
Graduada da Escola de Ministros Rhema em Recife-PE
Há algumas semanas, da varanda da minha casa, observei por alguns dias um lindo processo: em um galho de uma palmeira estava suspenso um ninho e um pássaro. É certo que a beleza desse animal está em seu canto e seu voo; é fazendo isso que o admiramos sua liberdade!
Eu, por exemplo, não gosto de ver pássaros presos em gaiolas, mas esse pássaro não tinha nada privando de sua autonomia; ele liberalmente se submeteu a um processo e estava nos bastidores, recluso.
Muitas vezes, pensei que ele estava empalhado, sem vida de tão quieto, mas, certo dia, eu o vi mexer e vi que ele não estava sozinho, e sim cuidando de dois filhotes! Trazendo para nossa vida, somos tendenciosos sempre a estar na vitrine da aprovação das pessoas ao nosso redor, mas existem momentos que precisamos trafegar pelos bastidores e permanecer por um tempo lá. É um tempo de reparo de arestas, de descanso, um tempo preparado pelo Espírito para desfrutarmos da intimidade do Pai. Mas não é tão fácil assim sair da mira dos holofotes, não é mesmo?
Todos sabemos que o padrão ouro do mundo em que vivemos é a produtividade. Cada vez mais, somos avaliados pela performance do que fazemos. Quem mais produz ganha o melhor lugar vitrine. Isso é fato! Vivemos num mundo bastante competitivo e numa busca constante por aprovação. Destaca-se quem melhor desempenha sua função. E como “quem não é visto não é lembrado”, sair de cena não é uma opção de quem quer ter seu nome sempre na vitrine.
Por que estou falando sobre isso? Porque além de um impacto na saúde física, mental, emocional isso também pode impactar a nossa vida espiritual. A avidez em produzir resultados pode nos tornar insensíveis em ouvir à voz do Espírito Santo. Crescer em desequilíbrio é trabalhoso e nocivo! A Bíblia nos fala que a nossa identidade é forjada em nós, à medida que nós observamos a verdade e a praticamos, mas, muitas vezes, nos perdemos de nós mesmos por não deixar que a Palavra crie em nós raízes, através da meditação, e correspondamos ao que ela nos diz, porque nos distraímos facilmente com as preocupações inerentes às nossas atividades (Mateus 13.22).
A fragilidade ou total ausência da consciência de que somos justos, aprovados por Deus pelo que Cristo fez e não pelo que fazemos contribue para, muitas vezes, negligenciarmos o quem temos ouvido do Espírito em meio a tantas vozes e afazeres.
Existem momentos que precisamos sair de cena e reorganizar nossas prioridades. Passar tempo com o Senhor e nos consagrar ou até mesmo diminuir a velocidade e relaxar. Porém, nem sempre o fazemos e quando paramos, nossa mente continua acelerada e preocupada. Não foi para esse estilo de vida que Deus nos criou. É necessário um esforço de nossa parte para entrarmos no estado de descanso (Hebreus 4.11)! Se requer esforço de nossa parte, não é simples, concorda?
Algo que dificulta bastante este processo é a falta de consciência de nossa identidade em Cristo. Quando sabemos que fomos feitos justos em Cristo, o peso de dar resultados sai completamente de nossos ombros e aí, sim, conseguimos interromper o ciclo de ativismo em que nos encontramos e aproveitar a vida.
A consciência de justiça nos dá acesso ao colo do Pai sem sentimento de culpa por estarmos fora da vitrine. Ela nos permite usufruir da Sua intimidade sem ansiedade para fazer qualquer outra coisa. Ela corrige nossa motivação em não buscá-lO por interesse de respostas e estratégias para ser mais produtivo no ministério, mas, antes, estar com Ele porque O amamos.
“Não desenvolva metas de resultados; desenvolva metas de relacionamento com o Pai.” (Humberto Albuquerque)
Em seu livro, Coma o biscoito…compre os sapatos, Joyce Meyer fala que é muito importante jogarmos fora o sentimento de culpa que insiste em nos acompanhar e roubar de nós, momentos de relaxarmos e celebrarmos a vida saindo um pouco da vitrine. A culpa é um sentimento perigoso por sutilmente nos convencer a constantemente buscar necessidade de aprovação, por sempre achar que estamos em dívida com algo. A autora fala que era viciada em se sentir culpada! Sabemos que Cristo já levou toda culpa nossa pagando pelos nossos erros e pecados e, logo, esse sentimento é ilegal e traiçoeiro e precisamos mandá-la embora.
Quem carrega culpa não vive em equilíbrio, pois abraça o estresse de viver para dar resultados aos outros e não consegue relaxar por não se achar merecedor, e quando consegue, sente-se culpado por não estar sendo produtivo. É um ciclo vicioso, uma prisão invisível!
Enquanto eu observava o pássaro, o Senhor me falou que assim como aquela mamãe pássaro estava ali, sem pressa de sair, submetida ao processo da maternidade e sem preocupação do que irão pensar por ela não estar voando e cantando como de costume, assim precisamos ser em Sua presença. Não se trata apenas de estar vivendo o processo, mas vivê-lo com prazer e com coração disponível para abrir ouvi-lO, sem pressa e sem a mente ansiosa e voltada para o que ficou fora do nosso “ninho” de comunhão. Somos justos! Essa é a nossa identidade e somos realizados completamente em Sua presença. Fomos chamados para dar resultados n’Ele, e por isso, sejamos ousados para abrir mão dos resultados que as pessoas esperam de nós, afastar-se de ambientes e associações que distraem nosso foco do Senhor e interrompem os processos que Ele tem para nós. Ele prometeu que estaria conosco durante todo o nosso trajeto!
Um fato que me chamou atenção nesse experiência é o galho que estava essa família de pássaros estava embaixo de um outro que fornecia sombra para eles o galho em si estava a ponto de se desprender da árvore por estar envelhecido, e isso, de fato, acabou acontecendo, mas enquanto aquele ninho estava abrigando aqueles pássaros, ele os estava sustentando e no dia que eles voaram, o galho se desprendeu e caiu.
Quando decidirmos pela presença de Deus, Ele mesmo nos supre, nos sustenta e providencia o que precisamos para estar somente com Ele; e em meio a tantas vozes, a Sua voz nos direciona, nos equilibra e, de repente, a necessidade que temos de fazer coisas e mostrar resultados é substituída pelo descanso do que Cristo fez por nós; a consciência de justiça é impressa e já não sentiremos necessidade da aprovação alheia, porque entenderemos que já somos aceitos n’Ele.
“A pessoa que procura segurança no Deus Altíssimo e se abriga na sombra protetora do Todo-Poderoso pode dizer a ele: “Ó SENHOR Deus, tu és o meu defensor e o meu protetor. Tu és o meu Deus; eu confio em ti. Deus livrará você de perigos escondidos e de doenças mortais. Ele o cobrirá com as suas asas, e debaixo delas você estará seguro. A fidelidade de Deus o protegerá como um escudo” (Salmos 91.1-4).
Viver imerso na presença de Deus produz resultados fantásticos! A vida nos bastidores é onde os processos que nos levarão a viver a plenitude da vida de Deus acontecem. Assim como a mamãe pássaro passou por seu processo e voltou a voar, mas agora já não mais sozinha, e sim na companhia de seus filhotes, voltaremos para a “vitrine” no tempo certo, repaginados, acompanhados de nossa melhor versão, mais conscientes a presença que carregamos conosco e, certamente, nossa produtividade dará frutos que refletirão na eternidade.






4 Comentários
Texto maravilhoso 👏🏻
Ministra do evangelho pleno, mulher cheia da palavra formada no Rhema Brasil e na escola de ministros tem muito que acrescenta no Reino de Deus obrigado
Obrigada meu nobre amigo! Feliz em ajudar!
Texto excelente da nossa amiga, mestre e escritora, Janielle. Recomendo a qualquer cristão. Me ajudou demais!