Entrevista especial com Pâmela Pacheco da ONG “Ide Projetos Sociais”

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Ela é vice-presidente da ONG Ide Projetos Sociais, esposa do pastor Jairo Henrique, mãe de três filhas. Pâmela Pacheco concedeu uma entrevista especial a equipe do portal. Confira a seguir:

Quando nasceu a ONG ? Quantas crianças já foram alcançadas e quais os projetos já existentes?

O Projeto Pequeninos foi criado em agosto de 2012, mas a ONG Ide Projetos Sociais nasceu em 17 de janeiro de 2013. Já atendeu  mais de mil crianças ao longo desses sete anos de atividades em Soledade (PB).  O meu esposo, Jairo, e eu temos cerca de 80 projetos no coração para serem realizados. Desses, 18 já estão em atividades. Entre eles: Pequeninos, Pequeninos BABIES, Pequeninos TEENS, Pequeninos Profissionalizante, Restaurante Social Pequeninos, Pequeninos Saúde, Pequeninos Jurídico, a Farmácia Social Pequeninos, Pequeninos SPORT, Casa de Acolhimento à Criança Pequeninos, IDE- Prisional, o Projeto LAR dos Pequeninos, Projeto Amor Verdadeiro, Pequeninos Rural, o Projeto Perfuração de poços, Pequeninos Acessibilidade além do Projeto Pão de cada dia e Projeto água e luz.

Qual a principal visão do projeto que você lidera com seu esposo, Pr. Jairo?

A nossa visão é resgatar as crianças que estão em condições precárias. De fato, o projeto começou por causa disso. O primeiro caso aconteceu quando Jairo visitou uma família na qual as crianças dividiam a comida com ratos. Quando nos deparamos com essa situação pensamos: o que a gente pode fazer? Quando ele visitou essa família primeiro, ele se chocou. Quando ele me levou até lá, como mãe, eu fiquei chocada e estarrecida. Me saltou uma gratidão pelas minhas filhas, por elas terem o que se alimentar. Mas ao mesmo tempo, se levantou uma revolta dentro de mim e uma pergunta: “o que nós estamos fazendo pelas pessoas?” E daí o projeto começou… Começamos a doar cestas básicas. Crianças sempre mexeram comigo, tenho uma sensibilidade grande por elas. Se uma criança está chorando isso mexe comigo, ou é fome ou dor. Essa família nós tiramos da casa, alugamos, chamamos a mãe para ser zeladora da igreja, ela e sua família passaram a ser acompanhadas por nós e até hoje estão envolvidas no projeto, tanto ela quanto seus filhos. Dois deles estão no Pequeninos e dois no Teens. Hoje ela tem oito filhos, mas largou o álcool (que era uma limitação dela). Após esse acontecimento, Jairo foi acordado por Deus falando com ele sobre os demais projetos e eu como esposa, peguei junto e estamos trabalhando neles com muito amor pelas pessoas. 

De todos os projetos que vocês criaram, qual deles faz seus olhos brilharem mais intensamente e por quê?

É difícil falar. O Pequeninos sempre mexe muito comigo, mas trabalho hoje com crianças especiais e elas me ensinam muito… Meu Deus! Ao ver a dificuldade que eles têm e que para nós é tão simples fazer as coisas, fico impressionada. Existe uma menina que tem paralisia cerebral, e ela não andava quando chegou lá no projeto. É Raissa, ela hoje fala e canta. Começou no Pequeninos saúde, sendo acompanhada por fisioterapeuta e fono. O projeto saúde foi quando mudamos de prédio, um ano no qual perdi a minha sogra. Então, foi um ano de muita dor. Mas quando eu via aquelas crianças tão limitadas, com tantos problemas, eu dizia Meu Deus, eu não tenho problemas. Realmente nós guardamos a nossa dor para cuidar da dor delas.  É impressionante como isso é real. Pensava: o que são as minhas dificuldades. Temos crianças com várias síndromes como down e microcefalia. Eles me ensinam muito. O pequeninos, o primeiro projeto nasceu pela compaixão. O projeto de saúde me ensinou como pessoa, me alcançou em um momento difícil e cuidar delas foi fácil. Superei as minhas perdas trabalhando com eles e provo do amor de uma forma que na igreja local não conseguiria. 

Conte nos uma experiência marcante de tantas já vivenciadas:

A primeira experiência marcante foi exatamente em agosto de 2012, quando iniciamos o projeto.Começamos com 100 crianças. Fizemos a busca nos bairros mais pobres e  as cadastramos. Compramos os fardamentos e foi exatamente 100 unidades de blusas, calças, tênis e mochilas e dois pares de meias. Quando eles chegaram fomos entregando esse material e eles vestindo. De repente, vimos que faltou o material de um menino. Ali verificamos que tinham 101 crianças presentes. Fomos para a lista de presença e vimos que tinha um aluno que o professor havia anotado o nome dele de caneta e o chamamos e vimos que esse menino simplesmente pediu ao avô e ele o deixou lá. O outro que faltou o fardamento estava matriculado, e o que verificamos não estar na lista já tinha ganho o material. Ou seja, o que não estava cadastrado pegou a farda e o que estava na lista não ganhou. E agora? o que fazer? Eu sou muito coerente e não achei bom o menino estar chorando porque não recebeu e fui no outro que não estava matriculado, expliquei que ele precisava colocar o nome e eu iria providenciar. Ele me olhou com os olhos cheios de lágrimas e eu comecei a trocá-lo, tirar a farda, com muito jeito, e quando fui tirar a meia a pele dele foi colada na meia. Eu perguntei: “O que é isso?” Ele disse: “É porque eu trabalho plantando com meu avô, eu não tenho pai. Eu estava no plantio e uma cobra me picou.” Perguntei se ele foi ao hospital e ele falou que não. Ali eu desabei, e pensei como estou tirando a roupa dessa criança que já tem trauma e ali decidi não tirar mais, fui tratar do outro menino falei com a sua mãe e providenciei a farda dele depois. 

Outra experiência marcante foi já nesse prédio novo quando me deparei com um menino que tinha uns 11 anos. Ele veio até a porta e pediu a mim  e a Jairo para entrar no projeto. Jairo olhou para ele e disse: “Vá chamar a sua mãe para fazer a sua matrícula”. Só que cinco dias antes desse fato, tinha havido um homicídio na cidade bem perto da ONG e tinham matado uma mulher e falavam que tinha envolvimento de drogas na história. Essa mulher assassinada era a mãe desse menino. E o menino disse: “Pastor a minha mãe morreu. Mataram ela esses dias aqui…”  Jairo parou pensativo e disse: “Então, chame seu pai”. O menino, então, responde: “Meu pai está preso”. Meu esposo perguntou onde ele morava. Ele respondeu que morava com a avó. Prontamente, Jairo pediu que a chamasse e triste, ele respondeu  que ela estava com câncer em estado terminal. Eu e Jairo olhamos um para o outro e ele falou que a criança entrasse na sala que ela já estava nos Pequeninos. Doeu demais para nós marcá-lo com essas perguntas. E ver histórias assim, mexem muito com a gente. 

Qual conselho você daria para quem tem um projeto no coração, mas não sabe como começar?

Se a pessoa já tem o desejo no coração é alguma coisa, mas sabemos que a fé sem obras é morta. Então, incentivo que ela comece pelo que está nas suas mãos. Assim como um pequeno lanche de um menino (narrado na Bíblia) alimentou uma multidão. Na época, quando começamos, o que tínhamos nas mãos era o nosso carro e a TV, então, vendemos para começar o projeto. Nem nossas filhas fizeram questão por isso. Lembro que quando fizemos isso, eu ia levá-las a pé para a escola e vinha passando um homem levando uma carroça com um burrinho e minha filha disse: “Mãe eu quero uma carroça dessa para ir para a escola, olha que legal ia para a escola nela…” Comecei a rir com isso, porque, isso não foi uma coisa que doeu para elas fazer para ajudar as crianças. O que você tem na mão para fazer algo? O que tem comece ajudando a um. Seja Jesus para essa pessoa. As dificuldades virão, os vendavais continuarão, mas a graça o alcança. Hoje, paramos, olhamos para trás e pensamos: “Como chegamos até aqui…” Tantas instituições entram com contato com a gente. Muitas nem são Verbo da Vida para saber como começamos. Comece! Deus vai pegar junto e vai acontecer. Jesus fez isso, Ele veio para nos alcançar nas nossas dores. 

Quais as formas de ajudar?  E quais os dados da conta para ofertas?

Os nossos projetos funcionam com doações voluntárias. Precisamos crer para cada dia. É como quem está no deserto e crer para o maná de cada dia. As ofertas oscilam muito e nunca sabemos quanto vamos ter por mês. Sabemos que normalmente quando vem a pressão financeira e as coisas apertam, a primeira coisa que se faz é cortar as doações. Porque, para alguns, é o supérfluo, mas na verdade é o essencial pra gente. Temos alguns sócios, colaboradores que doam não só ofertas, mas aparelhos e máquinas. Às vezes, fechamos parcerias na compra de computadores, mas a maioria é doações mesmo. 

Visite o site do projeto clicando aqui

Veja algumas informações: 

Dados Bancários da ONG

Banco do Brasil
Ag. 1149-5
C/C. 21144-3
Organização Não Governamental IDE
CNPJ. 17.620.399/0001-06

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Face: Projeto Pequeninos
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