
Existem cristãos em países de acesso criativo? E missionários? Como pregar o Evangelho onde a Bíblia é proibida e ser cristão pode significar prisão, ou até morte?
Essas perguntas, que para muitos parecem desafiadoras de responder, já encontram testemunhos ao redor do mundo. Jesus tem sido anunciado — não da forma tradicional em países cristãos, como o evangelismo em praças, ruas ou de porta em porta — mas por meio de estratégias criativas e discretas.
A criatividade que Deus concedeu aos crentes, aliada ao avanço tecnológico, tem aberto caminhos onde portas parecem inexistentes. Países de acesso criativo como Irã, China, entre outros, têm sido alcançados por iniciativas que unem fé, ousadia e inovação.
Para contar essa história, o pastor Danilo Santos concedeu entrevista ao Portal, compartilhando o trabalho que desenvolve com o movimento missionário Back to Jerusalem.
Casado com Fernanda há 21 anos e pai de dois filhos: Gustavo, de 14 anos, prestes a completar 15, e Carol, de 10 anos, Danilo definiu sua família como “muito abençoada”. Ele destacou que é a terceira geração de cristãos, tendo como base espiritual a Assembleia de Deus.
Segundo Danilo, ele encerrou sua trajetória profissional na indústria automobilística há dois anos, após duas décadas atuando em uma empresa multinacional. Desde então, passou a se dedicar integralmente à representação e ao serviço do Back to Jerusalem no Brasil e na América Latina.
“MISSÕES ESTÃO NAS MINHAS VEIAS!”

Danilo recordou que teve sua primeira experiência com Deus aos oito anos de idade. Segundo ele, foi nesse período que teve um encontro com o Senhor e o recebeu como Salvador. O avô era pastor da igreja, e foi nesse ambiente que a decisão aconteceu.
De acordo com o pastor, a igreja sempre teve forte ênfase missionária, promovendo conferências e recebendo enviados ao campo que compartilhavam seus testemunhos. Entre os oito e os doze anos, começou a compreender mais profundamente esse chamado.
Segundo Danilo, sua mãe costumava contar que, em uma dessas conferências, quando foi feito um apelo para quem desejasse se tornar missionário transcultural, ele foi à frente. “Ali o Senhor falou com a minha mãe: ‘Você gerou um missionário’”, relembrou.
Desde então, missões passaram a fazer parte da sua vida. “Estão nas minhas veias”, declarou. O Pr. Danilo destacou que o Senhor o conduziu por uma formação que considera extraordinária. Nunca havia imaginado falar outro idioma ou conhecer outros países, mas, aos 18 anos, teve a oportunidade de morar nos Estados Unidos, onde aprendeu inglês durante cinco anos.
Um tempo depois, por meio da atuação profissional, visitou todos os continentes e chegou a morar em algumas regiões, desenvolvendo também outros idiomas. Ao refletir sobre essa trajetória, citou o texto bíblico de Salmos 2:8: “Pede-me, e eu te darei as nações”.
Ele asseverou que Deus tem honrado essa promessa em sua vida, conduzindo-o ao propósito missionário. Foi justamente dentro dessa perspectiva de nações que ele passou a servir ao movimento Back to Jerusalem.
BACK TO JERUSALEM

A associação integra uma rede internacional que apoia o movimento missionário chinês De volta para Jerusalém, iniciado no início do século XX por igrejas domésticas da China. A visão é pregar o Evangelho de Cristo entre a nação chinesa e Jerusalém, passando pelos países da chamada janela 10/40.
A perseguição religiosa no país asiático fez com que missionários chineses fossem mais adaptáveis e menos suspeitos nessas áreas. A meta é enviar 100 mil pessoas para alcançar os perdidos naquela região.
A organização internacional — formada por cristãos da Europa e Américas — apoia os chineses com logística, treinamento, recursos e divulgação. O movimento quer engajar cristãos brasileiros para orar, fazer parte e contribuir, cooperando para que a Grande Comissão seja conquistada nesta geração.
Danilo explicou que a associação não é uma agência missionária, mas um movimento. Ele ressaltou: “Nós não enviamos missionários. Se alguém diz: ‘Quero ser missionário na China ou em países de acesso criativo’, orientamos que procure sua igreja local ou uma organização missionária”.
Segundo ele, o movimento nasceu na década de 1920, dentro da igreja chinesa, em um dos períodos mais difíceis da história da China, marcado por extrema pobreza e ausência de perspectivas nacionais.
O pastor também destacou que o Back to Jerusalem carrega uma meta específica: levantar e enviar 100 mil missionários chineses. “Hoje já temos mais de 10 mil missionários enviados. Os outros 90 mil estão apenas esperando o local e a data, porque já são pessoas avivadas, com chamado e prontas para cumprir esse propósito”, declarou.
De acordo com Danilo, os missionários chineses já atuam em diversos contextos sensíveis. Ele cita países como Coreia do Norte, a própria China, Paquistão, Afeganistão, Iraque e Irã, além de outras nações onde, por questões de segurança, os detalhes não podem ser amplamente divulgados. “Praticamente todos esses países já contam com missionários chineses, para a glória do Senhor”, compartilhou.
FÉ E TECNOLOGIA

O pastor afirmou que os testemunhos ligados ao movimento são impactantes. Ele recordou a passagem da Bíblia Sagrada de que os que cressem fariam as obras que Cristo fez e até maiores. “O chinês ouviu a Palavra e obedeceu. É uma igreja que ora — e ora muito — e que pratica o ‘Ide’”, declarou.
Segundo ele, os cristãos do país asiático compreenderam que não cumprirão essa missão sozinhos. “Nós vamos para a Janela 10/40, mas precisamos que o Brasil vá conosco, que a Europa vá conosco, que os Estados Unidos vão conosco. Como? Orando”, enfatizou. Ele explicou que o apoio e o sustento são importantes, mas destaca que a oração é fundamental, pois, de acordo com ele, é por meio dela que Deus tem realizado feitos extraordinários.
Danilo contou também sobre o uso de estratégias criativas e tecnológicas para acesso às Escrituras em contextos restritos. Ele mencionou um dispositivo conhecido como Bible Pill, uma espécie de Bíblia ‘pílula’, do tamanho de um pequeno fone de ouvido, que projeta o texto bíblico como um holograma visível no escuro. “Você consegue ler a Bíblia inteira em qualquer idioma. Se houver risco, o missionário pode engolir o dispositivo e depois reutilizá-lo”, explicou. Além disso, citou aplicativos camuflados — como calculadoras que, ao inserir um código, revelam o acesso ao texto bíblico.
Os testemunhos, segundo ele, vão desde relatos de aparições de Jesus no Oriente Médio — em países como Irã e Iraque — até ações simples que transformam comunidades inteiras. Ele menciona o livro O Homem do Céu, publicado no Brasil pela Editora Bethânia, que narra a história do irmão Yun, e também uma obra recente com 30 relatos reais de missionários chineses, cuja tradução ele próprio realizou.
Entre essas histórias, Danilo destacou o testemunho de uma missionária identificada como “irmã H.”, enviada ao Tibete. Ele conta que, ao chegar sem conhecer ninguém, ela viu em uma praça um corpo coberto por cobertores, com uma pequena mão estendida pedindo esmola. “O Espírito Santo falou: ‘Volte e abrace’”, compartilhou. Apesar do receio, ela obedeceu e descobriu que se tratava de uma jovem com o corpo tomado por lepra.
A missionária decidiu acolhê-la, cuidando diariamente de suas feridas. Após algumas semanas, a jovem teria sido completamente curada. “Ela gritou quando percebeu que estava curada pelo Senhor”, afirma. Em seguida, a jovem levou a missionária até sua aldeia, considerada um povo não alcançado. Ao chegar, anunciou: “Jesus me curou, Jesus me ama”.
Segundo Danilo, o testemunho da cura abriu portas para a pregação do Evangelho, e toda a aldeia recebeu a mensagem. “Por causa de um abraço, uma aldeia inteira no Tibete hoje serve ao Senhor Jesus”, declarou.
“MISSÕES É O DNA DE CRISTO!”
Ao ser questionado sobre que conselho daria a quem tem chamado missionário — especialmente para países de acesso criativo — Danilo afirmou que, se missões pulsam no coração de alguém, essa pessoa se parece com Cristo e expressa o verdadeiro DNA da Igreja. Para ele, é preocupante quando igrejas e ministérios fazem seus planejamentos anuais sem sequer mencionar missões ou tratam o tema apenas como um departamento isolado. “A igreja que vive missões, vive o DNA de Cristo. Jesus é movimento. Missões são movimento”, declarou.

Como primeira palavra, afirmou: “Graças a Deus por você que carrega o propósito eterno do Senhor”. No entanto, ressaltou que tudo começa no lugar mais próximo: “Começa em casa, no bairro, na igreja local, e o Senhor vai levar você às nações”.
Falando especificamente sobre países de acesso criativo, ele enfatizou a importância do descanso em Deus. “Descansa no Senhor, porque Ele é o Criador. Se precisar criar uma porta onde não há paredes, Ele cria”, afirmou. Segundo Danilo, é necessário viver em obediência, manter uma vida de oração e descansar na fidelidade de quem envia. “Aquele que envia é quem guarda, protege e sustenta”, reforçou. E continuou: “Obedeça, ore e descanse. O Senhor vai operar maravilhas”.
Em suas palavras, o pastor declarou que há um avivamento sobre a terra e que Cristo está às portas. Danilo afirmou que Deus concedeu aos cristãos o privilégio de anunciar o Evangelho — algo que, segundo ele, nem mesmo os anjos podem fazer.
Danilo também orientou que ninguém deve se desvalorizar ou pensar que não tem nada a oferecer. Ele lembrou o ensino bíblico sobre os talentos registrados na Bíblia Sagrada: cada um recebeu pelo menos um. “Não é verdade que você não tem nada. O Senhor deu dons e talentos a cada um”, afirma.
Para ilustrar, ele citou o episódio da multiplicação dos pães e peixes. Recordou que, diante da multidão faminta, um discípulo afirmou que não havia recursos suficientes, mas outro encontrou um jovem com cinco pães e dois peixes. “O Senhor nunca nos chamou para alimentar multidões. Ele nos chamou para estar com Ele”, explicou. Segundo Danilo, os “cinco pães e dois peixinhos” representam o tempo de intimidade, devoção e entrega pessoal a Deus — e é a partir disso que vem a multiplicação.
“Entregue ao Senhor o que você tem. Ele é capaz de multiplicar e alcançar povos e nações”, concluiu. Para ele, o foco não deve ser a ansiedade por tocar multidões, mas a fidelidade no cuidado da casa, do rebanho local e do tempo com Deus. O restante, afirmou, é o próprio Senhor quem multiplica.
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Logo após o último programa Toda Terça, do Ministério Verbo da Vida, o pastor compartilhou sobre a missão. Para saber mais informações da associação, siga o Instagram: @btjbrasil.
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