A cobra continua cobra

Existem coisas na nossa vida que Deus não está chamando para que aprendamos a controlar, domesticar ou tornar inofensivas. Existem coisas que precisam ser crucificadas.

“Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.33).

Buscar o Reino de Deus é buscar a maneira como Ele é e faz as coisas. É deixar de perguntar apenas “O que eu quero?” e começar a perguntar: “Como Deus quer que eu faça? Quem Ele quer que eu seja?”. Porque, mais cedo ou mais tarde, aquilo que está dentro de nós vem à superfície. Arrogância, orgulho, estultícia, rebeldia, motivações erradas…Podemos até tentar maquiar algumas áreas com uma aparência de espiritualidade, mas o coração sempre encontra uma maneira de revelar o que realmente o governa.

Não espiritualize aquilo que o Senhor está querendo tratar. Muitas vezes, reconhecemos uma fragilidade, mas reconhecer não é o mesmo que mudar. Existem áreas que entregamos facilmente a Deus e outras que tentamos preservar, justificar ou explicar. E, enquanto não nomearmos aquilo que precisa ser tratado, continuaremos dando espaço para que o mesmo padrão permaneça.

A COBRA CONTINUA SENDO COBRA

Meu pai me ensinou a mexer com cobras. Eu sempre achei fascinante a ideia de ter uma. A cobra poderia representar perigo para alguém, mas, para mim, poderia se tornar uma diversão. Porém, existe uma verdade que não pode ser ignorada: A cobra continua sendo cobra.

O fato de eu ter aprendido a lidar com ela não muda a sua natureza. O fato de eu não ter mais medo não significa que ela deixou de ser perigosa. E é exatamente aí que precisamos ter discernimento.

Queremos convencer a nós mesmos de que já temos maturidade suficiente para brincar com aquilo que antes sabíamos que era perigoso. Damos nome bonito, encontramos justificativas, espiritualizamos comportamentos e acreditamos que, porque agora sabemos lidar com determinada coisa, ela deixou de representar perigo. Mas a cobra continua sendo cobra.

Há desejos que precisam morrer, há padrões que precisam ser interrompidos, há atitudes que precisam ser abandonadas, há áreas em que não precisamos de mais liberdade, mas de mais domínio próprio.

“Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6.20).

Nós não somos mais donos de nós mesmos. Fomos comprados. E, a partir do momento em que fomos comprados, é Ele quem estabelece os limites. Por isso, decisão firme não é uma decisão tomada uma única vez. Quando a pressão chega, é a firmeza do nosso caráter em Deus que revela se aquilo que dissemos realmente tem valor.

O que está dentro vai aparecer. Jesus ensinou que devemos buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus. Isso significa permitir que a maneira de Deus governar alcance também as áreas que preferimos esconder. O espiritual aprende a discernir. Não apenas pelo que os olhos veem ou pelo que os ouvidos escutam, mas pelo Espírito.

“Porém o homem espiritual julga todas as coisas…” (1 Coríntios 2.15).

Deus olha para o coração, e o fruto sempre revela a natureza. Podemos fazer muito, servir muito, trabalhar bem e até alcançar sucesso. Mas sucesso nunca deve ser o padrão pelo qual avaliamos a nossa vida espiritual. O que importa não é apenas o que fazemos, mas quem somos enquanto fazemos. Porque o fruto fala do coração.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4.23).

Se não guardarmos o coração, aquilo que sair de nós não produzirá vida. Não é perfeição. É constância. Pecado não é apenas fazer aquilo que sabemos que não deveríamos fazer. Tiago também nos lembra:

“Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tiago 4.17).

Por isso, precisamos parar de usar desculpas para preservar padrões que Deus já nos mostrou que precisam mudar. Não é sobre sermos perfeitos. É sobre sermos constantes. É sobre permitir que Deus trate aquilo que está dentro, mesmo quando dói. É sobre não tentar domesticar aquilo que precisa morrer. Porque, no final, não somos apenas pessoas fazendo coisas. Somos representantes. Somos a cara da marca que carregamos.

E a pergunta não é somente: “O que você está fazendo?” É: “Quem você é quando ninguém está vendo? O que governa o seu coração?
Que fruto a sua vida está produzindo?”

Os olhos do Senhor estão sobre toda a terra. Podemos nos ausentar de pessoas, mas nunca da presença de Deus. Que o nosso desejo não seja parecer espirituais, mas ser transformados. Que não tentemos convencer a cobra a deixar de ser cobra. Que tenhamos coragem de reconhecer aquilo que precisa morrer. Porque, quando Deus nos chama para uma vida de Reino, Ele não está apenas mudando o que fazemos. Ele está transformando quem somos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Destaques da semana​
Estude no Maior Centro de Treinamento Bíblico do Mundo!