
Integrante do Corpo de Bombeiros
Situações de emergência com crianças podem acontecer a qualquer momento, seja em casa, na escola ou em ambientes de lazer. Por isso, conhecer as condutas corretas de primeiros socorros é essencial para evitar que um acidente simples se transforme em algo mais grave. A seguir, reunimos orientações do sargento Itamar, bombeiro e enfermeiro com especialização, mestrado e doutorado em urgência, emergência e UTI, sobre como agir diante das situações mais comuns envolvendo crianças.
O QUE SÃO PRIMEIROS SOCORROS
Primeiros socorros são as condutas iniciais tomadas diante de uma situação que exige cuidado imediato, antes da chegada ao hospital. Esse conjunto de ações também recebe o nome de atendimento pré-hospitalar. O principal erro cometido por adultos diante de uma emergência infantil é a falta de conhecimento, que muitas vezes agrava lesões já existentes ou cria novos problemas. Por isso, informar-se previamente é a melhor forma de estar preparado.
TRAUMATISMO CRANIANO
Quando uma criança bate a cabeça, ocorre o que se chama de traumatismo cranioencefálico, podendo ser leve, moderado ou grave. Nessas situações, a criança não deve dormir logo em seguida, pois é necessário observar seu nível de consciência, o que só se consegue mantendo-a acordada. Sonolência excessiva e vômitos, especialmente em jato, são sinais de alerta que exigem encaminhamento imediato a um hospital de referência.
QUEIMADURAS
Nunca aplique produtos como pasta de dente, café ou substâncias químicas sobre queimaduras, pois eles podem agravar a lesão original, causando uma queimadura química adicional. A conduta correta é lavar o local com água em temperatura ambiente ou soro fisiológico e, em seguida, cobrir a área, o que reduz a dor causada pela exposição das terminações nervosas. Dependendo da extensão da queimadura, leve a criança a um hospital especializado. Quando surgirem bolhas, características de queimaduras de segundo grau, não as estoure, pois elas protegem a formação de um novo tecido durante o processo de cicatrização.
SANGRAMENTO NASAL
Ao contrário do que muitos pensam, não incline a cabeça para trás em caso de sangramento nasal. Isso porque esse gesto pode levar o sangue a escorrer para o estômago ou para os pulmões, provocando, com efeito, infecções respiratórias de difícil tratamento. Mantenha a cabeça em posição normal, aplique compressa de gelo na testa para reduzir o fluxo sanguíneo e pince as narinas, orientando a criança a respirar pela boca. Você pode usar gaze para tamponar o nariz, mas evite o algodão, pois ele solta fios que podem ser aspirados para os pulmões.
CORTES E SANGRAMENTOS
Substâncias como açúcar não têm qualquer efeito cicatrizante e não devem ser usadas em cortes. O controle de sangramentos é feito, em primeiro lugar, por compressão direta do local, utilizando gaze ou ataduras. Caso o sangramento seja muito intenso e a compressão não seja suficiente, pode-se recorrer ao torniquete, aplicado apenas nos membros superiores ou inferiores, nunca no pescoço. Uma vez fechado, o torniquete deve permanecer no local até a chegada ao hospital, podendo, no entanto, ficar aplicado por até duas horas.
ENGASGO
Em bebês, a obstrução das vias aéreas costuma ser causada por líquidos, como leite ou água, e não por alimentos sólidos. Além disso, os sinais de alerta incluem lábios e extremidades arroxeados e ausência de choro. Nesses casos, a técnica indicada é a tapotagem, que consiste em cinco tapas aplicados nas costas do bebê, de trás para frente, seguidos de cinco compressões torácicas entre os mamilos, repetindo o ciclo até a desobstrução. Nunca verifique o pulso no pescoço em crianças menores de um ano: a compressão da região pode comprimir o nervo vago e causar complicações graves, incluindo parada cardíaca. Nesses casos, verifique o pulso no braço.
DESMAIOS
O desmaio, cientificamente chamado de síncope, pode ter diversas causas, como queda de açúcar no sangue, má alimentação ou intoxicação. Ao perceber sinais de um desmaio iminente, sente a pessoa e incline sua cabeça para baixo, na altura do coração, o que favorece o retorno sanguíneo à região. Caso o desmaio já tenha ocorrido, eleve as pernas para aumentar o retorno venoso. Além disso, é recomendável afastar aglomerações, arejar o ambiente e afrouxar roupas e cintos. Por fim, se houver vômito, a cabeça deve ser lateralizada para evitar que o conteúdo retorne pelas vias respiratórias.
PARADA CARDIORESPIRATÓRIA E REANIMAÇÃO
O diagnóstico de parada cardiorrespiratória é feito a partir de três sinais: ausência de pulso, ausência de movimentos respiratórios e perda de consciência. Diante desse quadro, inicie a reanimação cardiopulmonar imediatamente, com compressões torácicas que assumem a função de bombeamento do coração. Nesse sentido, a frequência recomendada é de 100 a 120 compressões por minuto, com profundidade mínima de 5 centímetros em adultos e crianças e 4 centímetros em bebês.
Além disso, realize as compressões sobre uma superfície plana e rígida, posicionando-se perpendicularmente à vítima, com os braços esticados, formando um ângulo de noventa graus. A cada minuto sem receber compressões, a vítima perde cerca de dez por cento de chance de sobrevivência, o que reforça a importância de quem está presente agir de imediato, sem esperar a chegada de socorro especializado.
CONHECIMENTO QUE SALVA VIDAS
Diante de qualquer emergência, acione os serviços de socorro, como bombeiros, SAMU ou polícia, o quanto antes. Ainda assim, quem está no local no momento do acidente é quem faz a diferença entre a vida e a morte, ao aplicar corretamente os primeiros socorros enquanto a ajuda especializada não chega. Por isso, buscar conhecimento sobre essas condutas é um investimento que pode salvar a vida de uma criança.





