Janielle Medeiros
Graduada da Escola de Ministros Rhema em Recife-PE

Estamos vivendo tempos inusitados. Cercados por um vírus mortal, inseridos em uma pandemia. Sim, tudo isso vai passar, mas e até lá? Sem dúvida, esse é um tempo que requer de nós superação, em vários âmbitos. Quem nos tornaremos ao final desse processo?

Nesse atual cenário, é crescente ainda o número de infectados e registros de óbitos que temos tomado conhecimento aqui no Brasil e ao redor do mundo, causados pelo vírus SARS-CoV2.

Esse vírus faz parte de um grupo de vírus já conhecido que, microscopicamente, possui espículas em sua superfície que se assemelha a uma coroa. Interessante a sua estrutura: o material genético está dentro de um envelope engordurado, fato esse, que facilita que o vírus se fixe bem em superfícies, mas que também o torna vulnerável ao sabão, sendo de fácil eliminação, por isso, a importância de lavar bem e constantemente as mãos para prevenir a infecção.

Estudos já nos mostram que o meio de acesso desse vírus ao interior das células humanas é através de uma proteína “spike” na sua superfície, que tem semelhança a um espinho e liga-se perfeitamente, como um gancho, ao receptor ACE2 das células humanas que regulam a pressão arterial; um encaixe perfeito que dá acesso ao vírus para que ele replique-se no interior da célula (um único vírus é capaz de se replicar em novas 100 mil cópias de outros vírus), levando a tantas complicações respiratórias graves, e morte em último caso. Uma vez dentro da célula, estudos recentes têm demonstrado que o sangue, fonte da vida, é o alvo do vírus. Ele atua na hemoglobina, componente das células vermelhas, reduzindo a sua capacidade de transporte de oxigênio e dióxido de carbono, o que explicaria a potencialização da doença em pacientes com comorbidades pré-existentes.

Pois bem, feita essa introdução, farei uma analogia entre as consequências do Covid-19 e dos danos espirituais que muitos têm sofrido por não cuidarem de forma adequada do acesso ao espírito, cuja porta é a alma. A Palavra de Deus nos fala em Provérbios 4.23 da importância de sermos diligentes com os nossos pensamentos, que gerarão sentimentos, emoções e atitudes, pois disso depende a nossa vida.

“Tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos” (Provérbios 4.23).

Um desses sentimentos, que são de extrema nocividade para nós, é a culpa ou condenação. Nesse período de isolamento social, muitos estão sendo confrontados consigo mesmos e  nutrindo um sentimento de culpa. A fonte do sentimento é diversa: por não estar sendo paciente como gostaria com as crianças em casa; culpa por ter desaprendido a relaxar, em especial, os workaholics; culpa por não confiar em Deus como gostaria em meio a essa pandemia, ou quem sabe ainda, muitos podem estar condenados por não estarem acompanhando tantas “lives” edificadoras que estão disponíveis.

A verdade é que, como o vírus tem entrada sutil no organismo e, uma vez dentro da célula humana, inicia-se um mecanismo bem orquestrado que se segue para levar à destruição do organismo, sentimentos como a culpa têm o poder de sutilmente nos paralisar, roubando de nós a coragem e energia para avançarmos para o que Deus tem para nós.

Condenados, nos sentimos “pesados” para conquistar nossas metas, desfrutar das coisas simples da vida, desfrutar dos relacionamentos, em especial do mais importante: o relacionamento com Deus como Pai e não como chefe de nossa religião. Esse ponto é tão trágico, pois uma pessoa religiosa é uma pessoa perdida, que não se deu conta da queda invisível que sofreu, por ter perdido a conexão de filho com a Fonte da Vida.

Digo invisível, porque externamente muitos têm cumprido seus compromissos e escalas na igreja, congregando e dado amém e aleluia, mas aos olhos de Deus, estão desconectados. Um dos sinais de queda invisível é se tornar um religioso disfarçado, que olha para a Palavra de Deus, alimento espiritual do ser humano, de forma indiferente, sem fome por ela e com desinteresse, que levará a uma inanição espiritual e morte, em última instância.

O homem que carrega a culpa encrustada em sua alma, não tem a real consciência da posição de justiça conquistada por Cristo, o que o leva, muitas vezes, a um ativismo e necessidade de fazer coisas para ser merecedor de algo. Isso vai totalmente de encontro às verdades da Palavra de Deus. Jesus veio nos dar vida eterna (João 3.16) e a vida eterna está em experimentar a Deus (João 17.3), logo, desconectado de Deus, não provamos da vida eterna e, sem a vida, resta a morte. Matemática simples!

Eu vejo a culpa como um invasor ilegal que ataca nossa mente e consciência, e tenta nos impedir de desfrutar de qualquer coisa que Deus nos tenha proporcionado. A culpa não tem nenhum direito legal em nossas vidas porque Jesus pagou por nossos pecados e erros.” Joyce Meyer

Uma das primeiras coisas que a condenação nos rouba é a nossa confiança. O livro de Hebreus 4.16 nos fala sobre se aproximar de Deus, confiadamente, para recebermos misericórdia. A consciência da culpa é tão letal que a pessoa que carrega esse sentimento entra num ciclo de autodestruição e autossabotagem únicos, pois tem medo de que sendo feliz seja punida por isso. Então ela se antecede por não se achar digna e, assim como a pessoa aprende a ser dura com ela mesma, com extrema dificuldade de perdoar-se, assim também trata as pessoas com quem se relaciona. Cito uma frase do livro Superação (2020):

“Não seja implacável com os seus erros, mas também não se acomode com eles. Olhe o quanto você já percorreu na estrada e se alegre pelo percurso percorrido”. Dione Alexsandra

Logo, como uma simples lavagem de mão destrói esse potente e invisível inimigo viral, a culpa e a condenação somente são “lavadas” de nossa alma pela Palavra de Deus, renovando nossa mente de forma incisiva, à medida que nos alimentamos da verdade que, de fato, somos aceitos pelo que Cristo fez por nós. A conta já foi paga! Isso diz respeito a Ele, e não a você e eu. Se essa é sua condição, perdoe-se, ressignifique-se e siga livre, imune a esse sentimento “inimigo” e rasteiro.

 

Fonte:

https://observatoriohospitalar.fiocruz.br/node/3346
https://www.bbc.com/portuguese/geral-52096406
https://www.thailandmedical.news

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