por Sâmia Rocha
Quantas vezes nós usamos a expressão “Deus me disse”, “Deus me disse que era pra fazer isso ou aquilo…” Quando usamos essas expressões é por dois motivos, o primeiro é porque queremos mostrar que existe uma direção naquilo que vamos fazer, queremos dar a entender que oramos, temos uma direção pelo testemunho interior e queremos notificar que é por uma direção de Deus e não por algo da nossa própria cabeça que vamos fazer o que estamos dizendo.
Nesses últimos tempos, eu vejo muito o uso indevido da expressão “Deus me disse!”. Que uso é esse? Um deles é que as pessoas usam a expressão “Deus disse” quando na realidade elas não querem dizer “eu quero fazer”, “eu desejo”, “é o que eu penso”, “é a minha vontade”, mas não dizem isso porque não soa espiritual. O que soa espiritual é: “estou sendo guiado”. Então, as pessoas muitas vezes não têm coragem ou o discernimento de perceber o que vem do seu espírito ou o que vem da sua alma, por isso, existe a rapidez em dizer: “Foi Deus que falou!”.
Só que, com o passar do tempo, quando as coisas não correm bem, existe uma frustração ou até mesmo um mau testemunho porque pra quem olha aquela pessoa dizer que foi Deus quem a guiou e depois a coisa não funciona pode pensar: “Porque Deus permitiu?”. Quando, na realidade, Deus nunca esteve envolvido naquela direção. Foi a ideia, desejo ou vontade daquela pessoa.
Segundo, quando Deus realmente fala algo seja em que âmbito for, é preciso entender que toda direção de Deus vai envolver desafios e mudanças. Não existe nenhuma direção que Deus dá a alguém e não envolva essas duas coisas.
Podemos ver que quando Deus falou com o povo de Israel pra tomar posse da terra de Canaã e os espias foram espiar a terra, eles voltaram assustados porque viam que lá tinha gigantes e cidades fortificadas. Mas Deus não voltou atrás no que já tinha dito, pelo contrário, a Palavra que Deus havia liberado permaneceu.
Precisamos entender que todas as vezes que Deus libera uma palavra sobre a nossa vida, embora levantem-se desafios, existe graça, poder e provisão para conquistarmos aquilo que Ele falou. Agora, nós não podemos esperar que esse caminho de obediência esteja desprovido de mudanças. Nós precisamos nos ajustar para aquilo que Deus disse. Às vezes, é um conceito na nossa alma, outras vezes é literalmente uma mudança física, mas a direção de Deus nunca vai estar desprovida de mudança. Precisamos entender isso.
Pessoas afirmam “Deus disse”, mas, com duas semanas, pelo fato de os desafios terem se levantado, as mudanças baterem à porta, sacríficos ou desconfortos chegarem, elas passam a dizer que Deus agora está guiando para outra direção. Deus não é instável, a Palavra d’Ele é a mesma. Nós é que, muitas vezes, alteramos o Seu plano porque não queremos cumprir da forma como Ele estabeleceu.
Devemos permanecer naquilo que Ele falou porque só permanecendo no caminho é que vamos alcançar o resultado que Ele quer e espera para nós. No caminho, existe desconforto, e, às vezes, até injustiça. E a questão é que Deus não nos envia isso, mas no caminho vamos trilhar por rotas que não gostaríamos de passar. Se tivermos a atitude certa no coração, até o que se levanta para atrapalhar o nosso caminho de obediência, se reverterá em bênção, crescimento, aprendizado e experiência. Não desista do que Deus realmente disse só por causa do desconforto.
Muitas vezes (para não dizer todas as vezes), o crescimento envolve abrir mão da sua própria vontade. É dessa forma que você é moldado, e assim cada dia ficará mais parecido com Jesus e desfrutará da vida, da plenitude e do propósito que Deus tem pra você. Então, fique firme e, quando quiser fazer algo, não use artifícios para querer justificar a sua decisão usando a expressão “Deus disse”. Seja claro quando o desejo de fazer algo for seu, mas também seja claro quando Deus realmente falar, independentemente do desconforto que isso trará para sua vida.












