
Graduado da Escola de Ministros Rhema
A mensagem será baseada nos textos: Romanos 14.1-23 e I Corintios 8.1-13; 10.22-33
O texto de Romanos capítulo 14, aborda o intrincado problema de relacionamento entre os irmãos na fé que pensam de maneira diferente em algumas questões NÃO ESSENCIAIS. Nota-se que, ambos eram salvos em Cristo, participavam da mesma igreja, pertenciam à mesma família de Deus, todavia não estavam de acordo acerca de alguns pontos.
Paulo vê claramente que as questões das quais estão dividindo os cristãos, pertencem a categoria das coisas indiferentes, isto é, questões que não são essenciais a fé e a respeito das quais alguns cristãos comprometidos e sinceros podem discordar. Sabemos que mesmo com assuntos diferentes, a igreja atual, da mesma forma e com freqüência, tem se dividido por questões não essenciais. Assim, o propósito de Paulo é promover a unidade exortando a tolerância de um para com o outro nestas questões. E Paulo classifica estes dois grupos em fortes e fracos.
Em primeiro lugar é bom notarmos que com respeito a liberdade cristã, devemos distinguir entre coisas MORAIS, IMORAIS E AMORAIS. Há coisas que são essencialmente erradas e imorais e por isto não importa o tempo nem o contexto, essas coisas devem ser repudiadas e tratadas como imorais. Entretanto há práticas que são morais e virtuosas na própria essência e, portanto, devem ser praticadas por todos os crentes e em todos os lugares.
Agora, o que é AMORAL? É aquela atividade ou prática na qual pode tornar-se inconveniente e até escandaloso, para alguns, dependendo da situação. E um exemplo clássico e comum nos dias de Paulo era a prática de comer certos tipos de alimentos que provocava escândalo nos fracos. Os fortes, em posse de sua liberdade e conhecimento em Cristo, comiam sem nenhum drama de consciência; quanto que os fracos não somente se abstinham dessas atividades, como também ficavam escandalizados com os outros que faziam.
Os crentes fracos julgavam os crentes fortes como mundanos, e os crentes fortes desprezavam os fracos como imaturos. O pecado dos fracos acabava sendo o julgamento e o pecado dos fortes era o desprezo (falta de amor). Tanto o desprezo quanto o julgamento são atitudes indignas. E em vez de viver desprezando e julgando, eles deveriam coexistir amigavelmente acolhendo uns aos outros. Pois, não devemos exaltar as coisas NÃO ESSENCIAIS ao nível essencial, fazendo delas testes de ortodoxia e condição para comunhão.
Os crentes fracos eram imaturos, incultos e equivocados. A deficiência de conhecimento os tornou crentes julgadores, carregados de muitos escrúpulos. O que falta ao fraco não é força de vontade, mas liberdade de consciência (é bom notar que a palavra “fraco” usada aqui no texto de Romanos, indica alguém que é momentaneamente fraco, mas que pode tornar-se forte. E vale a pena ressaltar também que fraqueza aqui, não está associada a nenhum afastamento da fé).
Já os crentes fortes eram aqueles que haviam compreendido com mais clareza certas atividades e práticas da liberdade cristã sobre determinada questões, assim se desvencilhando de tais escrúpulos. Todavia estes não tinham o direito de desprezar os fracos e sim acolhê-los. O verbo aqui significa acolhê-los no circulo de amizade.
Agora me pergunto: por que devemos acolher? Em primeiro lugar, porque Deus já as acolheu. O forte despreza o fraco por causa de seus escrúpulos, e os fracos julgam os fortes por sua liberdade. Essa atitude está em desarmonia com o evangelho, porque Deus já acolheu a ambos. Por isto não se deve julgar nem desprezar aqueles em quem Deus já acolheu. Tratar os outros como gostaríamos que eles nos tratassem é certamente uma garantia baseado no egoísmo. Agora, tratar como Deus o faz é uma segurança baseada na perfeição de Deus.
A expressão “cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” na passagem em pauta, significa que cada um deve estar certo de que aquilo que faz é para o Senhor, não motivado por algum preconceito ou capricho. A motivação de ambos os grupos era de agradar ao Senhor e não receber aplausos ou aprovação de homem algum. A ação deve ser ditada não pelos costumes, nem pela superstição, mas pela convicção. É um dever que eu tenha minhas próprias convicções e vocês as suas, mas isso não é motivo para estar desprezando ou julgando. Pois, não basta fazer aquilo que é certo, devemos fazer para edificação. Tanto o “sorriso de desdém” dos fortes como a “carranca de juízo acusador” dos fracos são atitudes anômalas, não apenas porque Deus aceitou a ambos, mas também porque ambos pertencem a mesma família e são verdadeiramente irmãos.
Não devemos julgar nossos irmãos, porque nós mesmos seremos julgados no tribunal de Cristo, e cada um prestará contas de si mesmo, e não de outros. Assim então, já que Deus é o Juiz e nós estamos entre os julgados, deixemos de julgar uns aos outros por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer, sobre aquilo que uns acham certos e outros errados EM QUESTÕES SECUNDÁRIAS. Pois, assim evitaremos a extrema insensatez de tentar usurpar a prerrogativa de Deus e antecipar o juízo sobre nós mesmos. O Senhor abençoa até mesmo as pessoas das quais discordamos.
Quando o cristão fraco se supervaloriza em suas práticas legalistas para tornar-se mais aceitável a Deus, comete um grande equívoco, uma vez que o Reino de Deus é paz, alegria, e justiça no Espírito.
Entretanto, sempre que o forte insiste em usar a sua liberdade acaba incorrendo em grave falha de desaprovação.
O mais forte precisa crescer em amor, enquanto que o mais fraco precisa crescer em conhecimento. O mais fraco aprende com o mais forte e o mais forte deve amar o mais fraco. O resultado será a maturidade.
A fé que tens, tenha para ti mesmo perante Deus. Bem aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova. Nenhum cristão pode tomar emprestado as convicções de outro para ter uma vida cristã honesta. Se um cristão prisioneiro de seus escrúpulos faz algo contra à convicção para agradar os fortes, nisto está pecando, porque essa conduta não procede da fé. Isto significa que tudo o que não é feito com convicção de que está de acordo com a vontade de Deus é pecaminoso. Este ensino aplica-se não somente em alimento, mas em tudo. Se alguém estiver convencido de que é contrário a Deus,e apesar disso a praticar é culpado diante de Deus embora a coisa em sim mesma seja lícita, (Romanos 14.23).
É bom entendermos que dentro deste contexto, quando Paulo usa essa expressão “todas a coisa me são lícitas” ele não esta se referindo a atividades ou praticas imorais, mas sim amorais, pois aquilo que é imoral não deve ser lícito para um cristão autêntico. Portanto, quanto aos fortes, o amor fraternal deve regular sua liberdade pessoal, a ponto de se abster de direitos legítimos para não ser causa de tropeço para com os fracos.






1 Comentário
Quem nos livrará da ira futura
Quem nos alertará sobre o dsus desse século
Obrigado Senhor por nos enviar Irmãos como esse para nos
Levar a um conhecimento pleno de Suas sagradas escrituras