Um ano de perdas não diminuiu o “sim” de Fabiana Abreu

Depois de duas perdas gestacionais e um ano cheio de adversidades, ela permaneceu intensa no serviço ao Reino e o milagre aconteceu.

Algumas respostas por parte do Senhor não chegam de uma vez. Elas são construídas no caminho, entre lágrimas, orações, recomeços e, em algumas situações, nos dias em que permanecer parece ser a única coisa possível a fazer.

A história de Fabiana Abreu e o marido, Wagner Herculano — líderes do Departamento Tradição da Igreja Verbo da Vida em Caxias do Sul (RS) — passa por esse caminho. Depois de duas perdas gestacionais, ela precisou lidar com a dor, rever escolhas, cuidar de si, continuar servindo e aprender a permanecer descansando em Deus.

Hoje, enquanto aguarda o nascimento de Timóteo, previsto para novembro, ela olha para trás e reconhece uma trajetória repleta não apenas pelo que recebeu, mas por tudo o que Deus trabalhou em seu coração durante o processo.

MAIS UM

O desejo de aumentar a família começou, em grande parte, por causa de Débora, primeira filha do casal. Desde os dois ou três anos, a menina orava pedindo um “mano” ou uma “mana”. Para Fabiana e Herculano, a vida já estava confortável com uma filha maior, que se virava e fazia tudo sozinha. Ainda assim, foi a própria filha quem, segundo Fabiana: “gerou no nosso coração esse desejo”. No final de 2020, o casal decidiu tentar ter outro bebê. Eles tinham uma promessa no coração e começaram um processo de cuidados e acompanhamento médico.

Em 2023, a notícia tão esperada chegou: Fabiana estava grávida. A família ficou muito feliz, e Débora se emocionou bastante com a possibilidade de finalmente ter o irmão ou a irmã que tanto havia pedido. A gestação, porém, não evoluiu. O bebê não se desenvolveu e Fabiana passou pelo primeiro aborto. Naquela ocasião, a experiência foi marcada principalmente pela dor física, e sua irmã, Cris, a acompanhou durante todo o processo.

Em 2024, uma nova gravidez trouxe esperança. Enquanto estava na Escola de Ministros para participar da aula de campo, Fabiana descobriu que estava grávida novamente. Muito feliz, pensou em contar a novidade, mas, junto com o marido, decidiu esperar até os três meses para preservar Débora de uma nova expectativa. Ao retornar da aula de campo, o casal foi à farmácia, fez o teste, que deu positivo, e realizou a primeira ecografia, na qual estava tudo certo. Eles decidiram aguardar os três meses, mas, na segunda ecografia, veio novamente a notícia de que o coraçãozinho dele havia parado.

Com o marido, durante a Conferência de Ministros do Sul

Dessa vez, a dor atingiu Fabiana também emocionalmente. Durante cerca de vinte dias, ela ficou abalada, questionando-se sobre o que poderia ter feito de errado e conversando com Deus. Nesse período, uma aula de Suellen Emery sobre A mulher no ministério e, posteriormente, uma frase de Simon Potter marcaram profundamente aquele momento. Segundo, Fabiana, a frase que ouviu, “O consolo de Deus é melhor do que a resposta”, caiu como um rhema dentro dela. Naquela noite, ela foi para casa e passou seis horas conversando com Deus.

Durante a conversa, uma verdadeira retrospectiva da própria história, Fabiana percebeu que, após o primeiro aborto, havia dito que iria se cuidar e fazer a sua parte, mas não havia retornado para a revisão médica necessária para verificar se o organismo havia ficado limpo. Ao chegar a essa parte da conversa, reconheceu diante do Senhor: “Deus, me perdoa. Como eu estava preparando um ventre sem me cuidar?”. O arrependimento, segundo ela, começou ali. Fabiana passou a limpo a sua história até aquele momento e entendeu que precisava se preparar.

O processo começou em março de 2025. Ela passou a frequentar a academia, começou a repor vitaminas, foi às consultas regulares e cuidou do organismo. Durante todo aquele ano, dedicou-se à preparação. “Agora sim, Senhor, estou preparando o templo”, afirmou.

A história, entretanto, não pode ser compreendida apenas pelas duas perdas gestacionais. O ano de 2024 havia sido, segundo ela, o ano mais desafiador para a família. O Corsa que possuíam há mais de 12 anos pegou fogo enquanto estavam dentro do veículo, e eles conseguiram sair do carro em chamas. Depois, Herculano contraiu uma bactéria durante o trabalho de auxílio às pessoas atingidas pelas enchentes, quando foi servir por meio da ONG e da igreja. No mesmo ano, ela também enfrentou o segundo aborto. Foram muitas perdas em um curto período.

O REINO EM PRIMEIRO LUGAR

Ainda assim, havia uma Palavra que a família havia adotado como fundamento: Mateus 6:33, “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e as demais coisas vos serão acrescentadas”. E foi justamente diante das circunstâncias mais difíceis que eles decidiram não diminuir a intensidade no serviço ao Reino. Fabiana conta que passou pelo aborto em uma quarta-feira e, no sábado, já estava novamente nas ruas trabalhando no projeto “Teu Reino”, da ONG Amor em Movimento, ação que eles realizam há oito anos levando chá e café na cidade.

Quando Herculano ficou internado após contrair a bactéria, eles compraram os mantimentos e pediram aos voluntários que os levassem ao hospital onde ele estava. A ação também aconteceu. “Nesses dois momentos difíceis, a nossa intensidade no Reino só aumentou”, relembra. Ela se recorda de noites poderosas em que pessoas que estavam questionando a fé foram alcançadas e afirma que, quanto maior era a oposição, maior também era o alcance e a salvação experimentados nas ações realizadas fora da igreja. “Nunca diminuímos o ritmo”.

Foi também em 2024 que Fabiana participou do Curso de Oração. Durante uma das ministrações, Mízia Elian afirmou estar com uma unção para orar pelas mulheres para que gerassem filhos e fossem curadas. Fabiana foi à frente, mas não estava ali pedindo por si. Ela já carregava a convicção de que, no tempo certo, seu bebê viria, desde que também fizesse a sua parte e se preparasse. E assim, foi receber oração em favor de algumas irmãs que desejavam gerar. Naquela oportunidade, sentiu que algo diferente havia acontecido. Na medicina, segundo ela, é preciso “cavar fundo” para descobrir determinadas coisas e, se havia algo espiritual prendendo, Fabiana acredita que aquilo foi destravado naquele momento.

Ela chegou a compartilhar essa percepção com a própria Mízia, que contou uma experiência vivida durante o processo da faculdade de Medicina: quando parou de olhar para si mesma e orou por uma amiga, a vaga que precisava foi liberada. Para Fabiana, houve uma identificação com aquela experiência. “Quando fui orar pelas irmãs, algo de que eu precisava foi destravado e curado. Deus faz infinitamente mais”.

Apesar de todas as circunstâncias vividas em 2024, Fabiana considera aquele período também como um ano de grande cura. A família serviu na Conferência de Ministros e, em determinado momento, seu nome foi citado em uma mesa na qual eles nem sequer estavam presentes.

DEUS DE PROMESSA

Hoje, Fabiana e Herculano moram em uma chácara onde mantêm a escola Menos tela e mais cavalo, justamente no lugar onde desejavam morar para ter os cavalos.

Quando chegaram à propriedade, Fabiana fez uma oração simples. Lembrou-se da palavra ministrada pelo pastor Sílvio Demarchi, líder da Igreja Verbod da Vida em Caxias do Sul (RS), sobre seu nome ser citado à mesa de ímpios e haver favorecimento e reconheceu aquilo como cumprimento da referida promessa.

Ao mesmo tempo, estabeleceu no coração que essa conquista não ocuparia o lugar do chamado.

“Deus, nós ganhamos este lugar onde nosso nome foi citado, como o pastor Sílvio pregou que nosso nome seria citado na mesa de ímpios e seríamos favorecidos. Essa palavra se cumpriu. Mas quero dizer, Deus, que este lugar não ocupa o nosso coração; nosso coração continuará intenso no Teu chamado. Este lugar é apenas a ‘coisa acrescentada’, conforme Mateus 6.33”.

“AS COISAS” ACRESCENTADAS

Hoje, a chácara já está ficando pequena. Para Fabiana, as coisas acrescentadas vão tomando forma quando uma família escolhe honrar o Reino, superando as dores de uma maneira sobrenatural.

Depois de um ano inteiro de preparação, uma nova gestação chegou. Em fevereiro de 2026, durante a cavalgada das mulheres, ela já não podia cavalgar e também não podia contar a ninguém o motivo. Mais uma vez, o casal decidiu guardar segredo até os três meses. Dessa vez, porém, os exames mostraram que o bebê estava bem: o útero estava perfeito, tudo estava funcionando e o bebê se desenvolvia. “Aí começou a alegria!”, conta. Timóteo vem em novembro.

A espera pelo filho também foi marcada por uma surpresa que ela não esperava. Poucos dias antes da Conferência de Ministros que está sendo realizada no Sul, ela estava em casa praticamente de pijama e de coque. Como se considera uma pessoa muito observadora, conta que normalmente é difícil para o marido fazer uma surpresa sem que ela perceba. Naquele domingo, porém, por volta das 14h, uma irmã chegou inesperadamente, testando uma bombacha para a cavalgada. Depois, Fagner abriu o portão e uma van chegou buzinando com a “charreata” e o urso gigante utilizado no projeto.

A surpresa continuou quando começaram a descarregar os presentes. A família ganhou guarda-roupa, cômoda e a poltrona de amamentação que Fabiana tanto queria, escolhida por ela junto com uma amiga da igreja. Vieram também todos os móveis, uma oferta generosa, muitas fraldas e presentes. Mais uma vez, Fabiana reconheceu naquele momento a “coisa acrescentada” e sentiu do Senhor: “Isso é a coisa acrescentada pela fidelidade do coração de vocês”. Para ela, foi um dia incrível.

Ao olhar para toda essa trajetória, Fabi, como é chamada na igreja local, identifica uma mudança fundamental que aconteceu em 2024: a família aprendeu a permanecer no descanso. Não se trata, segundo ela, de negar a realidade ou fingir que os problemas não existem. As perdas aconteceram, o carro pegou fogo, Wagner Herculano ficou internado e a gravidez foi interrompida. As circunstâncias eram reais, mas a resposta da família também passou a ser intencional.

“Essa foi a grande virada em 2024. Quando tudo aconteceu, a nossa intensidade aumentou. Quanto maior a oposição, mais forte era o nosso ‘sim’ para o Senhor”. Foi naquele ano que, como família, eles entenderam que haviam entrado no lugar em que todo filho merece estar: o lugar do descanso. De acordo com ela, a oposição sempre vai existir, “a Palavra diz que no mundo teremos aflições, mas também chama a ter bom ânimo. Como família, eu disse que nunca mais quero sair desse lugar de filho: lugar de descanso”.

Pode faltar algo financeiro ou surgir qualquer outra circunstância, mas a família aprendeu a rir, alegrar-se e dançar diante das situações. A resposta a Deus tornou-se ainda maior e mais intencional. Fabiana faz questão de explicar que entrar no descanso não significa negar a realidade. O problema continua sendo visto. A diferença está em não permitir que ele ocupe o centro. “Você não nega a realidade, você vê o problema, mas não dá IBOPE para ele. A gente permanece no lugar de filho, sabendo que o Senhor vai resolver”.

Agora, com a chegada de seu bebê, Fabiana e sua família aprenderam que vale a pena buscar primeiro o Reino, permanecer no chamado e receber as demais coisas sem permitir que elas ocupem o lugar mais importante: o lugar do Senhor.

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