Danilo e Luissa Emery deram notícias da missão “Paz em meio à guerra”

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O casal de missionários, Danilo e Luissa Emery, enviou notícias sobre as suas atividades na Polônia e relatam a experiência da ida à Ucrânia.

“A estadia na Ucrânia foi boa, tranquila, mas a realidade é dura. A paisagem bonita se mistura com equipamentos militares e barricadas que não pudemos fazer imagens para mostrar. Qualquer som diferente é motivo de todos ficarem alarmados, principalmente quando os drones sobrevoaram o jardim do hotel onde estávamos, a expressão dos ucranianos, um olhando para o outro, enquanto diziam sem muita certeza: são apenas drones ucranianos.

Assim que chegamos, demoramos mais que o previsto na fronteira e não conseguimos chegar a tempo em Shatsky. Os militares nas barricadas nas estradas eram brutos e questionavam o que estávamos fazendo fora de casa às 23h: ‘Como assim, brasileiros?

Mostrem os passaportes, documentos que provem que são voluntários… vocês não podem passar, vão ter que voltar para a fronteira’. ‘Como?’, perguntavam nossa amiga ucraniana e seu pai, “nós estamos com um bebê de 4 meses no carro e a apenas 15km da cidade, não podemos voltar agora’. ‘Não é problema meu’, dizia o soldado, até que finalmente liberou a nossa partida. De alguma forma, Danilo e eu estávamos calmos, sabíamos que Deus estava cuidando de nós.

Alguns dias depois, passando pelas mesmas barricadas e os mesmos soldados, fomos tratados bem, sem muitos questionamentos. De dia, tudo parecia ser mais tranquilo.

Lembro de na primeira noite olhar para o céu cheio de estrelas e perguntar ‘como aquelas estrelas estão se mexendo?’. ‘Não são estrelas’, disse Danilo. Um vazio passou por dentro de mim. Não era medo, aqueles mísseis estavam muito longe no céu, não cairiam ali, mas eles cairiam em algum outro lugar…

Andando pela rua do hotel, pudemos perceber a expressão de triste surpresa da nossa amiga ao ver que as lojinhas que ela queria nos levar estavam fechadas e não havia ninguém no seu restaurante favorito, apenas uma loja de conveniência aberta e com valores absurdos. Ela contava como nos anos anteriores essa rua ficava repleta de pessoas e música tocando… e eu pude apenas imaginar, porque a realidade era apenas eu, Danilo, nossa amiga e o seu pequenino num carrinho de bebê, andando na rua de terra. Passamos por duas ou três famílias que estavam por ali, e foi isso.

A cidade não foi ocupada, nem atacada, mas nada está igual. Existe uma falsa sensação de segurança que parte quando se vê os militares ou quando se ouve notícias na rádio que nos fazem lembrar de que o país está em guerra”.

 

 

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