Crianças conectadas com Deus

Elas não podem amadurecer enxergando em quem as ministra apenas bons contadores de histórias, nem se referir a Deus como o Deus do pai, da mãe ou do tio da sala.

Servir ao Senhor servindo as crianças é um privilégio. Não se trata apenas de cuidar de quem fará parte do Reino de Deus um dia, como se as crianças fossem somente a Igreja do futuro. Elas são parte do Reino de Deus hoje. Deus está se movendo entre elas e através delas neste tempo, preparando uma geração que verá Jesus voltar sem estar desanimada, corrompida ou com a identidade distorcida.

Essa distorção é exatamente o que o inimigo tenta produzir, mas o Departamento Infantil existe como resistência. Enquanto o diabo investe nas crianças por todos os meios; das mídias sociais aos desenhos, e até a determinados materiais didáticos, plantando sementes de distorção sobre quem é Deus e sobre quem elas são, a Igreja planta a Palavra que nunca volta vazia. Deus garantiu que a palavra que sai da sua boca cumpra o propósito para o qual foi designada.

NÃO SOMOS UM DEPÓSITO DE CRIANÇAS

PRIMEIRO, UM CORAÇÃO CONECTADO A DEUS

Não é possível conectar o coração de uma criança ao coração de Deus sem ter o próprio coração conectado a Ele. Mais do que aquilo que se fala, o que se transmite faz toda a diferença, porque a criança percebe o que não é dito. Ela capta o cansaço, o aborrecimento e a agitação, e muitas vezes reproduz o comportamento de quem a ministra. Se uma sala está agitada, vale perguntar como o voluntário entrou nela.

Como ensina I João, não se pode amar o Deus que não se vê, sem amar as pessoas que se veem, e para a criança isso é ainda mais literal: ela só se conecta ao coração de Deus quando consegue se conectar com quem a ministra. Quem fala de algo abstrato, sem viver a comunhão, apenas se vê reproduzido. Quando o voluntário fecha os olhos e levanta as mãos em adoração, logo as crianças fazem o mesmo, observando como alguém se conecta com Deus.

Conectar o coração da criança a Deus começa, portanto, com pessoas conscientes da sua aliança com o Senhor, cheias da Palavra e do Espírito. A criança quer saber se quem está diante dela conhece a Deus para que possa apresentá-lO a ela. E, como qualquer pessoa, a criança também tem problemas do tamanho dela: uma discussão que presenciou em casa, uma prova que se aproxima, uma ansiedade que carrega. O voluntário é aquele que pode lembrá-la de que está em aliança com Deus e conduzi-la a confiar n’Ele.

COISA SÉRIA, VIVIDA COM ALEGRIA

Em Mateus 18, quando os discípulos perguntaram quem era o maior no Reino dos Céus, Jesus colocou uma criança no meio deles e disse que, a menos que se convertessem e se tornassem como crianças, jamais entrariam no Reino. Quem recebe uma criança em nome de Jesus recebe o próprio Jesus, mas há também a advertência severa: “Seria melhor amarrar uma grande pedra ao pescoço e afogar-se no mar do que fazer um desses pequeninos tropeçar” (Mateus 18.6).

A alegria, as brincadeiras e a beleza pertencem ao Departamento Infantil, pois sem alegria o trabalho perde sua essência. Ainda assim, é lugar de coisa séria. Não se entra em sala sem preparar a aula, sem orar, tratando o momento como mais uma escala. Cada vez é um encontro com Jesus, é recebê-lO e apresentá-lO às crianças.

FORMAR UMA GERAÇÃO QUE CONHECE A DEUS

A visão aponta para onde se quer chegar: formar uma geração de crianças que conhecem a Deus, vivem os seus princípios e impactam o Brasil e as nações com a Palavra da Fé e o amor. São crianças que, diante da pornografia, do palavrão ou de modelos de família destruídos, saberão discernir o que não agrada a Deus e crer que sua própria história pode ser diferente. Crianças que não mentem nem tomam o que não é seu, porque o caráter está sendo forjado e o temor do Senhor, princípio da sabedoria, está sendo escrito no coração. Crianças ousadas que, ao ouvir alguém dizer que está doente, sabem afirmar que Cristo cura e se dispõem a orar.

Isso não acontece no piloto automático. Juízes 2 mostra que o povo serviu ao Senhor durante toda a vida de Josué e dos líderes que viram as grandes obras de Deus, mas, quando aquela geração morreu, surgiu outra que não conhecia o Senhor nem havia visto o que Ele fizera, e essa geração se corrompeu e serviu a outros deuses. Foi uma geração que não viu, apenas ouviu. Esse é um dos maiores cuidados do Departamento Infantil: não ser apenas contador de histórias, mas ministro da Nova Aliança. A geração que teve experiência com Deus o serviu até a morte; a que só ouviu as histórias, sem provar do sobrenatural, se desviou.

EXPERIÊNCIA COM DEUS, NÃO APENAS HISTÓRIAS

Há um privilégio em ouvir o que vem do coração de uma criança. Há também um poder em afirmar a ela que se acredita no chamado de Deus sobre a sua vida, que Deus a ungiu para grandes coisas e que o Espírito Santo a ajuda, inclusive a lembrar do que precisa diante de uma prova. São palavras reais, dentro do entendimento dela, que aquecem o coração e cumprem a missão. A missão é conectar o coração das crianças ao coração de Deus. Já a visão é conduzi-las a conhecê-lO, andar nos Seus princípios e proclamar a Palavra da Fé e o amor. Quem serve nesse lugar está envolvido em algo precioso, que faz parte do coração de Deus.

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