eu me via neles. Naquele momento eu não entendia por quê, mas sabia que havia algo dentro de mim que queria compartilhar aquilo que estava recebendo”, destacou.

Cerca de seis meses após conhecer a Palavra da Fé, ela e outros irmãos iniciaram um trabalho de evangelismo em um hospital psiquiátrico em Campina Grande (PB). O grupo permaneceu servindo nesse local durante cinco anos. Ela descreveu essa época como um tempo de experiências com Deus e crescimento espiritual.

Depois de concluir o Centro de Treinamento Bíblico Verbo da Vida, surgiu uma nova oportunidade: trabalhar diretamente na escola. Segundo contou, o então diretor, Canrobert Guimarães, convidou-a para atuar como secretária. Para ela, essa fase foi muito significativa, pois permitiu continuar ouvindo as ministrações e se aprofundando ainda mais nas Escrituras. Nesse processo, o Senhor começou a falar sobre missões.

Inicialmente, porém, ela imaginava que seu chamado seria apenas dentro do Brasil. “Eu pensava que iria pregar nos bairros, nas cidades vizinhas e em outras regiões do país”, relatou. Até que, em uma conferência, teve uma experiência que começou a ampliar sua visão. Durante o evento, ela teve uma visão em que se via pregando para alguém que falava outro idioma. No primeiro momento, não conseguia identificar qual língua era aquela, mas logo alguém ao lado falou em espanhol, e ela compreendeu imediatamente o que estava sendo dito.

Mesmo assim, naquele momento ela ainda não compreendeu totalmente o significado daquela experiência. Ao voltar para casa, começou a orar. “Eu disse: ‘Será que o Senhor quer que eu saia do Brasil? O Brasil é tão grande, tem tanta gente para alcançar…’.” Algum tempo depois, surgiu a oportunidade de visitar Fortaleza (CE). Durante um período de oração, ela sentiu que Deus lhe disse que alguém iria ligar para ela e que aquela ligação indicaria o lugar onde deveria ir.

Quando terminou de orar, o telefone tocou. Do outro lado da linha estava uma pessoa de uma cidade chamada Caucaia (CE). Ela compartilhou que, naquele momento, teve convicção interior de que deveria visitar aquele lugar. Ao chegar lá, sentiu em seu coração que deveria voltar a Campina Grande, treinar alguém para assumir suas funções na escola bíblica e retornar posteriormente para iniciar um trabalho de evangelismo naquela cidade. Já havia um pequeno grupo de pessoas se reunindo no local.

Assim, ela organizou tudo em Campina Grande e voltou para Caucaia, onde passou a desenvolver um trabalho evangelístico, incluindo ações entre povos indígenas. Ela descreveu esse período como um tempo de grande crescimento espiritual. Foi enquanto estava envolvida nesse trabalho que participou de outra conferência, desta vez em Recife (PE). Durante o evento, uma irmã compartilhou uma palavra profética direcionada a ela.

Segundo relatou, a ministra disse que o Senhor já vinha falando ao coração dela sobre países de língua hispânica. Em seguida, descreveu uma visão em que a via subindo montanhas geladas no Peru. Até aquele momento, ela sequer sabia muito sobre o país. “Quando ela falava, era como se cada palavra atravessasse meu coração”, contou. Para ela, não era apenas a irmã falando, mas Deus ministrando diretamente ao seu espírito.

Depois disso, voltou para casa e decidiu orar novamente. Ela disse ao Senhor que não pesquisaria sobre o país até que Ele mesmo confirmasse a direção. “Eu disse: ‘Senhor, traz alguém do Peru até mim. Não importa se homem, mulher ou criança. Mas que venha alguém que possa me contar sobre esse país’”, contou. Algum tempo depois, retornou a Campina Grande no período em que estava sendo aberta a Escola de Ministros. Como havia perdido o prazo de inscrição, só conseguiu ingressar na segunda turma.

Durante os estudos, Deus continuou falando ao seu coração sobre nações e povos. Cada vez mais, ela sentia clareza sobre o chamado missionário. Até que, em um culto, teve outra visão marcante. Ela conta que se via como no desenho do Pequeno Príncipe, observando o globo terrestre enquanto seus pés tocavam diferentes bandeiras de várias nações.

Naquele momento, Kátia compreendeu que o Senhor a estava chamando para além do Brasil. “Eu disse ao Senhor: ‘Pai, eu queria ficar no Brasil’. Mas entendi que Deus tem pessoas para todos os lugares e que Ele estava me enviando a outros povos.” Essa compreensão trouxe grande alegria ao seu coração. Foi então que tomou uma decisão definitiva. “Eu disse: ‘Senhor, eis-me aqui. Não importa se é frio ou quente, eu vou aonde o Senhor me enviar’”.

Atualmente, o casal iniciou cultos em Chincha. Segundo Kátia, o desejo agora é ver Deus levantar um líder pastoral para dar continuidade ao trabalho. “Estamos orando para que o Senhor levante um casal ou alguém com chamado pastoral. Queremos somar forças para que essa obra no Peru continue crescendo”, declarou Kátia.

Ela afirmou que permanece convicta do poder transformador da Palavra: “Sabemos que essa Palavra funciona. Onde ela é pregada, não tem como não produzir frutos”.

Ao compartilhar conselhos para quem deseja ir ao campo missionário, Kátia destacou que a preparação é indispensável. Como brasileira, afirmou compreender bem o contexto cultural do país e reconhece que, muitas vezes, o brasileiro pode se tornar acomodado. Por isso, quando alguém decide servir em missões, especialmente ministrando a Palavra de Deus, precisa se preparar de forma intencional. “A preparação é algo primordial. No campo missionário, você não vai fazer nada além do que já deveria estar fazendo aqui. Por isso, prepare-se muito na Palavra”, afirmou.

Ela também enfatizou a importância de desenvolver uma vida de obediência e fidelidade no serviço cristão, começando na igreja local. Segundo Kátia, a obediência às autoridades espirituais e ao pastor é parte fundamental desse processo. “A Bíblia diz que, quando somos fiéis no pouco, Deus nos coloca sobre o muito. Então, seja fiel em tudo o que vier às suas mãos para fazer”, declarou.

Outro ponto destacado foi a necessidade de se preparar para lidar com outras culturas. De acordo com ela, quem vai para um campo missionário precisa entender que encontrará costumes, hábitos e realidades diferentes. “Se você vai para um lugar onde não falam o seu idioma, é primordial aprender a língua. Os povos são diferentes, os contextos são diferentes. Você precisa se preparar”, contou.

Ela também comentou que o missionário deve estar disposto a viver novas experiências, inclusive em aspectos simples do cotidiano, como a alimentação. “Muitas vezes você não vai ter a comidinha que tem aqui. Talvez você não possa levar o seu cuscuz para lá. Mas, se tiver o coração aberto, vai descobrir coisas novas e até encontrar coisas parecidas”, asseverou.

Mais do que adaptar costumes, Kátia ressaltou que o verdadeiro propósito da missão não é transformar a cultura local, mas levar o Evangelho e viver como exemplo. “Eu não vou para mudar o costume das pessoas. Eu vou para pregar a Palavra de Deus e ser exemplo. Muitas vezes nós pregamos muito mais com a nossa vida”, enfatizou.

Segundo ela, o missionário precisa estar disposto a se inserir na cultura do lugar e aprender a valorizar as diferenças. “Talvez você vá para um lugar onde não vai encontrar brasileiros. Você precisa entender que está indo para um contexto diferente e aprender a celebrar essas diferenças, porque nenhum país é igual ao outro”, relatou.

Apesar das saudades naturais, Kátia explicou que a convicção do chamado sustenta o coração de quem vive no campo missionário. “Às vezes as pessoas perguntam se eu sinto falta do Brasil. Eu não sinto falta do Brasil, sinto falta das pessoas. Mas entendo que Deus me chamou para estar ali”, contou.

Ela acrescentou que, quando voltam ao país de origem para visitas, o sentimento logo muda. “É muito bom voltar, rever as pessoas. Mas depois de alguns dias já sentimos vontade de voltar para o lugar onde Deus nos enviou”, afirmou.

Ao falar sobre o campo missionário, ela destacou que a perspectiva de quem é guiado por Deus transforma até os cenários mais desafiadores. “Eu sempre digo: ‘para onde Deus me enviar, eu vou amar. Mesmo que pareça um deserto para outros, para mim será lugar de provisão. Quando somos guiados por Deus, o campo missionário não é lugar de falta’”.

Outro conselho importante foi manter um coração de servo, algo que, segundo José, precisa ser cultivado na igreja local antes mesmo de pensar em ir para outra nação. Ele também ressaltou que nem todos os missionários são enviados para iniciar novas obras, pois muitos são chamados para apoiar e fortalecer trabalhos já existentes.

Para o missionário, o desenvolvimento do caráter se torna tão importante quanto o preparo espiritual e ministerial. Segundo José, quando o missionário vive dessa forma, sua própria vida se torna uma mensagem. “As pessoas serão impactadas não apenas pela mensagem que você prega, mas também pelo seu testemunho e comportamento”, relatou.

E concluiu reforçando que a vida do missionário deve confirmar aquilo que ele anuncia: “O seu procedimento acompanha a boa Palavra que você está levando”.

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