Menino ou rei?

A cultura atual costuma valorizar o confronto com os pais, a indisciplina e a rebeldia. Mas a vida cristã caminha na responsabilidade e submissão à autoridade.
Você quer ser um menino ou um rei?
Milena Diniz
Graduada no Centro de Treinamento Bíblico Rhema

A primeira coisa que Adão fez depois de pecar foi se esconder. Não foi Deus quem se afastou, foi o homem quem fugiu. Em Gênesis 3.11, fica claro que não é Deus quem aponta o dedo acusando. Existe outro acusador no meio do caminho e a estratégia dele é simples: colocar o problema, gerar a culpa e, em seguida, afastar a pessoa da única fonte capaz de resolver tudo.

Quando alguém faz algo errado, sabendo que estava errado, fica agoniado, desconfiado, sem saber como reagir. É exatamente nesse estado que muitos cristãos vivem diante de Deus, porque carregam a culpa de algo que já deveria ter sido entregue. Ninguém consegue andar com Deus carregando esse peso. Ele não está com raiva. Ele quer tirar a pessoa de onde está e levá-la para onde sempre desejou que ela estivesse.

A PRECOCIDADE QUE CONSTRÓI HISTÓRIAS

Pelé estreou no Santos aos 15 anos e, aos 17, tornou-se o jogador mais jovem a conquistar uma Copa do Mundo. Ronaldo Fenômeno fez parte do elenco campeão mundial em 1994 com 17 anos e oito meses, e foi eleito o melhor jogador do mundo antes dos 21. Messi estreou pelo Barcelona aos 17. Mbappé foi peça fundamental na conquista da Copa de 2018 com 19 anos.

A trajetória desses atletas mostra que precocidade combinada com talento e disciplina resulta em carreiras históricas. A pergunta inevitável é: o que está sendo feito da vida entre os 12 e os 21 anos?

Não se trata apenas de futebol. Trata-se de entender que decisões tomadas nessa faixa etária moldam as próximas décadas. O que muitos chamam de “coisa de menino” pode mudar uma história inteira 20 ou 30 anos à frente.

O ÍDOLO QUE ENSINA O ERRADO

Existe um caso que ilustra bem o lado oposto. Um atleta com o mesmo talento, as mesmas oportunidades e a mesma idade que os outros citados, mas que recebeu tratamento diferente. Em vez de cobrado, foi protegido. Diante de cada erro, alguém repetia: “É só um menino”. E essa narrativa moldou não apenas uma carreira, mas toda uma geração que passou a usar a mesma desculpa para tudo.

Durante a adolescência, é natural buscar ídolos como referência para a construção da identidade. O problema é que ídolos mudos, vazios de princípio, deixam marcas profundas. A frase “100% Jesus” qualquer um usa. Difícil é viver “100% Jesus”.

O QUE JESUS FAZIA NESSA IDADE

Lucas 2.52 registra que Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens. Onde chegava, era considerado, independentemente da idade. Em Lucas 4.16-17, ao entrar na sinagoga de Nazaré, recebeu o livro de Isaías para ler. Confiavam n’Ele.

Marcos 6.1-3 mostra que Jesus trabalhou como carpinteiro entre os 12 e os 30 anos, a ponto de ser reconhecido por essa profissão. Em Lucas 2.45-51, depois de impressionar os doutores da lei no templo, voltou com seus pais e era submisso a eles. A obediência não é fraqueza. É maturidade.

A cultura atual costuma valorizar o confronto com os pais, a indisciplina e a rebeldia como formas de afirmação. Mas a vida cristã caminha na direção oposta: responsabilidade, trabalho e submissão à autoridade.

DECISÕES QUE CONSTROEM O FUTURO

Existem coisas que ninguém vai resolver por outra pessoa. Pornografia, amizades erradas, relacionamentos sem propósito, conteúdo de internet sem filtro, conversas que não edificam. Tudo isso forma o adulto que está sendo gerado agora.

Muitos pastores recebem jovens recém-casados com problemas no casamento porque um dos dois carregava uma escravidão desde a infância e nunca tratou. O que começou individual passou a envolver uma família inteira. Casos de pecado sexual têm sido relatados em crianças cada vez mais novas, inclusive aos 9 anos de idade. Não existe mais espaço para tratar essas questões como passageiras.

A DIFERENÇA ENTRE MENINO E REI

Quando uma autoridade chega e cobra padrão, a história muda. “Você tem talento, mas aqui não é de qualquer jeito.” Esse tipo de confronto, recebido com humildade, transforma quem aceita.

É exatamente isso que Deus está dizendo a esta geração: “O chamado existe, o potencial está dado, mas não é de qualquer jeito”. No Reino não se entra com pecadinho de estimação, com conversa fiada, com fé pela metade. Jeremias 29.13 declara: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o coração.”

Além disso, Deus pode fazer o extraordinário a qualquer momento, e faz. Mas para quem já caminha há algum tempo com Ele, existe um chamado à disciplina. Ninguém alcança lugares altos sem constância. O problema é que muitos têm disciplina para pecar, mas não têm compromisso suficiente para sair do lamaçal.

Disciplina é sobre não se perder de quem Deus chamou cada um para ser. Se a constância existe para fama, para likes, para dinheiro, ela também pode existir para o Reino.

DEUS FAZ TUDO, MENOS A SUA PARTE

Essa talvez seja a frase mais dura e mais libertadora ao mesmo tempo. Deus faz tudo, exceto aquilo que cabe a cada um fazer. Não há mágica, não há atalho. Há entrega, há decisão, há disciplina.

A pergunta que define tudo é simples: você quer continuar sendo tratado como menino ou quer ser tratado como rei?

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