
Escritor e ministro do Evangelho
Com certeza todo mundo já deixou a raiva se levantar contra alguma pessoa. E há muitas pessoas que estão bravas consigo mesmas. A ira é um problema que todos nós precisamos lidar.
Muitas pessoas vem de um histórico e contexto familiar onde a contenda é simplesmente normal. Nossa cultura é tão cheia de inveja e contendas que elas se tornam parte da nossa vida. E não percebemos o quanto isso é mortal. Quer queira ou não, contenda irá matá-lo.
Veja o que Tiago disse sobre inveja e contenda: “Pois, onde existe inveja e rivalidade, aí há confusão e todo tipo de atitudes maléficas” (Tiago 3.16 – KJA).
Pense por um momento sobre o que esse versículo está dizendo. Inveja e contenda trazem todos os tipos de atitudes maléficas. Isso é uma revelação e tanto! Você pode estar dizimando, ofertando e crendo em Deus para sua área financeira, mas, se você estiver vivendo em contenda, você está abrindo uma porta para a pobreza. Você pode tentar cuidar do seu corpo e meditar nas Escrituras sobre cura, mas, ainda assim, a inveja e a contenda irão negar tudo isso e trazer doenças e enfermidades.
Ninguém que crê em Deus por vitória, em qualquer área de sua vida, poderá ter sucesso se ignorar a importância de lidar com a ira.
Isso não significa que devemos ser pessoas sem emoções ou passivas. Há uma forma adequada de usar a ira. Se não entendermos isso e tentarmos ignorar completamente a ira, não seremos bem-sucedidos e nos tornaremos passivos de uma forma que permitirá Satanás reinar sobre nós.
A ira de Deus
Sabia que há um propósito divino para a ira? Pense nisto: todas as pessoas do planeta tem um temperamento. Por que isso? Você acha que o diabo criou a ira? Não mesmo! Satanás nunca criou nada. Ele não tem o poder de criar. Tudo o que ele faz é distorcer as coisas que Deus criou.
Deus foi quem nos deu a capacidade de ficar com raiva. Ira é uma função divina. Mas, na maioria de nós, isso foi pervertido. Nós não precisamos ser libertos de um temperamento; nós precisamos aprender a administrar essa raiva e diferenciá-la da maneira que Deus planejou — e não contra as pessoas, mas contra o diabo e o mal.
Há uma passagem bem conhecida na Bíblia que fala sobre o uso positivo da raiva. Porém, essa passagem é frequentemente mal interpretada de uma forma que perde a verdadeira intenção do que Paulo estava dizendo.
Efésios 4.26-27 diz: “Estremecei de ira, mas não pequeis”, acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha, e não deis lugar ao diabo” (KJA).
Normalmente isto é interpretado como “Deus sabe que você é humano e que às vezes fica com raiva. Isso acontece. Mas não se torna pecado a não ser que isso persista. Então, certifique-se de confessar e abandonar a raiva todas as noites antes de dormir”.
Não há dúvidas de que superar a raiva rapidamente tem um grande benefício. Confessar e esquecer a ira todos os dias, antes de ir dormir, é algo bom a se fazer. Mas não é o que o versículo está ensinando. É quase o oposto. Paulo está dizendo que existe uma ira divina que não é pecado. Deus dá o comando para ficarmos irados com uma ira justa. Então, ele diz: “Acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha”. O que acontece quando o sol se põe? Normalmente, nós paramos de trabalhar. O dia acaba e nós vamos dormir. Paulo está dizendo: “Não deixe essa ira divina parar de funcionar”. Mantenha acordada. Mexa-se e mantenha ativada”. E então no verso 27 continua: “… e não deis lugar ao diabo”. Se não deixarmos a ira divina viva dentro de nós, nós estamos dando lugar ao diabo. Que revelação!
Há um uso justo para a ira. Não compreender isso tem deixado muitos cristãos passivos, eles não ficam mais inconformados com o mal deste mundo. Portanto, Satanás está com o alvo livre para tudo o que consideramos querido e santo. Nossa sociedade está sob ataque, e a nossa ira justa é como uma arma que Deus nos deu, guardada em sua bainha e não usada. Isso precisa mudar.
Olhe o que a Palavra de Deus diz sobre o uso correto da ira:
“Vós, que amais o SENHOR, odiai o mal!” (Salmos 97.10).
“O temor do SENHOR consiste em odiar o mal; rejeitar todo orgulho, arrogância, o mau comportamento e o falar perverso” (Provérbios 8.13).
“O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria;”( Salmos 111.10).
“O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento,” (Provérbios 1.7).
“O amor seja sem qualquer fingimento. Odiai, sim, o mal e apegai-vos ao bem” (Romanos 12.9).
Essas são algumas escrituras que falam sobre o uso justo da ira e do ódio. Olhe novamente para Provérbios 8.13: “O temor do Senhor consiste em odiar o mal; rejeitar todo orgulho, arrogância, o mau comportamento e o falar perverso”. Nós realmente odiamos essas coisas? Deveríamos, mas os cristãos em sua maioria não odeiam o mal. Nós não gostamos do mal, mas alguns podem argumentar que nós, literalmente, odiamos essas coisas. Alguns cristãos não creem que nós devemos odiar alguma coisa, mas não é o que a Palavra de Deus diz.
Jesus não tinha pecado, mas Ele tinha ódio e raiva. Em João 2.14-17, que aconteceu no início do ministério de Jesus aqui na terra, e em Marcos 11.15-17, que aconteceu na última semana do Seu ministério aqui, Jesus expulsou do templo os cambistas.
Ele não os abordou mansamente dizendo: “Gente, sinto muito. Eu não quero machucar nenhum de vocês, mas eu tenho que fazer isso em obediência ao meu pai”. NÃO! Ele admoestou a todos e expulsou as pessoas e animais e virou as mesas. Ele estava bravo.
Onde estavam os guardas dos templos? Tenho certeza que eles estavam lá, mas Jesus estava em uma ira santa que os paralisou. É certo que Jesus nunca pecou, mas também é certo que Ele ficou tão irado a ponto de agir. Entretanto, há uma ira justa. Nós precisamos descobrir o uso justo da raiva e canalizar toda a nossa agressão de forma certa. Então, há um lugar certo para a ira.
Mas, e sobre o uso errado da ira? Todos temos que lidar com isso ao ficarmos bravos com as pessoas. Como nós superamos a nossa falta de perdão e raiva contra as pessoas?
A ira não divina
Você já orou para que o Senhor tirasse alguém que o deixa irritado da sua vida? Você já orou para que as circunstâncias mudassem para que você fosse liberto das coisas que o deixam bravo? Se orou, você não está só. Mas não é o que as pessoas fazem com você que o deixam bravo. Você nunca vai conseguir tirar situações agravantes ou pessoas do seu caminho. Isso é irreal. Satanás tem mais pessoas do que o necessário sob o controle dele para manter um número infinito de pessoas irritantes no seu caminho.
Você pode sempre mudar as circunstâncias, e você não tem a autoridade de mudar os outros. Mas você pode mudar dentro de você o que o deixa bravo. Isso mesmo. Nossa raiva vem de dentro e não de fora. Eu sei que a maioria das pessoas não gosta disso. A princípio é reconfortante pensar que o que outra pessoa fez é o que o deixou irritado, mas isso não é verdade. Se o que as outras pessoas fazem o deixam irritado, então você sempre vai ficar bravo, porque sempre vai ter alguém que vai tratá-lo mal. Isso o torna uma vítima e não um vencedor.
Aceitar a responsabilidade por sua ira não divina o coloca no banco do motorista. Você só tem autoridade completa sobre você. Você é o único que pode realmente mudar. Se você está tentando tirar do seu caminho todas as coisas e pessoas que o deixam irritado, você nunca vai vencer. Mas se você lidar com as coisas dentro de você que o deixam irritado, você nunca vai perder, independente do que os outros façam. Esse é o exemplo que Jesus nos deu. Ele foi capaz de olhar para todos aqueles que O crucificaram e zombaram dele e dizer: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo!” (Lucas 23.34).
Jesus não só sofreu mais do que qualquer um de nós, Ele sofreu mais injustamente do que qualquer um de nós. Como Deus, Ele poderia ter descido da cruz a qualquer momento e admoestado todos os Seus acusadores. Ainda assim ele se humilhou e perdoou todos os seus inimigos. Algumas pessoas pensam “Bem, isso era Jesus. Eu com certeza não sou Jesus”. Mas Jesus não foi o único que perdoou aqueles que o ofenderam.
Estevão agiu como Ele em Atos 7.60. Ao ser apedrejado até a morte, se ajoelhou e clamou em alta voz: “Senhor, não lhes atribuas este pecado!” E, tendo dito estas palavras, adormeceu”.
Paulo nos ordenou a fazer o mesmo em Efésios 4.32: “Pelo contrário, sede bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando uns aos outros, da mesma maneira como Deus vos perdoou em Cristo”.
Nós não devemos só resistir à ira, mas fomos ordenados a perdoar aqueles que nos ofendem. Não podemos controlar os outros, mas podemos controlar no nosso interior o que nos irrita. A chave para isso é Provérbios 13.10:“A arrogância só produz contendas”.
Não é o que os outros fazem conosco que nos irrita; é o orgulho dentro de nós que nos deixa bravos. Eu sei que não é isso que a maioria das pessoas acredita, mas é isso o que a Palavra de Deus diz. Esse versículo não diz que a arrogância é um dos maiores motivos para a raiva — diz que é o único motivo. Que declaração!
Eu ministrei em Pueblo, Colorado, há muitos anos e, depois, um homem veio até mim e disse: “Eu tenho muitos problemas, mas orgulho não é um deles. Se tenho algo, é uma autoestima tão baixa que eu odeio a mim mesmo. No entanto, eu tenho muita raiva. Eu não entendo como o meu orgulho é a fonte da minha raiva”. O que faltava a este homem era uma definição adequada de orgulho.
Muitas pessoas pensam que orgulho é somente arrogância. Mas essa é somente uma das manifestações de orgulho. Timidez é uma manifestação extrema de orgulho. Orgulho, em seu sentido literal, é simplesmente egocentrismo e egoísmo. Pessoas tímidas são pessoas extremamente egocêntricas. Eu sei disso porque eu era introvertido. Eu não conseguia falar com as pessoas olhando para seus olhos. Isso me consumiu de uma forma que eu sempre pensava: “O que eles vão pensar de mim? Eu vou fazer alguma besteira e parecer um idiota?”. Esse egocentrismo me tornou tímido.
Se você tem um testemunho de algo que o Senhor fez por você que pode ajudar outras pessoas, mas mesmo assim você fica tímido de ir ao rádio ou a televisão e compartilhar isso com outros porque todos estariam olhando para você, então você tem alguns problemas com orgulho que não foram tratados. Talvez você não tenha sido chamado para falar no rádio ou na televisão como eu fui, mas todos nós fomos chamados para: “Estar sempre preparados para responder a qualquer pessoa que vos questionar quanto à esperança que há em vós” (I Pedro 3.15).
Então, orgulho não é somente pensar que nós somos melhores do que os outros; orgulho pode ser também o pensamento de que somos inferiores aos outros, ou apenas sendo autoconscientes. Não importa se o “eu” está sempre se exaltando ou se está se rebaixando. É tudo egocentrismo, que é orgulho. Goste ou não, entenda ou não, o orgulho é a fonte de toda ira. Quando lidamos com o nosso amor próprio, a ira contra os outros será neutralizada. A única razão de nos ofendermos facilmente é porque nos amamos muito. Ao morrermos para nós mesmos, nós seremos capazes de amar os outros como Jesus amou e de ter raiva do mal, sem pecar, como Ele também teve.





