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Meu nome é Marcos, já cheguei aos 60 anos. Sou paulista, nasci em São Paulo. Vivi lá até meus 30 anos, ali me casei e tive meus 4 filhos. Aos 30 anos, saímos de São Paulo para nossa primeira viagem missionária e fomos estabelecer um trabalho no Rio de Janeiro. Isso por volta de 1986, 1987. Passamos mais de 20 anos lá e depois fomos a tantos outros lugares.

Tenho boas lembranças da minha infância. Foi uma época muito simples, não tínhamos muita coisa, mas, com o que tínhamos, éramos felizes. Foi um tempo bem aproveitado, vivi bem esses anos, me lembro que meus pais sempre me amaram muito. Eles cuidaram de mim e dos meus irmãos de maneira que não tenho como descrever o amor e cuidado deles. Meu pai sempre foi presente, minha mãe aquela mãezona que agasalhava todo mundo.

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Aceitei Jesus com menos de 10 anos. Na igreja que pertencíamos, havia um trabalho que era de memorizar a Bíblia. Essa igreja tinha um sítio em Mogi das Cruzes, onde faziam uns acampamentos de verão e, quem memorizasse mais versículos da Bíblia, ganhava a inscrição para esse acampamento gratuitamente. Então, com 8/9 anos, eu comecei a memorizar a Bíblia. E, até hoje, eu me lembro de textos que decorei naquela época (já tem um tempinho) (risos). Me lembro de bons textos e é interessante como isso pautou a minha vida. Ao longo desse tempo, sempre tive e tenho muito apego à Palavra e esse conteúdo procuro conservar até hoje.
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Meu pai foi um homem que sempre trabalhou muito, mas ele sempre se preocupou com a nossa educação, ele não teve muita oportunidade de estudar, mas, foi um homem de muita cultura. Ele lia muito, me lembro do meu pai lendo textos de William Shakespeare e outros grandes autores. Eu aprendi a gostar de filosofia com ele que tinha livros de filosofia de grandes autores do passado e ele passou isso para mim e meus irmãos, principalmente para o meu irmão, Marcelo. Meu pai nos deixou esse legado. O amor à leitura. Claro, tinha as suas fraquezas e debilidades, mas meu pai sempre foi para nós um bom e grande exemplo. As recordações são boas, do pai educador, referencial de honestidade que ele nos deixou.

MVV_8640A minha mãe foi aquela protetora, que sempre esteve junto, cuidou da gente a vida inteira. Mesmo na nossa juventude, ela estava lá, mas sem interferir nas nossas vidas. Nos momentos que necessitávamos, quando precisávamos de socorro, ela estava lá, sempre com uma porta aberta. Conservo as melhores lembranças deles.

Hoje, com maior maturidade, posso olhar para meus pais no passado e encontrar referenciais para a vida. Sabendo como agir, como caminhar… O que meu pai foi para mim, procurei reproduzir com os meus filhos. Graças a Deus, vejo o fruto na vida deles, crescendo e avançando.

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Somos seis irmãos. Eu o Marcelo e mais quatro irmãs. Nós sempre fomos uma família muito unida, porque os nossos pais eram unidos. E eles sempre estabeleceram isso. Sempre fomos bem família mesmo, juntos, “brigando” um pelo outro. Lembro que se tivéssemos algum problema fora em qualquer lugar como a escola, por exemplo, todos se juntavam para ajudar. Lembro de algumas vezes que meu irmão arrumava encrencas e eu ia lá para resolver as broncas dele. Até hoje é assim, mesmo tantos anos depois separados, vivendo longe, eu no Chile e eles no Brasil. Mantemos um bom relacionamento; sempre escrevemos e mandamos mensagens um para o outro, converso muito com meu irmão. Temos excelente relacionamento com as irmãs também, elas pedem conselhos, procuro relembrar das palavras do nosso pai.

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Conheci minha esposa, Nice, em 1974. Éramos de uma Igreja Batista em São Paulo e lembro que em naquele ano, Billy Graham foi fazer uma cruzada no Rio de Janeiro e a igreja que eu pertencia fez uma caravana para irmos à cidade. A família dela de alguma maneira estava envolvida nessa igreja também e ela acabou indo a esse evento. Nos conhecemos e logo começamos a conversar, ainda no ônibus namorar, e dois anos depois nos casamos. Ela foi a minha primeira e única namorada. É a minha esposa, a mãe dos meus filhos. Posso dizer que o nosso relacionamento começou nesse apadrinhamento de Billy Graham (risos). Em 2016, fizemos 40 anos de casados. E temos 42 nos conhecendo continuamente.

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Nó sempre vivemos juntos, aonde um ia o outro estava. Depois, comecei a ter oportunidades de viajar para alguns lugares por causa do chamado. Me lembro de uma das primeiras viagens que fiz para Campo Grande-MS e, nessa viagem, bateu uma saudade muito forte dela. Não tínhamos o costume de ficar um longe do outro. E na ocasião, resolvi escrever uma carta para ela, me lembrava de umas músicas de infância que ouvia de Roberto e Erasmo Carlos e fiz a carta com a letra da música do Erasmo Carlos. “Escrevo-lhe essas maus traçadas linhas, meu amor…”, e fui escrevendo… Falei com o Josimar: “queria saber onde tem um correios aqui para mandar uma carta para ela”. E ele brincou comigo: “você já ouviu falar de e-mail?” (risos). Na verdade, o e-mail estava começando naquela época, mas falei: “não Josimar, eu quero mandar uma carta”. Isso foi no inicio dos anos 2000, a partir daquela época, comecei a escrever para ela; fazendo alguns textos. Depois, claro, saímos das cartas e correios e passamos para o e-mail.

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Chegou o tempo no qual eu não queria mais viajar sem ela. Comecei a orar e dizer: “Senhor, quero seguir viajando, fazendo a tua vontade, mas quero te pedir uma coisa: ‘Que a minha esposa vá comigo’”. Isso foi em 2011 (acho que eu estava no Nepal), sozinho, com saudades, sem poder conversar com ninguém, e, quando voltei ao Brasil, resolvi fazer uma viagem com ela pela América Latina. Visitamos as igrejas, passamos pela Argentina e fomos ao Chile, quando chegamos lá, Deus falou comigo a cerca de passar um tempo naquele país ajudando os irmãos de lá. Conversei com minha esposa, ela sentiu a mesma coisa, eu até estranhei, porque Nice é muito mãezona, apegada aos filhos, agora, sobretudo, aos netos. Então pensei: “ela não vai querer viajar e passar tanto tempo longe dos filhos”. Mas, para a minha surpresa, ela concordou em passarmos um tempo lá. Pensávamos em passar uns 2/3 anos, mas já estamos com quase 5 anos e não temos perspectiva de uma volta próxima.

Desde então, temos viajado por toda América latina e por outros países também. Tem sido muito bom. Mas, desde aquela época da cartinha lá atrás, eu adquiri esse hábito de escrever para ela. E isso sempre deu bons resultados.

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Eunice costuma dizer assim: “rapaz, eu e você somos tão diferentes”. E eu falei: “Graças a Deus. Se você fosse igualzinha a mim eu não te suportaria, eu não casaria comigo mesmo”. Somos tão diferentes e combinamos, damos tão certo. Não sei se é por causa dos 40 anos juntos, mas, hoje, eu sou bem dependente dela, de estar ao lado dela, decidir as coisas com ela. Ela tem uma personalidade muito forte, tem uma visão muito prática das coisas da vida, decide tudo rapidamente e na nossa vida há um equilíbrio. Eu já sou mais ponderado, olho para as coisas de uma maneira geral, mas ela não. Ela me ajuda muito. Tem um senso critico muito aguçado e sempre me ajuda nisso. Fala com clareza o que sente e vê e me ajuda a tomar decisões. É uma pessoa que é muito presente na minha vida e eu não seria tao produtivo como sou com ela.

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Pela herança dos nossos pais, eu sempre fui unido com meus quatro filhos. Hoje, eu e Nice vivemos no Chile, Júnior em Campina Grande e as meninas no sudeste. Mas, ainda assim, eles quatro. São muito unidos e isso é algo que eles perceberam na gente. No inicio, foi uma decisão difícil avançar e deixá-los seguir a vida deles. Mas era necessário. Acho que Deus trabalhou isso em nossa vida de uma maneira muito boa. Afinal, eles já eram adultos e encaminhados. Nós partimos para seguir o nosso ministério. Mesmo vivendo longe, nos contatamos diariamente por causa das redes sociais. Essa é a maneira que encontramos para acompanhar a família. Tanto o marido da minha filha Priscila, Joalen, como da Juliana, o Léo, e a esposa do Júnior, a Virginia, eles se integraram muito bem. Eu e Nice não interferimos na vida deles, mas a nora e os genros, acabaram nos recebendo e nos adotando como pais. Por causa dessa questão familiar tão forte. Temos um relacionamento muito bom com eles. Somos uma família mais enriquecida com a vida deles e nos sentimos muito felizes.

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É muito bom ver Júnior avançando em seu ministério. Sempre procurei ser uma boa referência na vida dele, mas não tentei influenciá-lo em nada. Ele está no ministério por iniciativa pessoal. Dei a ele todas as oportunidades que eu achava que tinha que dar, como meu pai me deu para que eu me formasse e pudesse ser uma pessoa independente. Júnior, para a minha surpresa, escolheu o chamado ministerial. Eu fiquei muito feliz por isso, claro. Às vezes, ouvimos que filhos de ministros não querem seguir o mesmo caminho, ma,s com ele foi diferente. Júnior viveu todas as fases de uma família de pastores, ele passou por todas as dificuldades que se passa no chamado, contudo, ainda assim, decidiu me acompanhar. Além disso, olho para as meninas, vejo Priscila muito ativa na sua igreja, Juliana também. Quando volto ao Rio, me dão boas referências. Carol também está entrando no ministério itinerante, ensinando a Palavra, então, graças a Deus, vejo os filhos caminhando e seguindo essa direção. Me alegro porque meus filhos não viram a vida ministerial como um peso nem um fardo, toda a nossa família é envolvida com a igreja. Todos tem o seu chamado e estão correndo a sua carreira.

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Como sempre viajei, às vezes trazia presentes para os netos e, bem cedo, eles tinham todos os brinquedos que poderiam ter; comecei a perceber que o relacionamento com os netos era mais importante do que os brinquedos. Graças a Deus, nessa nossa nova fase, temos a internet para de alguma forma acompanhar o crescimento deles. Temos a oportunidade de vir ao Brasil duas vezes por ano e, quando estamos aqui, procuramos passar um tempo junto com eles. Este ano, passei um tempo com meu neto Davi e depois com a Ana Luiza em Campina Grande. Isabela nasceu e eu não estive perto, mas eu procuro ser um avô presente. Eu sou muito brincalhão, meus netos me veem muito mais como amigo do que como avô. Davi é meninão e sou menino junto com ele, desfrutamos da companhia um do outro. Davi é um dos meus melhores amigos; a Ana é uma doçura, procuro não mimar tanto, porque depois os pais vão ter trabalho. Nice é uma vó que quer educar, zelar.

Sou um homem que sempre gostou de desafios. É um privilégio servir ao Reino de Deus.

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