3º DIA: UMA PROMESSA QUE SE CUMPRE NAS RUAS DE KITA, EM TÓQUIO
O terceiro dia da nossa jornada missionária no Japão foi marcado por ministração, consagração, evangelismo, louvor, uma experiência de cura e uma lembrança muito especial: uma palavra que recebi há dez anos e que, finalmente, estava diante dos meus olhos.

Naquele dia, pela manhã, tivemos nosso momento de oração e consagração, no qual o pastor Jefter me convidou a dar uma palavra para todos os missionários presentes. A mensagem que me veio foi sobre refrigério, perseverança e expansão da Palavra da Fé em Tóquio. Logo depois, almoçamos juntos e, mais tarde, fomos a um parque próximo à igreja de Tóquio, em Kita, para compartilhar o Evangelho. Participaram desse momento o pastor Jefter, sua esposa, Gabriela, Amanda Esteves, Ingrid Oliveira e eu.
Com o violão em mãos, comecei a cantar louvores por aproximadamente uma hora, em frente a um templo xintoísta. Enquanto a música preenchia aquele espaço, as pessoas passavam por nós, algumas paravam para observar, outras seguiam seu caminho. Também realizamos a distribuição de panfletos evangelísticos. Muitas pessoas os receberam, enquanto outras preferiram não aceitar.
Mas, naquele parque, algo chamou minha atenção de uma maneira muito particular.
Um moinho que eu já havia visto antes
Enquanto observava o lugar, vi um moinho, que poderia parecer apenas mais um elemento da paisagem. Para mim, porém, aquele moinho carregava um significado muito especial.

Um ano antes de viajar para o Japão, enquanto orava em línguas, tive uma visão. Nela, vi um moinho. Naquele momento, eu não sabia exatamente onde aquela imagem se encaixaria.
Mas, quando cheguei àquele parque e me deparei com o moinho, fiquei admirada: era exatamente igual ao que eu havia visto naquela visão, um ano antes!
Fiquei contemplando aquela cena, impressionada com a lembrança tão nítida. Era como se uma imagem que havia guardado no coração durante a oração tivesse ganhado forma diante dos meus olhos.
Aquela experiência me fez refletir sobre como, muitas vezes, não compreendemos imediatamente tudo aquilo que vivemos com Deus. Existem momentos que só ganham um novo significado quando olhamos para trás e percebemos o caminho percorrido.
Naquele dia, diante daquele moinho, lembrei-me de que nem sempre conseguimos enxergar o quadro completo enquanto estamos vivendo cada etapa da jornada. Por isso, é tão importante continuar caminhando, guardando no coração aquilo que recebemos em oração e permanecendo atentos ao que Deus nos permite experimentar.
Uma oração, uma dor e uma resposta inesperada
Enquanto estávamos evangelizando no parque, aconteceu algo que tornou aquele dia ainda mais marcante. Uma senhora passou por nós, e Amanda Esteves teve a percepção de que ela estava sentindo dores nas costas. O pastor Jefter se aproximou e conversou com ela em japonês. Ao perguntar sobre a dor, a senhora confirmou que realmente estava sentindo aquele desconforto.
O pastor pediu permissão para orar por ela, e ela aceitou. Ele orou, e a senhora seguiu seu caminho. Até então, parecia ter sido mais uma abordagem evangelística, como tantas outras que acontecem nas ruas. Mas, alguns passos adiante, aquela senhora parou, olhou para trás e chamou o pastor Jefter.
Ele voltou até ela. Era uma senhora idosa, que caminhava curvada. Ela queria contar algo que havia acabado de perceber: a dor havia passado! Surpresa com o que estava acontecendo, ela perguntou ao pastor se aquilo realmente existia, se era possível acontecer daquela maneira. O pastor respondeu que sim, afirmando que Jesus vive, e aproveitou aquele momento para compartilhar o Evangelho com ela.
A resposta da senhora foi tão espontânea que todos nós acabamos rindo. Ela disse, em outras palavras, que achava muito bom saber que Jesus estava vivo e pediu ao pastor que mandasse um abraço para Ele! Foi um momento descontraído, mas também muito especial. A simplicidade daquela reação nos marcou. Mais do que uma conversa, aquela senhora teve uma experiência pessoal naquele encontro. E nós tivemos a oportunidade de testemunhar o que aconteceu e de continuar anunciando Jesus.
Aquela situação me lembrou da importância de estarmos atentos às pessoas, de ouvirmos suas necessidades e de não deixarmos passar as oportunidades de orar por elas. Às vezes, uma abordagem simples, feita com amor e sensibilidade, abre espaço para uma experiência que a pessoa não esperava viver naquele dia.
O violão nas ruas e uma palavra que esperou dez anos
Depois daquela experiência no parque, seguimos para a região em frente à igreja, onde continuamos a evangelização e a distribuição de panfletos.

Peguei novamente o violão e passei mais uma hora cantando louvores. Enquanto eu cantava, dois japoneses passaram por nós, pararam e ficaram me observando. Havia algo naquele momento que me chamou a atenção: eles permaneceram ali, olhando para mim, como se estivessem sendo tocados por algo que ia além do que conseguiam expressar naquele instante.
Enquanto cantava, minha memória me levou de volta a uma sala de aula do Rhema, no Brasil, cerca de dez anos antes.
Naquela época, eu estava cursando o segundo ano do Rhema, e meu professor de Evangelismo, Fábio Amorim, disse algo que ficou guardado no meu coração.
Ele me falou: “Te vejo nas ruas tocando violão! Você tem chamado missionário?”. Respondi que sim. Então, ele declarou que me via tocando violão nas ruas e que não seria no Brasil. Naquele tempo, aquela palavra foi recebida em uma realidade completamente diferente daquela que eu estava vivendo no Japão. Eu ainda tinha uma caminhada pela frente, etapas a cumprir e experiências que sequer imaginava que viveria.
Mas, dez anos depois, eu estava ali. No Japão. Nas ruas. Com meu violão nas mãos, cantando louvores e vendo pessoas pararem para me ouvir. Naquele instante, me lembrei da palavra de Fábio Amorim e fiquei profundamente tocada. Aquilo que um dia havia sido declarado em uma sala de aula estava se tornando parte da minha história missionária.
Dez anos depois, eu estava vivendo exatamente aquilo que havia ouvido!
A lembrança me trouxe alegria e gratidão. Não era apenas sobre tocar violão em outro país. Era sobre olhar para trás e perceber quantos passos haviam sido necessários para chegar até aquele momento.
Quantas experiências, quantos aprendizados, quantas etapas e quantas vezes foi necessário continuar caminhando sem ter todas as respostas. E ali, diante daquela igreja, enquanto cantava para pessoas que passavam pelas ruas do Japão, compreendi ainda mais o valor de guardar no coração aquilo que recebemos de Deus e de permanecer fiéis ao processo.
Deus não se esquece do que falou
Aquele terceiro dia reuniu experiências muito diferentes, mas que se conectaram de maneira especial: o moinho que me fez recordar uma visão recebida durante a oração, a senhora que relatou o desaparecimento da dor depois da oração e a lembrança de uma palavra que esperei dez anos para ver se cumprir.
Saí daquele dia com o coração cheio de gratidão.
A missão no Japão tem me ensinado que não estamos aqui apenas para conhecer novos lugares ou viver experiências diferentes. Estamos aqui para servir, aprender, anunciar Jesus e estar disponíveis para aquilo que surgir em nosso caminho.
Também tenho aprendido que a caminhada missionária é construída por etapas. Nem sempre compreendemos tudo no momento em que acontece. Algumas lembranças só fazem sentido anos depois, quando conseguimos olhar para trás e reconhecer o quanto caminhamos.
Uma palavra recebida há dez anos encontrou seu cumprimento em um dia comum de evangelismo nas ruas do Japão.
Isso me faz lembrar que o tempo de espera não precisa ser um tempo perdido. Podemos continuar aprendendo, crescendo e nos preparando enquanto caminhamos em direção ao que desejamos realizar.

Hoje, ao recordar aquele momento no Rhema, meu coração se enche de gratidão por tudo o que vivi até aqui. Se existe algo que levo dessa experiência, é a certeza de que vale a pena continuar caminhando, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar como tudo vai acontecer.
Afinal, dez anos se passaram entre aquela declaração e o momento em que me vi tocando violão nas ruas de uma nação do outro lado do mundo.
E eu só consigo agradecer.
Deus continua sendo fiel. E eu sigo vivendo, um dia de cada vez, aquilo que Ele tem preparado para esta jornada missionária no Japão.














