Tipos de crente

Se alguma dessas características se aplicar a você, receba como direção de Deus. Se não, que sirva como alerta.


No início do ministério de Jesus, Ele escolheu doze homens para andarem com Ele de perto. Todos eram discípulos, mas cada um tinha personalidade e postura diferentes. João era amoroso e tinha grande intimidade com o Senhor. Pedro era rústico e, muitas vezes, precipitado. Judas Iscariotes era enganador; roubava e traiu o próprio Jesus. Todos eram discípulos, mas cada um lidava com Jesus de maneira distinta.

Hoje, no Corpo de Cristo, não é diferente. A palavra “igreja” carrega dois aspectos: espiritual e natural. Espiritualmente, igreja não é prédio, mas pessoas — todos os que confessaram Jesus como Senhor. Naturalmente, é o local onde o povo de Deus congrega. Fazer parte da mesma igreja espiritual não significa ter o mesmo nível de consagração e compromisso na igreja local. Assim como havia diferenças entre os doze discípulos, vemos reflexos disso nas igrejas hoje.

O CRENTE NARCISISTA

Para entender esse perfil, olhamos para a vida de Naamã, em 2 Reis 5. Ele era comandante do exército da Síria, homem de prestígio, mas leproso. Ao saber que havia um profeta em Israel que poderia curá-lo, foi até Samaria. Eliseu, porém, não saiu para recebê-lo; enviou um mensageiro com a instrução: que se lavasse sete vezes no rio Jordão. A Bíblia diz que Naamã se indignou. Ele se ofendeu por dois motivos. Primeiro, porque não recebeu o tratamento que achava merecer. Estava acostumado a honra e destaque. Segundo, porque a orientação não correspondia às suas expectativas. Ele queria que o profeta agisse da maneira que ele imaginava.

O crente narcisista age de forma semelhante. Ele entende que merece tratamento diferenciado. Quer que a igreja se adapte a ele, às suas preferências e expectativas. Se não recebe a atenção que deseja, se ofende.

Tiago 2 ensina que não deve haver acepção de pessoas na igreja. Diante de Deus, todos têm o mesmo valor. O empresário não é mais importante que a empregada doméstica; todos foram lavados pelo mesmo sangue. A boa notícia é que Naamã, depois, se humilhou, obedeceu e foi curado. Há esperança para quem decide vencer o orgulho.

O CRENTE CONSUMISTA

Em João 6:26, Jesus disse: “Vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque comeram dos pães e se fartaram”. Ele revelou que a motivação daquele povo era interesse próprio. É possível fazer a coisa certa com o coração errado. Podemos frequentar a igreja e, ainda assim, ter motivações equivocadas.

O crente consumista vai à igreja pensando apenas no que pode receber. Não pensa em contribuir, servir ou agregar. Enxerga a igreja como um lugar de benefício pessoal.

Jesus contou a parábola dos talentos e mostrou que Deus não se agrada quando recebemos algo e não fazemos nada com isso. O egoísmo enterra dons e habilidades. O Mar Morto é um exemplo natural: recebe água, mas não possui saída. Por isso, não há vida nele. O crente consumista age da mesma forma: acumula, mas não compartilha. A igreja é lugar de receber, sim, mas também de contribuir. Jesus disse que rios de água viva fluiriam de nós. Existe algo em nós que precisa encontrar saída para abençoar outros.

O CRENTE “PECHINCHEIRO”

Em Marcos 10, lemos sobre o jovem rico. Ele guardava os mandamentos, mas quando Jesus tocou na área financeira, retirou-se triste. Sua riqueza ocupava um lugar acima da obediência. O crente “pechincheiro” não é apenas alguém que negocia valores no comércio; é alguém que, diante de Deus, tenta dar o mínimo possível. Quer desconto na entrega, tenta limitar sua generosidade. Deus, porém, não economizou quando pagou nossa dívida espiritual. Ele entregou o próprio Filho. Se não houve economia no investimento que Deus fez em nós, por que economizaríamos ao investir na obra d’Ele?

De uma forma direta ou indireta, nossa salvação é fruto da fidelidade de alguém que contribuiu. Igrejas são construídas, mantidas e equipadas porque pessoas decidiram ser generosas. Se o nosso dízimo cresce, é porque Deus tem nos abençoado. Generosidade é resposta à graça recebida.

Existem lugares apropriados para negociar, mas a igreja é lugar de honra e liberalidade.

Ao olhar para esses três perfis: o crente narcisista, o consumista e o “pechincheiro”, percebemos que todos têm algo em comum: um coração desalinhado do verdadeiro propósito da igreja. O narcisista coloca a si mesmo no centro; O consumista busca apenas receber e o “pechincheiro” limita sua entrega. Em todos os casos, o foco deixa de ser Cristo e passa a ser o próprio “eu”.

A igreja não é um palco para projeção pessoal, nem um restaurante espiritual, nem um lugar de cálculo mínimo na entrega. A igreja é o Corpo de Cristo, um ambiente de serviço, generosidade, humildade e crescimento mútuo. O chamado de Deus para nós é maturidade. É sair do egoísmo para o serviço. É sair do interesse próprio para o compromisso. É sair da limitação para a liberalidade.

Se queremos viver o propósito de Deus e deixar um legado verdadeiro, precisamos permitir que a Palavra ajuste nossas motivações, trate nosso coração e alinhe nossas atitudes. Não se trata apenas de estar na igreja, mas de ser igreja, com um coração humilde, generoso e comprometido com o Reino.

1 Comentário

  • Muito esclarecedora a mensagem . Aquele que está de pé cuide-se para que não caia . Se não me encaixo em nenhum desses perfis , devo vigiar em oração para que não me encontre em alguma dessas situações.

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