
A maior missão de todo cristão, dada por Jesus, é pregar o Evangelho a toda criatura. No entanto, grande parte dos cristãos ainda não dá a devida importância a essa responsabilidade, permanecendo entre as quatro paredes da igreja, em vez de ir ao encontro das pessoas para falar do amor de Deus. Em contrapartida, o missionário Luis Cortez, que esteve presente na Conferência de Ministros Nordeste 2026, compartilhou que vive o caminho inverso, dedicando-se a pregar mais nas ruas do que na própria igreja, por amor às vidas. “Não é uma questão de querer. É amar e obedecer à Palavra”, advertiu.
Nesta entrevista, ele compartilha um pouco da sua história, explica como o evangelismo se tornou o maior fogo que arde em seu peito e apresenta dicas para tornar as abordagens mais consistentes e eficazes.
QUEM AMA EVANGELIZA

Cortez contou que foi alcançado ainda jovem, quando era um hippie que vivia nas ruas do Centro de Campina Grande (PB). Segundo ele, o encontro com Cristo aconteceu por meio do evangelismo realizado por uma irmã presbiteriana. “A ação daquela jovem que pregou pra mim ficou gravada na minha mente. Toda a sua disposição de falar comigo durante 15 dias, na época do São João de Campina Grande, só para me conquistar dentro do inferno que eu vivia me cativou. Ela me assistia com coisas que eu necessitava”.
O missionário detalhou que, ao vê-lo descalço, a irmã lhe trouxe uma sandália. Ao perceber que suas roupas estavam rasgadas, lhe trouxe uma nova calça jeans. Segundo Cortez, ela o ajudava em suas necessidades e, ao final de cada abordagem, sempre lhe dizia que existia alguém que o amava do jeito que ele era. “Ela não me evangelizou com palavras bíblicas. Ela simplesmente me presenteou com atos de amor. E o amor é uma ferramenta poderosa para conquistar pessoas”.

Após quinze dias de visitas, a jovem o convidou para participar de uma festa chamada Forró de Jesus, um evento evangelístico realizado em um local conhecido como Cantinho da Paz. “Lá eu ouvi sobre Jesus. Foi ali que eu me entreguei a Cristo. Os primeiros 15 dias foram a preparação para aquele encontro. Ela foi perseverante. Depois eu soube que a moça foi curada de um tumor na cabeça. Na época, ela fez uma promessa a Deus de que, se fosse sarada, viveria para trabalhar para o Senhor. Após sua cura, ela realmente cumpriu o que disse. E eu sou fruto da sua promessa a Deus”.
Logo após sair do Cantinho da Paz, ele começou a falar sobre sua experiência com Jesus. Como vendia produtos hippies, passou a anunciar que tinha algo melhor do que artesanato. A partir de então, falava sobre Cristo e entregava panfletos. Hoje, ele aconselha: “Se você tem dificuldade de evangelizar, pelo menos tenha panfletos no bolso para dar para alguém. Aquela leitura não volta vazia e vai dar resultado espiritual para quem ler, pois a Palavra não volta vazia”.
ENCONTRO COM A PALAVRA DA FÉ

Com tantas mudanças em sua vida, Cortez se dedicou ao crescimento espiritual e foi recebido pela instituição Jocum (Jovens Com Uma Missão), onde realizou diversos cursos durante cinco anos. Na época, quando vinha à cidade, tornou-se conhecido por levar pessoas em situação de dependência química das ruas para serem libertas. Até que, certo dia, um amigo lhe apresentou o livro O Nome de Jesus, de Kenneth Hagin. Depois de lê-lo, concluiu que era exatamente aquilo de que precisava naquele momento, e não de um curso teológico. Foi então que conheceu a Igreja Verbo da Vida e passou a integrar a segunda turma da Escola Bíblica Verbo da Vida.
Cortez contou que concluiu todos os cursos oferecidos pelo Ministério que o acolheu, entre eles as Escolas de Ministros e de Missões Rhema, a Escola de Cura e a Escola de Oração. Segundo ele, tudo o que aprendeu complementou o preparo necessário para evangelizar com mais sabedoria e firmeza, pois a Palavra revelada oferece uma resposta para cada situação. “Uma das bases do evangelismo que faço é falar da eternidade. É aí que falo que Jesus é o ingresso para o Céu. A bondade do mundo todo não dá condições de entrar lá. Não é ser um bom filho ou um bom pai. Ninguém pode ir ao Pai senão por Jesus. É preciso nascer de novo e deixar o pecado”, explicou.

“O conhecimento que aprendi me ajudou. Mas existe a necessidade de praticar. O Pr. Bud era uma pessoa que ministrava a Palava e vivia o que pregava. Aquilo foi a resposta que eu precisava para me qualificar. Religião serve para informar. Mas se o que informa você não coloca em prática, não passa de informação. Não devemos ser somente ouvintes, mas praticantes da Palavra de Deus”, acrescentou o ministro.
Para Cortez, a prática da missão deve ser algo natural para o cristão. Nesse sentido, ele revelou que está sempre avivando as pessoas da igreja e foi enfático ao destacar: “Muitos são formados no Rhema, cursaram até Escola de Ministros, mas se esqueceram do Ministério da Reconciliação. Deus não vai cobrar os cinco dons ministeriais. O que Ele vai cobrar é se nós pregamos o Evangelho. Quando você nasce de novo, automaticamente você já recebe o Ministério da Reconciliação. Cada pessoa tem um grupo de influência. Você prega para pessoas ao seu alcance. Esse é o seu campo missionário”.
Em determinado momento da entrevista, o evangelista fez um verdadeiro desabafo: “A igreja está cheia de evangelistas, de missionários, mas muitos estão esperando não sei o quê, se Deus já deu a ordem de ir e pregar. Até pastor tem que pregar. Quando ele sai da igreja, ele é tão crente quanto eu. Ele também tem uma área de influência, para quem ele precisa levar para Jesus. Ninguém está livre de pregar o Evangelho. Essa é a missão de todos nós”.
EVANGELISMO EFICAZ

Luis Cortez detalhou ainda sua forma de atuar no evangelismo. Segundo o missionário, ele busca em Deus o momento certo para cada abordagem. Às vezes, enquanto caminha pela rua, percebe alguém e procura se aproximar. Geralmente, inicia a conversa a partir de algo que observa na pessoa ou no ambiente em que ela está e, aos poucos, apresenta a verdade da Palavra. Ele explicou que nem sempre começa falando diretamente sobre as coisas boas de Deus, pois também entende a importância de confrontar quando necessário.
Cortez destacou que o evangelismo é algo simples, pois é o Espírito Santo em cada cristão quem realiza a obra. O missionário explicou que o papel do crente é abrir a boca e permitir que Ele conduza as palavras que precisam ser ditas. “Eu uso muito a situação presente na hora, assim como Jesus fez com a mulher samaritana quando usou o exemplo da água do poço para mostrar que a água que Ele dá é melhor”.
“O evangelismo tem que voltar à moda de João Batista, à moda de Jesus, à moda de Paulo que pregavam o ‘Arrependei-vos!’. Tem muita gente que permanece na igreja porque achou tudo o que viu maravilhoso. Mas se não tiver uma palavra que vá de encontro àquilo que ele precisa ser liberto, ele vai desistindo de estar ali. É preciso falar toda a verdade. É ela que liberta”, afirmou o missionário.





Ele também afirmou que o evangelismo pode ser mais criativo. “Se você ver que a pessoa é simples, que não tem muito recurso, compre uma camisa para ela. Se é uma vizinha que fica falando de você que é crente, faça um bolo e leve para ela. Se você vê o jardim de um idoso que esteja precisando de uma capinagem, pegue uma enxada e vá lá capinar. Não importa que você seja uma pessoa de cultura, que seja informado, engenheiro. Vá lá, pegue a enxada, capine e diga que fez em nome de Jesus” orientou.
Cortez afirmou que tudo também depende do local onde a pessoa se encontra. Nesse contexto, ele comentou sobre a mudança que aconteceu em sua vida ao deixar o Brasil para pregar o Evangelho na Espanha. “Lá eu tive de mudar toda a minha atitude. Ali eu não faço o evangelismo ativo como no Brasil. Primeiro é preciso conquistar a confiança dos espanhóis. Eles são pessoas altamente desconfiadas. Apesar de ser um cidadão espanhol, eles me vêem sempre como do terceiro mundo. Por isso a importância de estar sempre se policiando no comportamento e nas vestimentas”.
APAIXONADO POR VIDAS

Uma coisa é certa: Luis Cortez tem o coração incendiado para pregar o Evangelho. Para ele, tudo é uma questão de foco. Ele alertou que é preciso dar prioridade ao Evangelismo nas igrejas. “Infelizmente, o tema evangelismo é o assunto mais escasso nos púlpitos. Mas essa é a principal função da igreja na terra. É para isso que ela deve dar a prioridade. Os outros assuntos são apenas adereços para irmos moldando o nosso crescimento espiritual”, advertiu.
Cortez também aconselhou que o evangelismo deve ser um estilo de vida para todo cristão. Segundo o missionário, para evangelizar é necessário ter a vida em ordem, pois o alcance de pessoas não é natural, mas espiritual. “Você precisa estar vigiando o que fala porque você é um instrumento do Espírito Santo. Foi Ele quem nos escalou. Por isso, não é uma questão de querer. É uma questão de obedecer. As pessoas precisam ter esse coração para obedecer”.

“Precisamos amar as pessoas como Jesus ama. Precisamos ter esse coração de misericórdia, de compaixão. Você precisa abrir espaço para falar do amor de Deus, porque as pessoas precisam ver o amor na igreja para poderem ver em Jesus. Se não houver amor, nada irá valer. O capítulo de I Coríntios 13 precisa ser a nossa canção todos os dias. Precisamos saber amar como Deus. O amor tudo espera, tudo crê, tudo suporta”.























3 Comentários
Louvamos ao senhor por essa familia que tem sido uma benção para o ministerio Verbo da Vida, a vida de Luis Cortez nos inspira, e um homem missionario dedicado a visão de alcançar o povo com a palavra da fe e o amor.
S
Eu tudo surda sim aqui
São Paulo BR
Muito obrigado por compartilhar sua mensagem! Que Deus continue abençoando sua vida. É uma alegria saber que você acompanha nosso conteúdo de São Paulo.